08 novembro 2021

[Resenha] Nós somos a cidade - Grandes cidades, 01 - N. K. Jemisin


Em Nós somos a cidade, N. K. Jemisin – autora best-seller do New York Times e a única escritora de todos os tempos a ganhar o prêmio Hugo por três anos consecutivos – cria uma história de cultura, identidade, magia e lendas em uma Nova York contemporânea e intrinsicamente múltipla.Toda cidade tem alma. Mas toda cidade também tem um lado obscuro. Um mal antigo espreitando sob a terra, esperando pelo momento certo para atacar. E quando Nova York desperta, corporificada na figura de um franzino garoto de rua, o ataque que se segue é brutal. O jovem, avatar da metrópole, fica em um coma mágico, e a cidade corre perigo com o mal que infesta ruas e pessoas, ameaçando destruí-la.

É então que outros cinco avatares são chamados à luta. Em Manhattan, um jovem universitário sente o pulsar da metrópole e compreende seu poder. No Bronx, a diretora lenape de uma galeria de arte descobre estranhos grafites que a atraem de maneira irresistível. No Brooklyn, uma antiga MC que entrou para a carreira política consegue ouvir a música da cidade. No Queens, uma imigrante indiana com um visto de estudante não entende como pode se tornar parte de um lugar que mal a reconhece como cidadã. E em Staten Island, a filha oprimida de um policial violento sente o resto da cidade chamando por ela.

Enquanto isso, o avatar de Nova York dorme, esperando que seus distritos consigam se unir e expulsar de uma vez por todas o invasor monstruoso à caça deles.

"Nós somos a cidade defende com unhas e dentes as ideias de santuário, de família e de amor. É um grito de viva, uma aclamação, um chamado à luta."
– The New York Times


Livro: Nós somos a cidade||  Série: Grandes cidades, 01 || Autor: N. K. Jemisin
Editora: Suma de Letras|| Ano: 2021||  Gênero:  Fantasia, Distópia
 Classificação:  4.5 estrelas ||  Resenhista: Lud

As cidades estão vivas. Estão adormecidas, até que decidem "nascer" e assim escolher um avatar humano para se personificar. Cada cidade possui uma apresentação de si mesma, mas Nova York, possui cinco:  Manhattan, Brooklyn, Bronx, Queens e Staten Island. E juntas, essas cinco pessoas terão que trabalhar para conseguir manter a cidade viva, após ser atacada no seu nascimento por um inimigo.

Preciso dizer que relutei nas primeiras páginas, mas depois a leitura fluiu muito bem. O fato de eu ter pensado que seria uma fantasia, me fez solicitar o livro, mas na verdade ele se caracteriza muito mais como uma distopia, que é um gênero que não tenho costume de ler.  

Depois da estranheza das primeiras páginas e da ambientação da história, eu peguei um ritmo alucinante de leitura e só parei quando tinha finalizado. Foi meu primeiro contato com a escrita da N. K. Jemisin e gostei muito do que li.


A construção do livro é maravilhosa, o conceito é bem simples: e se as cidades estivessem vivas, e pudesse andar livremente como uma pessoa? Mas é a execução que eleva esse enredo a uma aventura incrível. 

O que mais impressiona é como a Jemisin trabalha tudo ao mesmo tempo, temos muitos assuntos aqui nesse enredo, temos racismo, a questão de gênero, a questão de xenofobia, e muito mais... tudo que você possa imaginar tem aqui. E o ponto alto é a cidade de NY.  porque é impossível encontrar mais diversidade em qualquer outro lugar. 

Uma pausa para falarmos da vilã, senhor o que foi isssooo? Ela é a personificação de cada coisa ruim que guardamos dentro de nós. É aquele preconceito velado, é a representação daqueles "cidadãos de família, do bem". Que acham que estão fazendo a coisa certa quando na verdade estão destruindo o outro. É sensacional. Cada ação que ela tem no livro é um tiro, e o ódio que você sente é bem real. 

A única ressalva é que conforme ela vai apresentando os personagens, você não sabe quem é quem, e tem um jogo ai, a autora te apesenta as características de cada distrito, e se você conhece NY, ou pelo menos sabe a características que alguns distritos como Brokylyn ou Bronx, você vai saber na hora quem é aquela pessoa, mas se você é mais como eu, que não faz noção, essa parte tão inteligente fica meio solta. E não é apenas para descobrir a identidade, muitas ações e decisões de cada personagens vem da característica da sua personalidade que na verdade é esse distrito. Mas no final, posso dizer que meu conhecimento sobre NY ampliou consideravelmente.   

Nos agradecimentos, a autora fala que pesquisou muitoooo para escrever esse livro, não apenas NY, na qual ela já morou, mas sobre algumas características de cada etnia. Foi um trabalho considerável escrever esse livro, e não vejo a hora de ler o próximo.

Nós somos a cidade é um livro com muita representatividade e cultura, e que traz um enredo cheio de ação e uma escrita genial. 

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