13 agosto 2020

[Resenha] Eleanor & Park - Rainbow Rowell


Eleanor é nova na cidade. Com roupas inusitadas, cachos ruivos indomáveis e uma família problemática, ela sente que nunca vai conseguir se encaixar.Park senta sozinho no ônibus da escola. Sempre de camiseta preta, fones de ouvido e a cabeça enfiada num livro, acha que consegue passar despercebido.
Mas não para Eleanor.
Aos poucos, entre fitas cassetes gravadas, pilhas de histórias em quadrinhos e conversas até tarde da noite, Eleanor e Park se apaixonam.
Narrada durante o ano letivo de 1986, essa é a história de dois jovens de dezesseis anos que, mesmo sabendo que o primeiro amor quase nunca é para sempre, têm coragem e esperança suficientes para tentar. 





                                        
Livro: Eleanor & Park || Autor: Rainbow Rowell
Ano: 2020||  Editora: Seguinte|| Gênero: Romance, YA
Tradução: ||Classificação:   3 estrelas || Resenhista:  Sheila

Talvez você já tenha visto esse livro por aí, e está se perguntando porque está como lançamento e porque voltou a estar em alta. O motivo, é que Eleanor e Park é um relançamento da editora Seguinte, que adquiriu todos os livros da autora e estará relançando os livros já publicados pela novo século. Então, aguarde mais livros da autora até o final do ano.  

Nesse livro vamos conhecer a história da Eleanor, que acabou de se mudar para a cidade, portanto não tem nenhum amigo, e precisará enfrentar a escola sozinha. Um dia, ao pegar o ônibus escolar, Eleanor se senta ao lado de Park, depois de ninguém ter permitido que ela sentasse nos outros bancos e ter sofrido bullying mais uma vez. De imediato, Eleanor se interessa pelos muitos gibis que Park lê e o garoto, percebendo o seu interesse, passa a ler cada página mais devagar para que Eleanor consiga acompanhar. 

O dia de Eleanor é tão pesado e aflitivo que esses momentos no ônibus se tornam a melhor parte de seu dia. Park começa a dividir um pouco de seus gostos com Eleanor, e a partir de um conversa meio truncada eles percebem, que muitas vezes, possuem os mesmos pensamentos, e é assim que eles vão construindo uma amizade que evolui para algo mais. 

"Ela era como arte, e arte não foi feita pra ser bonita, mas pra fazer você sentir algo."

Eleanor e Park não é um livro que conta uma história de escola adolescente à la Netflix, não é fofinho e meloso, mas podemos tentar fazer um paralelo com Sierra Burguer is a loser, já que ambas tem um biotipo parecido e alguns questionamentos em comum. Mas, as semelhanças acabam aí, porque as famílias são totalmente diferentes. 

Eleonor não tem uma casa estável, com um pai simpático, ela tem uma mãe submissa e que sofre assédio de um padrasto com problemas de alcoolismo e agressividade; uma casa aonde tem irmãos menores carentes de atenção e aonde a pobreza e também o descaso parental se faz notar pela falta de  escovas de dentes. 

A casa de Park é diferente, possui um nível de classe média, mas traz um desafio interracial, a mãe de Park é de origem oriental e ele possui um irmão que nasceu com o fenótipo do pai que é americano, loiro branco e atlético.  O filho mais velho também se assemelha em realizações atléticas e as comparações e expectativas entre ambos os filhos são usuais.

Park não é o mocinho usual de livros, desses que assume um romance e vai até o fim, ele tem medo de ser associado a Eleanor e ser ridicularizado junto com ela e assim, vive sua própria batalha interior, fora o fato dos questionamentos sobre a sua etnia. E aqui devemos abrir um grande parenteses, e mencionar que em algumas partes da escrita, a autora enfatiza toda hora a caracterização coreana, o que é meio estranha e chega a ser cansativa. Vi algumas resenhas criticando esse aspecto do livro, que a parte do Park é racista, inclusive vi relatos de blogs que leram quando lançou em 2013 e amaram, e agora relendo, veem as coisas sob um ponto de vista bem diferente. Particularmente, eu compreendo isso, pois com o tempo, vamos nos tornando pessoas mais criticas, e aprendendo a ver determinados assuntos com outros olhos, e se você pegar um livro de dez anos atrás, você poderá achar que ele não funciona mais nos dias atuais.  

Mas, apesar de todo esse problema com a caracterização e desenvolvimento do Park, e comportamentos extremamente estereotipados á cerca da cultura coreana, o livro se destaca em relação a Eleanor, e a forma como seus questionamentos são abordados. E também não tem como negar que o romance consegue te prender de jeito e conquistar muitas pessoas. 

O livro é real, cru e natural em muitas partes, sendo assim, ele apresenta situações reais, e não romanceadas, aonde Eleanor também não se acha bonita nem atrativa para que Park se interesse por ela para além de uma simples amizade. Esses questionamentos típicos da adolescência são tratados sem aquele glamour de novelas e os pensamentos dos personagens e suas emoções são bem factíveis, o que realmente nos toca durante a leitura.

O foco do livro é a superação que ocorre através de uma amizade, e que também nos mostra que se superar e querer uma vida melhor, depende de nós mesmos, e que isso costuma ser uma luta interna, aonde as etapas vão sendo vencidas no interior para que só então, possam ser percebidas no exterior.

Um detalhe interessante é que o livro é ambientado em 1986 e traz uma riqueza de cultura pop dos anos 80, Park, por exemplo, grava fitas que Eleanor tem que ouvir em um walkman.

Eleanor e Park é um livro ótimo para aprendermos mais sobre o interior de cada um a nossa volta,  e um livro que também nos ajuda a  perceber que cada um de nós vive uma luta diferente, e que deve ser respeitada.

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3 comentários :

  1. Sheila!
    Bom ver que as personagens amadurecem.
    Trata de assuntos bem importantes e que poderiam ser mais bem desenvolvidos e com menos preconceito.
    Delícia poder ler um livro onde os protagonista tem uma sintonia e se ajudam a superar seus medos, frustrações e criar novas expectativas de vida.
    Não li ainda nenhum livro da autora, porém só leio elogios sobre ela e suas personagens bem construídas e sempre com a mensagem de fé, isso é importante.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Olá! Amo esse livro, gostei muito dessa capa amarela, história linda super emocionante que faz a gente refletir sobre muitas coisas. Bjs

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  3. Amo histórias sobre primeiro amor, é muito legal e acaba nos trazendo boas recordações. Ja li várias resenhas desse livro e gosto bastante, so falta ler o livro mesmo.

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