10 janeiro 2021

[Resenha] 1984 - George Orwell


Romance incontornável, 1984 continua sendo o livro ao qual nos voltamos sempre que se mutila a verdade, distorce-se a linguagem e viola-se o poder. Nesta nova edição, a obra-prima de George Orwell ganha projeto gráfico especialíssimo -- com capa em tecido, lombada impressa e uma série de obras da artista brasileira Regina Silveira. O leitor conta também com apresentação do crítico Marcelo Pen e textos de gigantes como Golo Mann, Irving Howe, Raymond Williams, Thomas Pynchon, Homi K. Bhabha, Martha C. Nussbaum, Bernard Crick e George Packer -- ensaios que dão conta da história da recepção crítica do livro desde o ano de seu lançamento, 1949, até hoje, setenta anos depois. Com dezenas de milhões de cópias vendidas em todo o mundo, o romance de Orwell tem como herói o angustiado Winston Smith, refém de um mundo feito de opressão absoluta. Em Oceânia, ter uma mente livre é considerado crime gravíssimo. Numa trama em que os "fatos alternativos" estão por toda parte e a mentira foi institucionalizada, Winston se rebela contra a sociedade totalitária na qual vive; em seu anseio por verdade e liberdade, ele arrisca a vida ao se envolver amorosamente com uma colega de trabalho, Júlia, e com uma organização revolucionária secreta. Normalmente lido como uma distopia, 1984 é também uma sátira, uma profecia, um grito de alerta, um thriller de espionagem, uma extraordinária ficção científica, um terror psicológico, um romance pós-moderno e uma história de amor.

Livro:  1984||  Autor: George Orwell
Ano: 2019||  Editora: Companhia das Letras|| Gênero: Distopia
Tradução: Alexandre Hubner e Heloisa Jahn||Classificação:   5 estrelas || Resenhista: Karina

Essa é uma leitura que vai além do enredo, é uma história sobre uma geração; sobre o que esperar ou não do futuro.

Nessa jornada que abrange 1984, o mundo está dividido em 3 grandes continentes e a história é contada  situando o leitor na Oceania (mas não a que a gente conhece). Winston, nosso protagonista, está inserido nesse continente e mora em Londres; uma Londres cinzenta e industrial comandada pelo Grande irmão.

 A sociedade a que somos expostos é uma onde não há mobilidade entre as classes e onde o Winston está no meio da hierarquia.

Nessa sociedade não há liberdade, todos são controlados por câmeras e por uma tela na qual você assisti propagandas do governo e o governo assisti e controla suas ações e emoções. Se você discorda das diretrizes do Governo você desaparece, e Winston trabalha no ministério chamado de Ministério da Verdade e a função dele é editar as reportagens que contém propaganda contraria ao governo.

 Dentro de um governo autoritário obviamente há rebeldes, e o caminho de Winston muda justamente quando ele se apaixona pela Julia, uma rebelde. Obviamente que com esse enredo temos infinitas possibilidades de tudo dar errado, mas para saber o exato desfecho do Winston e da Julia só lendo mesmo.

 *Quero deixar aqui o aviso de gatilho caso você tenha problemas com tortura física e psicológica, se você quer uma história levinha deixa esse livro um pouco mais na estante.

"Sou boa em identificar pessoas que não se ajustam, assim que o vi, soube que você estava contra eles."



 "Quanto à consciência das massas, só necessário influenciá-la de modo negativo."

 Há leituras que são feitas apenas por puro entretenimento e há algumas leituras que usam esse entretenimento para nos fazer pensar fora da caixinha ou questionar o porquê vivemos na caixinha. Esse é um desses livros.

 A estrutura da narrativa aqui se divide em três partes onde a primeira explica a sociedade, a segunda explica o personagem como individuo versos sociedade e a terceira parte, expõe a verdadeira crítica social; a sociedade a que somos expostos é uma onde não há mobilidade entre as classes e onde o Winston está no meio da hierarquia.

Mesmo o livro ter sido escrito em 1949, a sensação de desespero e atualidade é como se tudo tivesse sido escrito ontem;  toda a tecnologia que é descrita no livro e que parece uma mera ficção talvez soe mais real se pensarmos na mesma tecnologia com o nome de redes sociais rs. Esse é um livro que vai trabalhar a questionabilidade da verdade, que mexe com a noção de que mais importante que a absoluta informação que traz a verdade, é a fonte responsável pela informação. 

Eu terminei essa leitura chocada e com vários questionamentos: Até onde você tem consciência do papel que você desempenha nessa guerra invisível de manipulação? Quantos dos seus dados você cede de própria vontade e o quanto isso te  manipula?

Eu li a edição comemorativa da Cia das letras lançada no ano passado, que traz textos de apoio com críticas especializadas de partes do livro, que podemos deixar passar quando estamos envolvidos nas histórias dos personagens. Mas assim que li os textos, eu quis voltar para a história e ler novamente aquela parte com mais atenção.

No fim, esse é um livro que mudou alguns dos meus pontos de vista e que vai ser relido com toda certeza de tempos em tempos.

"O pensamento-crime não acarreta a morte: o pensamento-crime É a morte."

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