08 maio 2020

[Resenha]O Voluntário de Auschwitz - Jack Fairweather




Em setembro de 1940, Witold Pilecki, um combatente da Resistência polonesa, se ofereceu para uma missão audaciosa: assumir uma identidade falsa, ser intencionalmente capturado e enviado a um campo de concentração e executar um ataque lá de dentro. Nos dois anos seguintes, Pilecki forjou um exército clandestino dentro de Auschwitz, que sabotou instalações, assassinou informantes e oficiais nazistas e reuniu evidências de abusos terríveis e assassinatos em massa. Apesar da tarefa árdua e necessária, ele foi completamente apagado do registro histórico pelo governo comunista polonês do pós-guerra, permanecendo quase desconhecido para o mundo. Agora, Jack Fairweather, que teve acesso exclusivo a diários escondidos, depoimentos de familiares e arquivos recentemente liberados, oferece um retrato inflexível de sobrevivência, vingança e traição em um dos momentos mais sombrios da história da humanidade.


Livro: O Voluntário de Auschwitz || AutorJack Fairweather
Editora: Universo dos Livros || Classificação: 5 estrelas || Resenhistas: Sheila
 Ano: 2019 || Gênero:  Segunda Guerra /Política

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O primeiro fato que temos que ter em conta ao ler esse livro é de que ele não é um romance, ficção ou distopia, ele é um relatório histórico e muito preciso, recheado de bibliografias que o apoiam e que conta o comecinho do campo de Auschwitz até o campo totalmente desenvolvido, já mostrado em diversos filmes, como a Lista de Schindler, com todos os seus horrores.

O livro atua com uma cronologia de tempo impecável, baseado em muita pesquisa, de como o campo começou e de como ali foi de fato desenvolvido as câmaras de gás, passando por diversos protótipos testados além da criação do segundo campo: Birkenau.

O livro apresenta a visão política e guerrilheira do momento histórico forjado nesse período na Polônia onde Witold Pilecki, um combatente da Resistência polonesa, recebe a missão de se infiltrar no campo nazista de Auschwitz. Outras pessoas teriam declinado a missão, mas ele, muito crente de seus ideais políticos se voluntaria, recebe um novo nome e consegue ser preso e levado ao campo.

A missão de Witold é relatar o que se passa no campo e se inflige a Convenção de Haia de 1907, que salvaguarda os direitos de prisioneiros de guerra. O que o insurgente não esperava era encontrar a forma degradante com as quais seus compatriotas poloneses, judeus e soviéticos eram tratados.

A descrição dos fatos se dá extensivamente sobre o povo polonês, o que é compreensível ,pois em Auschwitz os barracões dos presos são divididos por etnias, e embora o partido polonês da época apoiasse uma Polônia católica livre de judeus, para Witold, todo e qualquer cidadão que lutasse pela Polônia deveria ser considerado um compatriota. Esse fato fez com que Witold Pilecki fosse apagado por anos da história, por ser considerado um polonês comunista, sendo assim seus relatos discriminados, como se  apesar dos esforços que fez, não só se infiltrando em Auschwitz, relatando as condições e recebendo a  missão de montar uma  célula de resistência dentro do campo, até após a sua fuga e sua reapresentação assumindo como franco atirador no exército da resistência polonesa, a sua compaixão e sua aceitação de uma Polônia mista de povos diminuísse a história desse ser humano corajoso e muito notável.




O livro retrata os horrores das enfermarias, o dia a dia dos presos, os diversos tipos de trabalhos forçados, a perda da humanidade de muitos homens e a degradação do ser humano em vista da sobrevivência. Isso tudo é muito relevante, mas diferente de outros livros que focam nas tragédias humanas, como por exemplo: Dachau Testemunho de um Sobrevivente de Nerin E. Gun,  em o Voluntário de Auschwitz, o que conta são realmente os fatos e as engrenagens políticas.

 

Os relatórios tinham o dever crucial de informar os países aliados das atrocidades cometidas e pedia o apoio contra os alemães, o que significa que todo os mistérios que os nazistas faziam a respeito desses campos de concentração tinham que ser expostos para a ONU e as nações Aliadas, para que os países se decidissem de fato a entrar na guerra contra a Alemanha.

A politicagem corre solta e nos dá tanto nojo quanto os relatos de campo, de como homens do alto escalão dos governos inglês e francês se esquivam de tomarem decisões mais firmes. Um mundo de provas teve que ser unida aos relatórios de Witold, para que as pessoas realmente acreditassem que os campos de concentrações e suas mazelas realmente existissem.

Um dos trechos mais impactantes  que descreve o caráter dos seres humanos, sejam eles guardas, comandantes, médicos, enfermeiros, presos, familiares ou políticos quando posto à prova em situações extremas  que li no livro foi:
“Alguns deslizaram para um pântano moral”, escreveu Witold... “Outros lapidaram em si mesmos um caráter do mais fino cristal”.

Com esse trecho, recomendo a leitura para os amantes reais de história com um enfoque na segunda Guerra Mundial, e peço a reflexão sobre os impactos que todos nós sofremos com governos e desgovernos autoritaristas, revestidos com o manto da fé e bons costumes.

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2 comentários :

  1. Sheila!
    Já li muitos livros sobre nazismo e sobre essa época, porém a maioria é ficção.
    Acho importantes livros que trazem a realidade daquela época, baseadas em pesquisa e relatos de quem a viveu, trazendo o que de fato aconteceu, todo horror e toda maldade que cometeram.
    Deve ser um livro excepcional.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Olá! Gosto muito de leituras que contam histórias reais, em especial as ambientadas na época da segundo guerra, essa resenha me deixou bastante interessada em conferi isso tudo que foi dito aqui.
    Bjs

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