20 agosto 2021

[RESENHA] Um Amor e Nada Mais - Clube dos Sobreviventes 07 - Mary Balogh



Pela primeira vez desde a morte da esposa, George Crabbe, o duque de Stanbrook, está cogitando se casar de novo. Quando pensa no assunto, tudo que lhe vem à mente é uma mulher que conheceu um ano antes e nunca mais viu.
Dora Debbins perdeu toda a esperança de se casar quando um escândalo na família a afastou dos salões da sociedade e a obrigou a se dedicar à irmã mais nova. Aos 39 anos, está resignada à rotina de professora de música em um vilarejo até que o inesperado pedido de casamento do duque vem mudar tudo o que planejou para seu futuro.
O que Dora não sabe é que aquele conto de fadas oculta um segredo terrível. Será que esse amor recém-descoberto sobreviverá aos erros do passado?




  Livro: Um Amore Nada Mais || Série: Clube dos Sobreviventes # 7 ||Autor: Mary Balogh

Ano: 2021||  Editora: Arqueiro|| Gênero: Romance de época/Ficção

Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Luci
Skoob || Compre || Editora



Há muito tempo, Dora Debbins deixou de lado os seus sonhos românticos. Eles foram sendo enterrados desde o momento em que era uma jovem prestes a debutar na sociedade londrina, cujos planos foram frustrados devido aos dramas familiares, que a fez se resignar a uma vida cada vez mais solitária. E, mesmo assim, aos 39 anos, vez ou outra vem à sua lembrança a imagem de um duque, cuja imagem está bem viva há um ano, quando, mesmo em meio à sua maturidade, a fez sonhar com o amor de um homem e ter tudo aquilo que poderia ter tido em um relacionamento.

Dora sabia que era impossível. Por isso, após um ano de ter seu desejo despertado, ela se surpreende quando George Crabbe, o Duque de Stanbrook, o homem que a fez ter sentimentos após um breve encontro, bate à sua porta com um pedido de casamento.

No intitulado “Clube dos Sobreviventes”, composto por pessoas que carregam cicatrizes físicas e emocionais da guerra, George era o conselheiro, o que escutava, o que fazia companhia e fazia questão de fazer parte do processo de cura. Agora, vendo que todos os seus amigos estavam muito bem casados e felizes, o Duque de Stanbrook sente todo o peso da solidão. O viúvo de 48 anos passa a sentir o anseio de ter a felicidade conjugal que lhe fora negada no primeiro casamento, mas só uma pessoa vem à sua mente para realizar esse desejo: Dora Debbins, a professora de piano que o encantou com o seu talento, e que deve tê-lo marcado de forma mais profunda, para que ela fosse sua primeira escolha.

Disposto a se arriscar, ele fez a ela essa proposta, com o objetivo de buscar uma felicidade que nunca sentiu antes. E embora ambos não tenham mais sonhos românticos adolescentes, ainda há emoções que nunca foram exploradas pelos dois, e na busca de caminhos para se livrarem da solidão, os dois vão descobrir algo bem mais profundo. 

– Eu quero uma companheira – repetiu ele. – Uma amiga. Uma mulher que seja minha amiga. Uma esposa, na verdade. Lamento não poder oferecer um romance grandioso ou uma paixão romântica. Já passei da idade de tais voos de imaginação. Mas, embora eu não a conheça bem, ou a senhorita a mim, acredito que nos daríamos bem. Admiro seu talento para a música e a beleza de alma que isso sugere. Admiro sua modéstia e sua dignidade, bem como sua devoção à irmã. Gosto da sua aparência. Gosto da ideia de olhar para a senhorita todos os dias, pelo resto da minha vida.


Mary Balogh soube perfeitamente usar a expressão “fechar com chave de ouro”, ao concluir essa série que, sem dúvida, conquistou os leitores fãs de romance de época.

Como nos livros anteriores da série, a autora soube explorar muito bem os personagens. A começar por George, um homem que doou tanto de si ao longo da série, enquanto sufocava o próprio sofrimento para aliviar o dos outros. Sem dúvida, um dos melhores personagens criados pela autora, com toda uma gama de sentimentos que o torna vivo aos olhos dos leitores. É um personagem cheio de camadas, bem profundas, com exterior pacífico, mas com uma profundidade de caráter e emoções muito fortes.

Dora, com certeza, foi uma companheira perfeita para ele. Uma personagem que abdicou dos seus sonhos para que os outros pudessem viver melhor sua vida, e que no auge dos seus 39 anos, se arrisca a viver tudo aquilo que acreditou ter perdido junto com a sua juventude. É encantador acompanhar  o despertar de emoções, o temor natural por não ser tão jovem e sentir anseios considerados até juvenis. A concretização de sentimentos que são vivenciados e  a força de caráter fazem dela uma personagem tão forte.

O ponto forte do livro, sem dúvida, foi a narrativa sob a perspectiva de dois personagens maduros. A suavidade dos sentimentos, as dúvidas, os anseios, as descobertas, todas narradas com uma delicadeza intensa. E enquanto nos livros anteriores havia aquela paixão mais explícita nas cenas íntimas entre o casal, aqui temos algo mais sutil, mas que mostra uma paixão intensa nas entrelinhas, o despertar de algo bem mais profundo.

Os pontos de conflito foram muito bem colocados, assim como os personagens secundários e a aparição de personagens dos livros anteriores em momentos certos, dando dinamismo à narrativa, livrando-o de ser uma leitura cansativa.

Sobre a conclusão da série, que se dá nesse sétimo livro, só tenho uma palavra para definir: perfeição. O epílogo foi maravilhoso, do tipo que deixa o coração do leitor quentinho, pois apesar de sabermos que não teremos mais esses personagens em livros futuros, temos uma conclusão sobre eles que nos satisfaz completamente.

Após o fechamento dessa série, só tenho a desejar que novos livros sejam lançados pela autora aqui no Brasil. Lerei todos, com certeza! 
   

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