18 novembro 2020

[Resenha] Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis - Jarid Arraes

 Em nova edição, esta coletânea resgata ― e celebra ― a memória de quinze mulheres negras que marcaram nossa história, em formato de cordel.


Talvez você já tenha ouvido falar de Dandara e Carolina Maria de Jesus. Mas e Eva Maria do Bonsucesso? Luisa Mahin? Na Agontimé? Tia Ciata? Essas (e tantas outras) mulheres negras foram verdadeiras heroínas brasileiras, mas pouco se fala delas, seja na escola ou nos meios de comunicação. Diante desse apagamento, há anos a escritora Jarid Arraes tem se dedicado a recuperar ― e recontar ― suas histórias.

O resultado é uma coleção de cordéis que resgata a memória dessas personagens, que lutaram pela sua liberdade e seus direitos, reivindicaram seu espaço na política e nas artes, levantaram sua voz contra a injustiça e a opressão. A multiplicidade de histórias revela as mais diversas estratégias de sobrevivência e resistência, seja na linha de frente ― como Tereza de Benguela, que liderou o quilombo de Quariterê ― ou pelas brechas ― como a quituteira Luisa Mahin, que transmitia bilhetes secretos durante a Revolta dos Malês.

Este livro reúne quinze dessas histórias impressionantes, ilustradas por Gabriela Pires. Agora, cabe a você conhecê-las, espalhá-las, celebrá-las. Para que as próximas gerações possam crescer com seu próprio panteão de heroínas negras brasileiras.

Conheça a história de: Antonieta de Barros - Aqualtune - Carolina Maria de Jesus - Dandara - Esperança Garcia - Eva Maria do Bonsucesso - Laudelina de Campos - Luisa Mahin - Maria Felipa - Maria Firmina - Mariana Crioula - Na Agontimé - Tereza de Benguela - Tia Ciata - Zacimba Gaba


Livro: Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis|| Autor: Jarid Arraes
Ano: 2020||  Editora: Seguinte|| Gênero: Lit. Brasileira, Cordel
Classificação:   5 estrelas || Resenhista:  Lud

Quando vi esse livro, fiquei extremamente curiosa para saber como é um cordel. Claro que já vi na tv o Bráulio declamando cordéis, mas não sabia como seria ler um livro nesse formato, se seria difícil como os poemas de antigamente, ou mais como os de hoje em dia, onde todos estão se apaixonando. E foi assim, que esse livro caiu nas minhas mãos.

Primeiro vamos ao que é um cordel : "Literatura de cordel também conhecida no Brasil como folheto, literatura popular em verso, ou simplesmente cordel, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos."


Nesse livro, a Jarid nos apresenta histórias de 15 heroínas negras brasileiras, algumas você deve ter ouvido falar e outras, não são tão mencionadas como deveria. 

O formato do livro é muito interessante, já que ele mistura ilustrações das heroínas com os cordéis, e também uma página com um trecho sobre aquela personalidade. Dai você me pergunta, então repete?

Ai é que está a mágica, é como se você visse a construção de um cordel. A partir daquele trecho de informação, a Jarid constrói o cordel. Então você vê as palavras tomando forma de rima e consegue presenciar o talento da autora. 


E para quem se pergunta se é difícil a leitura, não é. Pelo contrário, é uma leitura tão tranquila e leve, e mesmo que o assunto seja de extrema importância, você sente uma calma no coração. Não sei explicar exatamente, mas foi uma leitura diferente para mim. E espero que vocês tenham essa experiência também. 

Não vou nem comentar sobre a importância de conhecer essas mulheres de que uma forma ou outra mudaram a história e foram duramente criticadas por fazerem isso, e mesmo hoje, não são são lembradas e celebradas como deveriam. Sempre bom ampliar nosso conhecimento e começar a conhecer e valorizar mais a nossa história. 

Se observarmos com um pouquinho de atenção os momentos que temos vivido além de constatar o óbvio de que é extremamente cansativo viver ao vivo grandes acontecimentos históricos vamos entender o porque esse tipo de livro acalenta o coração; o ser humano tem uma espécie de mecanismo de auto proteção que em momentos de insegurança nos aproximamos do que é conhecido, então quando a literatura que mostra nossas raízes é essencial, não só em termos de representatividade, mas em exemplos práticos de como mulheres são incríveis e já conquistaram tanto.

As heroínas representadas aqui são : Antonieta de Barros; Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria  do Bonsucesso, Laudelina de Campos Melo, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmaina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata, Zacimba Gaba. 

Vou colocar um trecho para vocês verem a construção :

Espero que vocês consigam ler um vez na vida um livro de cordel porque é muito gratificante e o sentimento ao final é de puro amor. 

Sem contar que essa capa é tão linda que merece um momentinho de apreciação, que já é fácil querer sair da zona de conforto e conhecer novos tipos de narrativa .Aqui no ELB estamos sempre dando pitaco uma na leitura da outra e quando a Lud me disse que iria ler, eu (Karina) pensei: ME EMPRESTA, e assim que ela terminou trocamos poucas palavras sobre o conteúdo rs porque eu não quero spoiler, mas cheguei a conclusão que alguns livros nos ganham antes mesmo de termos uma noção completa do conteúdo. 

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