09 janeiro 2022

[RESENHA] Jane Eyre - Charlotte Brontë


Muito à frente de seu tempo, a emocionante obra-prima de Charlotte Brontë confrontou os tabus da sociedade vitoriana, ao narrar com maestria a busca apaixonada de sua protagonista por uma vida mais significativa e menos convencional do que a oferecida às mulheres de sua época.
Romance mais querido e famoso de Charlotte Brontë, Jane Eyre foi imediatamente reconhecido como obra-prima quando publicado em 1847. A história da órfã de temperamento forte e independente atravessando uma infância sofrida na casa da tia e em Lowood, onde é educada, cativa leitoras e leitores de todas as épocas. Ao romper com o passado em busca de autonomia, Jane emprega-se como governanta e apaixona-se pelo patrão sarcástico, descobrindo assim o amor ― e, com ele, um segredo terrível.
Pioneira na forma como constrói sua personagem feminina principal, abordando criticamente questões de gênero, sexualidade, religião e classe, Charlotte Brontë confrontou os tabus da época com este retrato inesquecível da luta de uma mulher por respeito e liberdade em seus próprios termos.


 Livro:  Jane Eyre ||Autor: Charlotte Brontë
Editora: Clássicos ZAHAR ||Ano: 2021
 Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Luci

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Jane Eyre é um romance clássico da literatura romântica internacional, ambientado na Inglaterra da época vitoriana, que retrata a jovem Jane Eyre — desde a sua sofrida infância, como uma órfã que vive sob a responsabilidade de parentes que não suportam, porque não conseguem simplesmente sufocar a vivacidade que a garota possui e por isso a castigam afastando-a para longe — até a sua fase adulta, permitindo ao leitor conhecer todo o seu desenvolvimento e a formação da sua personalidade, que culmina com a experiência de se apaixonar por alguém fora do seu alcance, socialmente falando, mas o livro não se resume a isso, a um simples romance.

Jane Eyre nem de longe pode ser considerada uma leitura leve. O peso do sofrimento, em parte revelado e em parte insondável, é atirado ao leitor logo de início. Ao ficar sabendo que o livro é quase que autobiográfico em vários aspectos, como leitora, eu acabei simpatizando ainda mais com a experiência de vida tão sofrida da personagem/narradora que leva o título do livro.

Muita gente o vê como a clássica história de um romance comovente, do tipo Cinderela, entre empregada e patrão que habitam mundos infinitamente distantes, mas, para mim, a parte do romance não passa de uma pequena fração da trama. A história é sobre a luta de uma mulher totalmente sozinha e sem o apoio de ninguém, tentando encontrar algum lugar em um mundo extremamente adverso.



A maioria dos romances escritos ainda hoje, onde a heroína é uma órfã destituída de tudo, traz a figura de um “príncipe salvador”, um homem de uma posição social elevada, cujo amor e dinheiro conseguem resolver todos os problemas da mocinha. Porém, esse não é o caso aqui. Por aprender desde bem cedo que não poderia contar com ninguém além de si mesma, tudo que Jane consegue é por esforço próprio, encontrando um objetivo de vida mesmo após sofrer abalos repetidos.

A personagem decide estudar e seguir a profissão de professora, em vez de buscar algum tipo de conforto em um matrimônio de conveniência, o que era uma decisão incrivelmente atípica para a época. Como não amar uma heroína de atitude dessa?

Apesar de muitos temas à frente de seu tempo, não se pode esquecer que se trata de um livro escrito no século XIX, com toda a mentalidade e noções desse momento histórico. Existe um ar de superioridade imperialista até na desfavorecida servente Jane. No caso dela, a superioridade é moral, e por ser uma pessoa extremamente moralista, há vários sermões quase religiosos seus que deixaram a minha leitura bastante arrastada.

Por outro lado, o personagem do senhor Rochester é o de um anti-herói que parece carecer de qualquer base moral, muito provavelmente devido a uma criação com excesso de privilégios. Ele está acostumado que as coisas saiam do seu modo e usa todas as armas ao seu alcance, principalmente seu poder e influência, para isso. A maneira como ele trata todas as personagens femininas (sim, inclusive Jane) que acabam se envolvendo com ele nem de longe pode ser considerada aceitável.

É no encontro dos dois que os papeis se invertem e Jane se transforma em “salvadora”. A meu ver, basicamente, eles se completam por terem em abundância o que mais falta no outro. Jane tem princípios demais, e no senhor Rochester sobra dinheiro e autoestima.

As dores de Jane, infelizmente, não diminuem em nada depois que ela conhece o amor e tudo que ela não precisava era ter que passar por ainda mais sofrimento e me levar junto. Digo isso porque Charlotte Brontë tem uma escrita tão primorosa, que em sua poética consegue passar a sensação de se estar na pele da própria Jane. A descrição das emoções e sentimentos da personagem é feita com uma maestria que poucos autores conseguem obter.

E por se tratar de uma narrativa do século XIX, acho maravilhosa a descrição de pontos que eram fundamentados na época, como a religião é usada para criar o discurso de uma moralidade redentora, mas deixando claro a hipocrisia do discurso, ilustrada por ações, e isso é bastante atemporal; a forma como a figura feminina se refaz para superar as adversidades e principalmente se superar, buscando para isso absorver conhecimento para a sua independência, algo tão atípico para a sociedade da época.

Jane Eyre não é um clássico da literatura à toa, é uma jornada de superação de uma das personagens mais fortes já escritas, razão pela qual vale muito a pena ler.

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