24 outubro 2020

[Resenha] Não basta não ser racista: Sejamos antirracistas - Robin Diangelo


 
É hora de todos os brancos abandonarem a ideia de superioridade e, de fato, atuarem no combate ao racismo. Negação, silêncio, raiva, medo, culpa... essas são algumas das reações mais comuns quando se diz a uma pessoa que agiu, geralmente sem intenção, de modo racista. Ser abertamente racista não é algo socialmente aceitável. Ninguém quer ser visto assim. Mas cada vez que se nega o racismo, impedimos que ele seja abordado e que nossos preconceitos sejam discutidos. As reações de negação não servem apenas para silenciar quem sofre o preconceito, também escondem um sentimento que a autora Robin Diangelo passou a chamar de fragilidade branca. Em seus estudos, Diangelo catalogou frases, palavras e sentimentos de voluntários que se veem sem qualquer preconceito e demonstrou que, no fundo, ele estava lá. Sua proposta é que todos comecem a ouvir melhor, estabeleçam conversas mais honestas e reajam a críticas com educação e tentando se colocar no lugar do outro. Não basta apenas sustentar visões liberais ou condenar os racistas nas redes sociais. A mudança começa conosco. A AUTORA: ROBIN DIANGELO é professora universitária, autora e consultora em questões de justiça racial e social há mais de vinte anos. Não basta não ser racista ― Sejamos antirracistas ocupa as primeiras posições das listas de livros mais vendidos do mundo desde seu lançamento.


Livro:  Não basta não ser racistas : Sejamos antirracistas || Autora:  Robin Diangelo 
Tradutor: Marcos Marcionilo||Editora:Faro Editorial
Ano: 2020 || Assunto: Racismo, relações raciais , Não ficção
 Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Karina

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Há uma pequena linha na folha de rosto que já nos dá o tom antes mesmo de começarmos o livro: "A fragilidade branca" é "subtítulo" na edição em Português e é também parte do título original em inglês (White FragilityWhy it ‘s So Hard for White People to Talk About Racism , que em uma tradução livre seria: Fragilidade branca, porque é tão difícil para pessoas brancas falarem sobre racismo.). 

Antes de conversarmos sobre o conteúdo do livro, queria só apontar que apesar de entender as escolhas de tradução e de marketing para a venda do livro, eu acredito que a tradução literal do título fizesse mais jus ao conteúdo. E  já começando a resenha desse livro com a  minha opinião pessoal, é exatamente sobre isso que irei falar: o quanto da fragilidade molda reações de ódio? 

Eu, particularmente, acredito que aprendemos muito mais quando estamos fora da nossa zona de conforto, e se existe algo que pode nos tirar da nossa zona de conforto é esse livro, porque por mais que eu sempre leia e discuta o assunto, que busque outras visões, me vi em situações em que eu não enxergava o racismo disfarçado.

A chave para avançar é o que fazemos com nosso desconforto. (...) Como essa lente muda meu entendimento da dinâmica racial? Como meu incômodo ajuda a revelar as afirmativas automáticas que venho repetindo? É possível que, pelo fato de eu ser branco, haja algumas dinâmicas raciais que não consigo ver?

Se você não está acostumado a discutir esse tipo de assunto, esse é um livro perfeito, pois a autora disseca com ótimos exemplos onde enxergar a questão, aponta a necessidade de dar lugar à fala e de não deixar de lutar para que o assunto seja cada vez mais discutido. 

Não é possível negar a existência de racismo, seja no Brasil ou nos Estados Unidos, basta olhar as estatísticas, sejam elas sobre a violência ou sobre a ocupação de ambientes de prestígio... essa é a camada mais rasa de qualquer pessoa que não quer admitir os privilégios que tem.

Temos de continuar nos perguntando como nosso racismo se manifesta, não se ele se manifesta.

Dá trabalho, é incômodo, e esse não é um assunto que poderemos dizer: já aprendi tudo o que podia. Porém ajuda se pensarmos da perspectiva de que o trabalho feito em conjunto é um trabalho feito mais rápido, ou se é incômodo pra mim, pensar sobre o que gera a enraização da discriminação, imagina como é para quem vive situações discriminatórias todos os dias.

Após a leitura do livro, passei a prestar mais atenção em algumas coisas, como: é tênue a diferença  terminológica entre racismo e discriminação. Embora estejam correlacionadas, precisam ser tratadas de formas diferentes e com abordagens diferentes. Além disso, a autora aponta como não estamos preparados para identificar, dentro dos nosso privilégio como brancos, uma noção sobre a construção da identidade racial, a percepção de raça entre outros, mas o livro não traz apenas apontamentos de nossas falhas, identificá-las é importante, sim, mas mais do que isso, aponta a discussão do assunto como uma saída para resolver os problemas enraizados.

Não basta apenas sustentar visões liberais ou condenar os racistas nas redes sociais. A mudança começa conosco.É hora de todos os brancos assumirem sua parte nesse processo e abandonarem a ideia de superioridade.

Todo o movimento que vimos nas redes sociais como o #Blacklivesmatters ou o #Blacktuesday são excelentes pontapés para a discussão, mas não podemos deixar que isso fique apenas na internet. O que faremos fora das redes? 

Esse tipo de leitura deveria ser recorrente nas nossas metas literárias, nas nossas redes de conversa; o livro nos traz diversas situações para que aprendamos a observar e parar de reproduzir certos comportamentos, mas um jeito mais efetivo é tirar os exemplos das páginas e começar a pôr em prática em reais situações que podem mudar um futuro próximo. Um ótimo começo seria prestar muita atenção nas nossas decisões perante épocas eleitorais, por exemplo.

Sinta-se à vontade para usar o blog como um espaço seguro para compartilhar suas experiências e para que possamos debater assuntos que agreguem pontos de vista construtivos.

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Um comentário :

  1. Olá,
    Que resenha mais incrível. Estou louca para ler esse livro e sei que como você, por mais que sempre tente estar me medindo e atualizando sobre o assunto, nunca é suficiente, sempre temos o que aprender.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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