09 novembro 2020

[Resenha] O jardim secreto- Fjrances Hodgson Burnett


Uma história encantadora de transformação e empatia. Um clássico da literatura inglesa infantojuvenil adorado há mais de um século por leitores de todas as idades. Ao perder os pais numa epidemia de cólera na Índia, onde nasceu e foi criada, a pequena e mimada Mary Lennox é enviada para viver na lúgubre mansão de seu tio, no coração da Inglaterra rural. Deprimido pela morte da esposa, o tio está sempre viajando, enquanto seu filho Colin, primo de Mary, passa a vida na cama como inválido. Solitária, Mary tenta se divertir vasculhando a propriedade, até que descobre um segredo incrível: o deslumbrante jardim de sua falecida tia, trancado e abandonado.

A descoberta do jardim faz com que Mary conheça Dickon, menino que conversa com os animais e as plantas, e se aproxime do primo, que volta a sair da casa numa cadeira de rodas improvisada. Assim, a amizade das três crianças e o encantamento causado pelo jardim começam a transformar a vida de todos na casa.

Publicado em 1911, O jardim secreto já inspirou diversas adaptações para teatro, TV e cinema.

Livro:  O Jardim Secreto||  Autor: Frances Hodgson Burnett
Ano: 2020||  Editora: Zahar|| Gênero: Infanto juvenil
Tradução: Liliana Negrello e Christian Schwartz||Classificação:   5 estrelas || Resenhista: Karina

Sem nenhuma dúvida, essa leitura tem memória afetiva pra mim, não sei vocês, mas eu nunca perdia a versão cinematográfica quando passava na sessão da tarde. Sim, esse é um dos poucos livros que vi primeiro a adaptação para o cinema, e que agora depois de ler o livro, gosto do filme e do livro igualmente.

Uma das coisas estranhas de viver neste mundo é que só de vez em quando somos capazes de sentir, com toda a certeza, que viveremos para todo o sempre. Isso acontece às vezes, quando acordamos naquela hora suave e solene da madrugada, saímos de casa, ficamos sozinhos, jogamos a cabeça para trás e olhamos lá para cima, para o céu pálido que vai se transformando e ruborescendo lentamente, e vemos coisas maravilhosas começarem a acontecer, até que a luz que surge no leste quase nos faz gritar - e o coração fica em silêncio diante do estranho e imutável esplendor do nascer do sol, que vem acontecendo todas as manhãs há milhares e milhares de anos. Nessa hora temos essa certeza, ainda que apenas por um breve momento.

Mary Lennox é  mimada, e de certo modo até infeliz, sempre teve a companhia apenas das aias, o pai sempre muito ocupado e a mãe com interesse somente em festas e que tem seu pequeno mundo virado de ponta cabeça quando após perder os pais precisa sair da Índia e ir morar com o tio (triste e amargurado) na Inglaterra; já não bastasse ter que mudar de país, a pequena garota vai precisar descobrir um pouco do passado da sua família, numa casa onde a maioria dos adultos tem a missão de ignorá-la.

Já na casa nova Mary tem que aprender a se virar , apesar de ter uma governanta na casa e uma criada para si, as relações entre os empregados são muito diferentes do que Mary estava acostumada na Índia. Como a garota precisa se entreter, ela sai para explorar a propriedade e acaba descobrindo um jardim, e ajudada por um passarinho descobre a entrada desse jardim; da mesma maneira que flores morrem e renascem, algumas histórias desabrocham durante a narrativa e a cada pagina minha memoria me levava as cenas do filme e isso tornou a leitura ainda mais especial.

A figura do tio de Mary, da governanta da casa, dos empregados tem um papel fundamental em criar a atmosfera de um ambiente triste e quebrado mas que tem potencial para ser perfeito, isso nas entrelinhas faz com que a gente torça pela mudança e para que os laços invisíveis se tornem ainda mais fortes. Ainda há espaços para mais crianças na história e cada uma precisa aprender a lidar com o mundo dos adultos de sua própria maneira.



É fato que eu sempre me derreto por qualquer protagonista órfão, esse arquétipo já me ganha logo de cara e aqui não seria diferente; Frances usa aqui o arquétipo do órfão para facilitar a narrativa da garotinha exploradora que vive muitas aventuras, e para um criança que assiste o filme é um prato cheio para se imaginar em uma aventura também e para quem lê o livro sendo criança ou adulto, a construção é envolvente na mesma medida.  

Não tem como não se envolver e se apaixonar por uma história que vai falar sobre família e laços que, mesmo invisíveis, podem nos guiar na autodescoberta, ainda que você seja uma garota pequena e mimada. 

Como a narração é em  terceira pessoa, os cenários são descritos de forma muito talentosa e nos leva a uma imersão perfeita. 

Começou a se perguntar porque nunca tinha tido a sensação de pertencer a alguém, mesmo quando seu pai e sua mãe ainda eram vivos. As outras crianças pareciam pertencer aos seus pais, mas ela nunca tinha sido filha de ninguém.

Quando criança eu achava o jardim ao mesmo tempo assustador e fascinante, uma coisa meio conto de fadas, e agora, como adulta, a natureza ganha um tom de renovação e esperança que talvez só adultos consigam entender, como a importância dos elementos de renovação que a natureza tem em si deixando  lições sutis e muito importantes.

Respirar o ar da charneca e lutar contra o vento havia não só aberto seu apetite e agitado seu sangue, mas também estimulado sua mente.

Essa é uma história que eu quase nunca via edições por aqui, então quando a Zahar lançou uma edição lindinha na coleção dos clássicos de bolso eu não poderia deixar de completar a minha coleção; essa edição ainda conta com um texto de apresentação da vida da autora que deixa mais claro ainda algumas opções de escolha de narração, esse texto nos mostra como a obra e a vida da autora estão intimamente ligadas, e isso é um ótimo bônus.

 

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Um comentário :

  1. Olá,
    Sabe aquele livro que nunca nem lemos a resenha ou sinopse e ainda assim temos a certeza que precisamos ler? Esse é esse livro para mim. Li um relato super breve sobre ele algum tempo atrás, que só me deu a certeza que precisava ler, mas ler sua resenha agora me deixou completamente apaixonada, principalmente por me trazer lembranças da adaptação, que nunca na vida tinha associado ao livro. Adorei saber disso.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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