17 junho 2022

[RESENHA] Os dois duques de Wyndham - Julia Quinn

• O fora da lei
Um dia, ao assaltar uma carruagem na estrada, o vigarista Jack Audley é apontado como o filho perdido da Casa de Wyndham. Se ficar provado que é herdeiro legítimo de seu falecido pai, Jack terá algo que nunca desejou: o título de duque.
Grace Eversleigh trabalha há cinco anos como acompanhante da duquesa viúva de Wyndham. É uma função ingrata, que oferece muitos desaforos e poucas novidades... até que Jack Audley surge em sua vida, cheio de charme e de sorrisinhos indecentes.
Ele não aceita “não” como resposta, e, quando Grace está em seus braços, não quer mesmo dizer não. Mas se ele de fato for o duque, ela nunca poderá tê-lo...

• O aristocrata
Amelia Willoughby é noiva de Thomas Cavendish, o duque de Wyndham, desde bebê. Enquanto espera que ele enfim arrume um tempo para se casar, fica claro que isso não é uma prioridade para ele.
Bem quando Thomas percebe que Amelia é muito mais do que uma mera conveniência, seu mundo é virado do avesso pelo aparecimento de seu primo há muito perdido, que pode ser o verdadeiro duque.
Caso isso se confirme, então Thomas não será mais nem o duque nem o noivo de Amelia. Isso seria uma cruel ironia do destino, porque ele cometeu um erro imperdoável: se apaixonar pela própria noiva.
Livro:  Os Dois Duques de Wyndham ||  Autor: Julia Quinn 
Ano: 2022||  Editora: Arqueiro  || Gênero: Romance de Época
Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Luci

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Os Dois Duques de Wyndham é uma proposta interessante: uma duologia cujos livros narram a mesma história, sob quatro pontos de vistas diferentes, considerando que em cada livro temos um casal, e isso dá a liberdade ao leitor de começar por qualquer um deles.

Um deles é intitulado “O Fora da Lei”, e narra a história de Jack Audley, que desde que saiu do exército vaga pelo mundo, levando a vida como assaltante de carruagens. Mas quis o destino que ele um dia tivesse como alvo a carruagem da duquesa viúva de Wyndham, que imediatamente reconheceu nele, os traços do seu filho preferido e ficou convicta de que ele é o herdeiro perdido ao título de duque, e a ranzinza senhora se arma de todas as formas para provar sua legitimidade e assim fazê-lo assumir a posição que lhe é de direito.

No entanto, esta é uma posição que Jack nunca almejou em sua vida. Na verdade, a única coisa que o atrai na propriedade ducal, é a senhorita Grace Eversleigh, a dama de companhia da duquesa viúva, e ele sabe muito bem que assumir o ducado terá como consequência esquecer qualquer possibilidade de conquistar essa dama e fazê-la sua esposa.

Grace Eversleigh não leva uma vida com muitas perspectivas desde a morte dos pais, que a deixou sem nada e apenas com a alternativa de ser acompanhante da duquesa viúva de Wyndham para garantir sua sobrevivência. O ápice de emoção que teve em sua vida foi ser assaltada por um charmoso ladrão de carruagens, que lhe roubou um beijo e a deixou cheia de sentimentos confusos.

Para piorar tudo, Jack, o charmoso assaltante, pode ser o verdadeiro Duque de Wyndham, e ela, como não faz parte da nobreza, não pode alimentar mais os sentimentos que ele lhe desperta, pois ao assumir seu título, ele terá que cumprir as exigências sociais e procurar uma esposa à altura.

Então, ambos vão ter de aprender a lidar com esses sentimentos ou descobrir uma forma de vivê-los.

Em “O Aristocrata”, temos a história de Thomas Cavendish, o atual duque de Wyndham, que herdou o título após uma sucessão de mortes na família, o que o deixou, até o surgimento de Jack Audley, como o único herdeiro.

A possibilidade de que esse título pode não ser seu, mexe com toda a estrutura de sua vida; afinal, ele é um homem que foi criado para comandar, e leva seu dever como duque bem a sério... exceto se casar, mesmo que seu contrato de casamento esteja firmado desde que era criança com Amelia Willoughby.

Amelia Willoughby é a noiva esquecida do duque, mesmo que ambos sejam vizinhos e se encontrem constantemente em eventos sociais. A cada ano que passa, a sociedade londrina espera que ela finalmente se case, mas Thomas nunca demonstrou interesse em marcar o matrimônio, o que a fez ser tema de fofoca nas rodas sociais.

Quando ela está determinada a que todas a conheçam pelo que e quem ela é, não apenas como a noiva esquecida do Duque de Wyndham, a notícia de que Thomas pode perder o título e, com isso, seu contrato de casamento se tornar inválido, incrivelmente a faz se aproximar mais do homem que sempre a ignorou, e conhecê-lo mais profundamente, acarretando sentimentos que são correspondidos.

Mas um título, ou a ausência dele, é que vai definir o futuro dos dois.



Bem, minhas impressões sobre essa duologia são bem simples: foi uma proposta muito boa, lançar as duas ao mesmo tempo, em um livro único, pois como se trata da mesma história, desencadeada por um único fato, seria sem sentido produzir dois livros, fazendo o leitor esperar pelo lançamento do próximo.

Sobre as histórias em si, vamos focar em cada uma: em “O Fora da Lei”, a autora apresenta um casal com uma boa química, do tipo que deixa o leitor ansioso para ler cenas dos dois juntos; amei a personalidade espirituosa de Jack, deu leveza à trama as suas observações sarcásticas e audaciosas.

Grace, apesar de ser uma personagem mais contida, deu o equilíbrio ideal ante a personalidade exuberante de Jack. Gostei muito da personagem, apesar de não apresentar a ousadia que Julia Quinn costuma caracterizar em suas personagens femininas.

A narrativa foi bem construída, apesar de autora ter introduzido uma questão que não explorou muito bem, pois subtende-se que Jack tem dislexia, e foi algo tratado bem levemente, quase de forma evasiva, e seria interessante ter explorado isso sob o ponto de vista da época.

Já em “O Aristocrata”, pela história já ter sido contada no livro anterior (seja qual for a ordem de leitura, a impressão será a mesma), a leitura se torna um pouco maçante, pois sabemos o resultado dos acontecimentos.

Na verdade, o que torna interessante o segundo livro é como acabamos por conhecer Thomas, a pessoa por baixo de toda frieza com que ele lida com tudo ao redor; passamos a ver como a sua personalidade foi construída e os motivos que o levaram a ser assim, o que o torna mais humano aos olhos do leitor.

Quanto a Amelia, ela foi uma personagem mais passiva, com poucas cenas em que realmente se impôs. A autora também tirou dela a ousadia que costumamos ler nas personagens femininas, mas nos poucos pontos da trama onde ela se posiciona, foram os decisivos para mudar o rumo da história.

A mesma química que vemos entre Jack e Grace, não encontramos em Thomas e Amelia, infelizmente. Pareceu-me muito superficial, você conhecer a pessoa toda a sua vida e não ter despertado a mínima centelha de interesse por ela e, de repente, você a ver como o amor da sua vida. Isso pode acontecer? Sim, claro, mas a superficialidade ficou justamente na forma como o relacionamento dos dois foi desenvolvido. E o final do livro desse casal me frustrou um pouco, pois deixou uma certa lacuna a ser preenchida, através de um salto no tempo que não foi muito bem explorado.

De todo, é uma duologia bem gostosinha de ler, do tipo “leituras despretensiosas de um dia de chuva”, ou para qualquer momento que o leitor queira se distrair com algo leve, divertido e romântico, com o selo de qualidade Julia Quinn.


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