17 novembro 2021

[Resenha] Willa - Robert Beatty


Quem é essa garota querendo desafiar o mundo? Willa é uma garota da floresta que sai à noite para buscar mantimentos para o seu clã. Sua missão é entrar escondida nas cabanas das pessoas e pegar o que eles têm em excesso. É uma tarefa arriscada ― se for apanhada será o seu fim. O povo do dia mata tudo o que não conhece, foi o que sempre ouviu. Numa noite, quando retorna para a sua comunidade, Willa começa a questionar aquele modo de vida, os furtos, a que era obrigada, e vai descobrindo que nem todas as pessoas do povo do dia são ruins e nem todos em sua comunidade são bons. Então muitos dos ensinamentos que recebeu desde a infância começam a desmoronar.



Livro:  Willa, A Garota da Floresta || Ilustrador: Robert Beatty
Editora: Faro Editorial || Selo: Milk Shakespeare
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Lud
Ano: 2021 || Assunto:  YA, Aventura, Fantasia
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Aahh esse livrinho... demorei meses para pegar para ler, porque edições físicas estão sendo um problema para mim, mas li em apenas duas noites. E claro que, Robert Beatty não decepciona. Para quem não conhece o autor, ele tem outra série publicada aqui no Brasil, Serafina, mas lançado pela editora Valentina. Então eu já conhecia a escrita dele. 

Willa é uma garota da floresta, não só porque mora no meio de uma, mas porque é ensinada pela avó sobre os costumes antigos do seu clã. Mas para seu clã, ela é uma Jaetter, que são um grupo de jovens com a função de sair a noite para trazer comida e roubar itens do povo do dia, da qual foram criados para odiar pelo seu lider dos Faeran, o Padaran. 

Mas em uma dessas noites, tentado se provar para o Padaran, ela entra em uma das cabanas, o que é proibido, e acaba tendo um confronto com um homem do povo do dia. E, ao contrario do que lhe foi ensinado, ele não a machuca, mas é tratada com cuidado. E a partir desse momento, e mas algumas descobertas, Willa se pergunta se realmente tudo que sabe é a verdade. 

"Mova-se sem fazer barulho. Desapareça sem deixar vestígios."



"Nunca pegue mais do que o necessário. Trate a natureza com respeito."

Esse é um livro classificado como infanto-juvenil, mas ele traz muitos assuntos e criticas tão atuais para se trabalhar não apenas com crianças pequenas, mas com uma faixa etária bem ampla.  

Eu adoro a escrita do Robert, como ele consegue prender a nossa atenção com cada palavra, em nenhum momento a história fica monótona. Mesmo as partes com mais monólogos são imprescindíveis para entendermos a Willa como pessoa, e consequentemente, suas ações. E assim, com capítulos curtinhos, ele nos conduz por um enredo riquíssimo em detalhes aliado a uma narração fluida.

A Willa em si, já é uma personagem muito bem construída, forte e independente. Criada pela avó com todo amor e carinho. Ela aprendeu tudo que sabe da sua cultura e do seu povo, e tenta viver seguindo essa verdade, ao contrario das outras pessoas do seu clã. E algumas cenas dessas interações são bem fortes e de apertar o coração. E aqui cabe uma observação, porque o livro tem cenas bem violentas contra Willa, que nada mais é, do que uma criança. 

A ambientação da história é algo surreal, você consegue realmente visualizar o ambiente em que a Willa se encontra, mas não é apenas isso. Você consegue ver coisas simples, mas de uma forma totalmente diferente, porque você está na cabeça da personagem. Uma árvore não é simplesmente uma árvore para ela. 

E foi justamente esse fato que fez meu coração apertar em vários momentos. Você enxergar a floresta de outra forma, os animais...os questionamentos da Willa, sobre se você precisa fazer tal coisa para sobreviver. Se você pega apenas o que precisa, ou você mata porque quer? Corta árvores por que quer?
E ai está a importância desse livro, ele te ensina a respeitar as diferenças, a respeitar a natureza, a enxergar de uma forma totalmente diferente. Imagina no dias de hoje, você dar um livro maravilhoso desse para uma criança em formação. E não apenas isso, Robert traz mais questionamentos importantes, e eu poderia ficar horas falando sobre esse livro.

Esse livro realmente me impactou, o tanto que eu amei, não está escrito não. E eu espero, sinceramente, que vocês tenham a oportunidade de ler esse livro. Que vocês tenham a oportunidade de terem os valores questionados, e repensar no que é realmente importante. 


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