01 setembro 2020

[RESENHA] Um Beijo e nada Mais - Clube dos Sobreviventes 06 - Mary Balogh


 

Desde que testemunhou a morte do marido durante as Guerras Napoleônicas, Imogen, lady Barclay, se isolou em Hardford Hall, na Cornualha. O novo dono da propriedade ainda não apareceu para reivindicá-la, e ela torce desesperadamente para que ele nunca venha acabar com sua frágil paz.
Percival Hayes, o novo conde de Hardford, não tem nenhum interesse na região distante da Cornualha, tanto que, desde que recebeu o título, nunca quis conhecer o lugar. Mas em seu aniversário de 30 anos ele está tão entediado que decide impulsivamente fazer uma visita às suas terras.
Ao chegar lá, fica chocado ao descobrir que Hardford não é o monte de ruínas que imaginou. Fica perplexo também ao constatar que a viúva do filho de seu predecessor é a mulher mais linda que já viu.
Em pouco tempo, Imogen desperta em Percy uma paixão que ele jamais pensou ser capaz de sentir. Mas será que ele conseguirá resgatá-la da infelicidade e convencê-la a voltar à vida?


   Livro: Um Beijo e Nada Mais || Série: Clube dos Sobreviventes # 6 ||Autor: Mary Balogh

Ano: 2020||  Editora: Arqueiro|| Gênero: Romance de época/Ficção

Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Luci
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Percival Hayes é o que as pessoas podem chamar de alguém que teve sucesso na vida; uma verdadeira pessoa de sorte. Vindo de uma família abastada, nunca soube o que era nenhum tipo de dificuldade. E ainda tem a inteligência e a perspicácia necessária para fazer com que os negócios da família continuem prósperos. Cheio de amizades sinceras, parentes dedicados, pais amorosos, e até herdou um título, é o novo conde de Hardford.

Mas então, por que em seu aniversário de trinta anos sente um grande e inexplicável vazio? Sem explicações para o que falta na vida de um homem que aparentemente tem tudo, ele se deixa conduzir pelos impulsos corajosos que o álcool lhe proporcionou e parte para a Cornualha, visitar as terras que herdou com o título, em busca de algum desafio que pudesse aplacar o inquietante vazio que sente dentro de si.

O que Percy não esperava encontrar, óbvio, era uma casa habitada por uma prima cujo grau de parentesco era muito, muito distante, sua acompanhante tão velha quanto ela (só que mais ranzinza), sua casa cheia de animais que foram vítimas de abandono e a viúva do antigo herdeiro do título, Imogen, a  lady Barclay, que à primeira vista, devido à sua postura fria e distante, ele denomina como uma beleza de mármore.

Imogen passou por um longo processo de luto, mas apesar da aparência impassível, ainda luta diariamente para aceitar o que houve com o marido, então sua vida diária é uma sucessão de afazeres que esconde uma verdade que ela guarda só para si: não se sente digna de continuar a viver, assim toma as tarefas diárias como uma forma apenas de sobreviver diariamente, mas não se permite desfrutar nem apreciar nada.

Quando o novo conde de Hardford finalmente chega à propriedade, logo ela decide se manter distante dele, julgando-o uma pessoa frívola que não conhece as mágoas ou dores que a vida pode trazer. Mas o problema maior é quando Percy decide se inserir cada dia mais em sua vida, sondando seu passado e questionando suas decisões do presente, de forma a desvendá-la e conhecer os seus mais profundos segredos. E ainda desejar voltar a sentir coisas que há muito tempo se nega a sentir, desejando-as cada vez mais com intensidade.

Percy, de fato, quer conhecer mais a mulher que, quando dar um raro sorriso, deixa-o entrever o seu calor por baixo de uma aparência fria. E quanto mais a faz se revelar, ele se redescobre e tem coragem de lutar para assumir sua verdadeira essência, em um processo que o faz descobrir a paixão verdadeira por uma mulher e torcer para que Imogen volte a ter coragem para se entregar a ele, renunciando aos seus medos que  impedem de amar novamente.




Eu não caso de repetir que, a cada livro dessa série, Mary Balogh se revela o tipo de escritora que explora os sentimentos dos seus personagens, para tocar fundo nos de seus leitores.

Sempre senti curiosidade pela Imogen, a única mulher em um grupo de sete pessoas marcadas pelo sofrimento que a guerra traz. Imaginei mil coisas, mas o segredo dela se revelou, de fato, algo bem mais denso, então foi fácil ver como sua vida foi realmente marcada. O romance somente peca em não ter explorado mais seus sentimentos no final da trama, que foi um pouco corrido, do tipo que deixa o leitor elaborando tudo em sua mente.

Mas o outro fator surpreendente para mim, no romance, foi Percy. Um personagem que começou raso, esnobe, mas que a cada capítulo mostrou uma profundidade surpreendente. A autora construiu um par à altura de Imogen, no sentido de compreender o sofrimento e respeitá-lo, de mostrar a necessidade de passar pela vida tendo a realmente vivido, de saber o que é solidão, mesmo com várias pessoas ao redor e de dar apoio a enfrentar os medos, enquanto busca contornar os próprios.

Os diálogos foram um deleite à parte, cheios de reflexões e tiradas bem inteligentes. A narrativa também não deixou a desejar, principalmente com o acréscimo de uma pitada de mistério que incrementou a trama. E não posso deixar de ressaltar os personagens secundários, que movimentaram muito bem a história, tornando-a mais fluida e dinâmica.

Faltando somente um livro para a conclusão dessa série, não poderia deixar de tecer mais elogias à autora, por saber nos prender com personagens tão cativantes e nos fazer aguardar tão ansiosamente por mais.


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Um comentário :

  1. Lucilene!
    Nossa! Deve ter sido um dos melhores livros da série e preciso ler com urgência, fiquei bem curiosa para saber o segredo de Imogen e a evolução de Percy, sem contar com os diálogos.
    cheirinhos
    Rudy

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