29 outubro 2021

[Resenha] A Rosa vermelha mais desabrocha - Liv Strömquist


Podemos controlar o amor? O que realmente acontece quando ele acaba? Como o amor deixou de ser considerado uma força misteriosa para se tornar algo racionalmente explicável? Por que procuramos ser mais amados do que amar? Com muito humor e inteligência, e o título emprestado de um verso da poeta norte-americana Hilda Doolittle, A rosa mais vermelha desabrocha examina as engrenagens do amor nos tempos do capitalismo tardio. A partir de histórias como a de Sócrates, que traiu Alcibíades há mais de dois mil anos, ou a de Teseu, que abandonou a amada Ariadne de uma hora para outra na ilha de Naxos, e com a ajuda de Beyoncé, do filósofo Sören Kierkegaard, dos smurfs, da namorada alucinada de Lorde Byron, de Platão, de Jabba de Star Wars, e de outros especialistas na arte de amar, a artista sueca Liv Strömquist mais uma vez desconstrói mitos e se afirma como uma das quadrinistas mais relevantes da atualidade.

Livro:  A Rosa vermelha mais desabrocha||  Autor:  Liv Strömquist 
Ano: 2021||  Editora:   Quadrinhos na Cia || Gênero: HQ
Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Karina

Eu não sabia muito o que esperar dessa HQ, eu só sabia que seria surpreendida, pois pra quem já leu a outra HQ da autora: "A origem do mundo", também lançado pela Quadrinhos na Cia, conhece a linguagem muito sagaz da autora. 

Quando lemos um livro, mais do que as palavras do autor, a gente tende pensar no nosso lugar no mundo naquele momento e nesse quadrinho foi o perfeito exemplo disso, porquê, eu não estava nem perto de estar apaixonada, logo eu tinha duas possibilidades: virar os olhos para qualquer storyboard  clichê de amor romântico ou concordar com qualquer alfinetada em casal apaixonado. Resultado: terceira opção, a inesperada, eu ri muito, muito mesmo e aprendi muito sobre as exs namoradas do Leonardo Di Caprio e estou me perguntando se nossa capacidade de se apaixonar pelas outras pessoas está comprometida. 

Será que somos todos Leonardo Di Caprio?

 

Geralmente, a primeira coisa que me pega num quadrinho é a capacidade de desenhar do quadrinista, se eu encontrar cenas bem elaboradas já é meio caminho para eu gostar do roteiro, se encontro cores que contam a história por si só, já me apego...mas esse quadrinho não tem nada disso! Claro que eu não tenho habilidade artística nenhuma para julgar o traço de alguém rs, mas aqui eu conseguiria reproduzir alguns dos traços, e o quadrinho é quase todo em  preto e branco (não tem nem um dêgradezinho de cinza que deixe a cena mais sombria ou divertida, ou é o preto chapadão ou o branco alto brilho (tirando a página rosa e roxa de golfinhos e o fio vermelho de uma outra página).

Tá, mas então o que mereceu meu tempo e essas estrelinhas da experiência de leitura? O roteiro, não no sentido do que é dito, mas de como é dito, as informações se encaixam de forma natural, as diferentes fontes de texto utilizadas no quadrinho (e olha que tem bastante texto) se mesclam com recortes de obras de arte, com releitura de personagens pop; ao ler, me senti uma caçadora de referências pop; o quadrinho é quase numa espécie de diário com recortes e metáforas afim de entender o que é o amor.




[...] o amor é uma conclusão absoluta. É absoluto porque pressupõe a morte, a entrega de si mesmo[...]

Quando digo diário, não é no sentindo de que Liv Stromquist escreve diariamente sobre a própria vida, mas com certeza escreve de muitas perspectivas sobre o mesmo assunto (talvez esse quadrinho seja uma espécie de ensaio ilustrado). Todo mundo sabe que aqui no Brasil dia 12 de junho é aquela enxurrada de flores, chocolates e propaganda de novos perfumes, mas até onde o capitalismo conseguiria influir no nosso desejo de sentir e na nossa capacidade de amar? Será que o patriarcado tem algum poder também no nosso modo de se apaixonar?

Se você está extremamente apaixonada (do ponto de vista do conceito romântico do romance) esse quadrinho ainda vale a pena, porque talvez esteja recheado de dicas de livros e mitos para incrementar nossa cultura, tem uma dose de fofoca que não edifica mas nos diverte! 

Esse Hq não é pra ser lido numa sentada, eu diria que ele é para ser degustado, porque cada trechinho dito contêm mais uns três ou quatro conceitos e ideias não ditas, com certeza você chegará na última página pensando em como as relações sociais tem moldado como e o quanto as relações românticas estão sendo construídas.

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