03 novembro 2021

[Resenha] Meu corpo virou poesia - Bruna Vieira

 

Em 2017, Bruna Vieira fez as malas, deixou a vida no Brasil de lado e foi escrever uma nova história em outro país, vestida de coragem e guiada por um sentimento que sempre foi sua maior prioridade: o amor.
Com o tempo, porém, os dias foram ficando cada vez mais longos e solitários. Era como se naquele lugar o amor tivesse perdido o equilíbrio e se tornado uma obrigação. Foi bem perto do fim e de jeito mais frio que ela finalmente se deu conta: é impossível ser "nós" sozinha.
Formado por quatro partes – cabeça, garganta, pulmão e ventre –, este livro é um mapa. Um mapa que leva Bruna de volta à escrita e a si mesma. São relatos reais, repletos de lembranças, aprendizados e cicatrizes, que agora deixam o corpo da autora para encontrar o seu, em forma de poesia.
Ao tocar em temas como autoestima, amizade feminina e relacionamentos (com o outro e sobretudo consigo mesma), Bruna olha para dentro e nos convida a percorrer nestes versos nossa própria viagem de autodescoberta.


Livro: Meu corpo virou poesia || Autor: Bruna Vieira                                         
Editora: Seguinte ||Ano: 2021 ||Classificação:  3.5 estrelas
 Gênero: Poesia || Resenhista: Karina

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Bruna Vieira é uma influenciadora digital há mais de 10 anos na internet, se você a acompanhada por muito tempo, esse livro vai preencher o longo período de silêncio que se deu depois do rompimento do noivado que a fez morar fora do Brasil pela primeira vez, e, se esse for o caso, prepare-se para tomar as dores dela enquanto mulher e vibrar com cada caquinho que ela pacientemente colou.

Eu me desmoronei por inteiro para tentar caber em você.

Nessas páginas você vai acompanhar o longo caminho de volta a quem um dia ela foi, mas mesmo quando tentamos fazer isso, nunca voltamos a ser a mesma pessoa, e está tudo bem, talvez só tenhamos que lidar com a dorzinha do estranhamento.

Ouvi dizer que amor próprio ainda é o jeito mais corajoso de amar.

Se você não tem a mínima ideia de quem seja a Bruna, talvez você se relacione com o livro de uma maneira distinta porque mesmo que você não saiba minimamente qualquer fato do relacionamento que ela cita constantemente, você em algum momento vai se reconhecer ou reconhecer a história de alguém nessas linhas, afinal de contas amor e dor são materiais para poema desde a Grécia clássica.


 Amar é maré. Você não desiste de navegar e pula fora do barco [...] Mas você me empurrou para a pior das tempestades. Advinha? Eu descobri que o mar gosta de mim.

 O que me ganhou desde a primeira linha ( e eu já conhecia a Bruna desde o começo do blog Depois dos quinze) foi a coragem, coragem de se entregar ao amor, coragem de se entregar a dor e mais do que qualquer outra coisa coragem de expor essa dor. Talvez como boa virginiana que eu sou, jamais conseguiria abrir pro mundo as minhas cicatrizes, apesar de gostar tanto das minhas como a Bruna aprendeu a gostar das dela.

 Eu quase nunca leio sinopses mas essa em particular define muito bem o livro, as seções são quase um mapa, uma mapa de quem se perdeu e está se reconectando ou um mapa que te mostra que não vale a pena tentar se encaixar num amor que não te cabe.

Entendam, não estou dizendo que não vale a pena se apaixonar, aqui devemos celebrar o fato que a Bruna ressurgiu das cinzas ainda mais ruiva e forte, empoderada e pronta pra fazer de suas dores um livro. Mas em alguns momentos, o livro aponta mesmo que sutilmente o quanto se desconectar de si pode nos levar a lugares mais sombrios dentro da gente e é nesse momento que devemos ter plena consciência que nenhum grande amor vai te fazer sofrer. Esse é o clichê que nenhuma de nós deveríamos sequer pensar em tolerar... o amor não deveria doer, nem machucar.

Toda vez que gritamos roubamos o silêncio de quem estava por perto.

Esse exemplar foi cedido pela editora pela plataforma do Netgalley, então não posso opinar muito sobre  os detalhes do projeto editorial , mas já vi por ai nos materiais promocionais que o livro conta com ilustrações delicadas e coloridas. As seções que organizam os poemas são quase um poema aparte que conferem uma subjetividade particular ao mapa das emoções, dividido em cabeça, garganta, pulmão e ventre representando os vários tipo os fases do amor vivido pela Bruna ou do amor que encontramos durante a vida.

Eu me desmoronei por inteiro para tentar caber em você.


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