08 março 2021

[Crítica] Cidade Invisível

“As pessoas são cruéis, Isac. Elas têm medo de tudo que é diferente, porque a gente revela como elas são absurdamente iguais e entediantes.” – Cuca.

Essa série é uma produção do diretor indicado ao oscar, Carlos Saldanha, e desenvolvida pelos roteiristas e autores de best-sellers Raphael Draccon, Mirna Nogueira e Carolina Munhóz. 

Focada na riqueza das lendas do folclore brasileiro, ela contará a história de Eric, um fiscal ambiental que após uma tragédia se vê no meio de uma investigação sobrenatural. Cada vez mais obcecado em descobrir as causas de um incêndio muito conveniente na floresta da Vila Toré — alvo de grande interesse de uma construtora — Eric acaba descobrindo uma conexão  com os mais conhecidos personagens do folclore brasileiro. 

E o mistério não envolve apenas o incêndio, mas a sequência de mortes misteriosas das entidades. Haverá uma ligação? O quê ou quem está causando a morte delas?

Com um olhar mais adulto sobre as lendas, essa é uma série que resgata a magia da nossa cultura. Foi realmente maravilhoso — em um universo onde cultuamos tanto a cultura gringa — uma fantasia que traz o nosso próprio DNA. 

Entre os personagens explorados nessa primeira temporada, estão o Boto cor-de-rosa, a Cuca (que aqui teve uma caracterização bem diferente), o personagem mais popular e travesso, Saci, a Iara, o Curupira, o Tutu Marambá (mais conhecido como Bicho-Papão), e o Corpo-Seco. 

Eventualmente, no decorrer de cada episódio, vamos conhecer um pouco da origem de cada entidade, o que eu achei uma jogada de mestre pois faz com que o expectador se envolva ainda mais com eles e, de novo, eu digo que queria mais. 

Eu só queria que os personagens folclóricos fossem ainda mais aproveitados, e que houvessem muito mais deles, mas eu espero por tudo isso na próxima temporada.

Uma das coisas que mais gostei também, foi que as entidades mantêm suas verdadeiras identidades escondidas, eles são invisíveis ali na sociedade vivendo vidas comuns, isso leva o expectador a tentar adivinhar quem é quem através das pistas e da personalidade de cada um durante os episódios - e confesso que vergonhosamente eu não reconheci o bicho-papão.

A série possui 7 episódios num formato mais curto e você acaba facilmente maratonando sem perceber. 

Preciso deixar registrado aqui, que a cena onde a Iara canta é um dos meus momentos favoritos da série. Eu literalmente fui enfeitiçada por ela. Eu só queria ouvi-la cantar para sempre. 

Como uma amante de fantasia, eu realmente acho que nunca poderia ter o suficiente dessa que foi uma merecida e tão linda homenagem a cultura do nosso país.

Foi uma adaptação incrível e muito bem apresentada. A série já deixou um gancho para a 2º temporada e eu torço para que ela não pare por aí. 








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