11 dezembro 2021

[RESENHA] Mowgli: Os livros da Selva - Rudyard Kipling

Mowgli, o filhote de homem criado por lobos, ocupa um espaço eterno no imaginário popular, encantando leitoras e leitores de todas as idades e lugares. A extraordinária prosa de Rudyard Kipling nos transporta para dentro das florestas da Índia, dá voz e pensamento aos animais e nos permite enxergar o mundo pelos olhos de Mowgli e dos personagens inesquecíveis que o acompanham. Enquanto cresce e amadurece, vivendo aventuras que falam de coragem, amizade e do respeito à lei da Selva, Mowgli enfrenta o dilema existencial que é o seu maior inimigo: qual o seu lugar no mundo, entre os animais que o criaram ou entre os homens?
Esta edição reúne em texto integral os oito contos que apresentam a infância e a adolescência de Mowgli, como publicados nas edições originais de O livro da Selva e de O segundo livro da Selva. Conta também com ilustrações originais e um apêndice com o primeiro texto sobre Mowgli escrito por Kipling, “Dentro da rukh”.

Livro: Mowgli: Os livros da Selva || Autor: Rudyard Kipling 
Editora: Zahar||Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Sheila
 Ano: 2021 || Gênero: Aventura, Infantojuvenil

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A primeira memória que temos desse livro é, na realidade, a impressão e um desenho animado famoso feito pela Disney. O desenho está em desacordo com o livro ou algo assim? 

Não, não está, porém, ele simplifica e é muito mais sutil nos fatos mais marcantes do livro e no que ele realmente significa.

O livro nos conta a história de um menino que perdido na Selva, acaba sendo criado por animais. Aqui cabe um ponto interessante, o autor  Rudyard Kipling, filhos de pais Britânicos, nasceu em Bombaim, na chamada Índia britânica, em uma época aonde os ingleses colonizavam e disputavam as riquezas da Índia, em uma época onde ser um estrangeiro, era ser incompreendido e não compreender um país tão distópico das tradições inglesas e de costumes tão diferentes da fria Inglaterra pautada na época em bons costumes e regras de etiquetas. O livro assim traz alguns preconceitos do autor para com o povo nativo endeusando os animais e muitas vezes, colocando o homem como uma criatura mais gananciosa e ardilosa.


A história de Mowgli portanto não representa um simples menino perdido na selva criado por animais que tem representações baseadas em traços humanas com vozes, diálogos e discernimento, mas representa o ser estrangeiro em um país tão diferente e as dificuldades de comunicação, aceitação e integração. Sobretudo, o livro representa a curiosidade de saber a qual espaço do mundo pertencemos, e porque ao longo do processo da vida, os ambientes que nos rodeiam precisam ser mudados. 

No caso do livro, o menino deve decidir se deve viver toda a sua vida na selva ou ir para as vilas em busca de uma proximidade com os humanos ao qual ele fisicamente se assemelha e achar uma parceira para a vida.

 O livro que foi redigido em linguagem própria para o público infanto-juvenil e escrito em formato de contos que depois juntos formaram esse livro. Durante os contos, algumas etapas da vida de Mowgli são puladas e tem como principal aspecto o de instruir como uma fábula ou conto infantil mesmo, assim a dualidade se faz presente, a representação do bem e do mal são constantes no livro e traz vários ensinamentos aos jovens leitores.

Os animais podem ser bons e virtuosos e leais a Mowgli,  como os lobos que o adotam salvando sua vida do temido tigre Shere Khan muito ardiloso e que atacou sua família. O tigre tem repulsa por humanos e dificulta a vida de Mowgli questionando o lugar do filhote de homem.

Alguns animais vão acompanhar a  criação do pequeno filhote de humano, os mais importantes são a pantera  Bagheera e o urso Baloo que são os responsáveis por ensinar a Lei da Selva para Mowgli, para que ele se adeque as tradições da floresta e são respectivamente a imagem do guardião sábio e  a do  grande amigo. A Piton Kaa tem uma história totalmente dedicada a ela e os macacos aparecem mostrando que animais também podem ter vícios e serem desrespeitosos.

O livro é mais profundo quando se lido por um adulto e traz  à tona processos de formação de caráter, ideologia, políticas colocadas pela aceitação de Mowgli e discussão de seu pertencimento a selva que mesmo escritos em meados de 1894  se mostram atuais, na passagem da maturidade humana.

Além das várias referências às leis de sobrevivência, esse livro falará sobre os laços familiares, sobre as dificuldades que encontraremos no mundo e, principalmente, sobre a importância de se ter amigos leais durante essa jornada. 

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