04 março 2020

[Review] Bring Me Their Hearts - Sara Wolf


Zera é uma Sem Coração - uma soldado imortal vinculada a uma bruxa. Vinculado à bruxa Nightsinger, Zera anseia pela liberdade dos bosques em que se esconde. Com seu coração em uma jarra sob o controle de Nightsinger, ela serve a bruxa inquestionavelmente.
Até que Nightsinger pede a Zera o coração de um príncipe em troca do seu próprio, com um adendo: se ele descobrir que ela está se infiltrando na corte, Nightsinger destruirá o coração de Zera em vez de vê-la torturada pelos nobres que odeiam bruxas.
O príncipe herdeiro Lucien d'Malvane odeia a corte real tanto quanto ela o ama - todo tutor tem muito medo de corrigi-lo e toda garota disputa um lugar ao seu lado. Ninguém pode desafiá-lo até a chegada de Lady Zera. Ela é deselegante, de respostas inteligentes, despreocupada. A honra do príncipe fez com que ele mirasse seu pescoço.
Então começa um jogo de gato e rato entre uma garota sem nada a perder e um garoto que tem tudo.
O vencedor leva o coração do perdedor.
Literalmente. (TRADUÇÃO NÃO OFICIAL)

    Livro: Bring Me Their Hearts|| Série:  Bring Me Their Hearts#01 || Autor:  Sara Wolf
Editora: Entangled: Teen|Ano: 2018 || Assunto:  Fantasia
 Classificação:  3 estrelas || Resenhista: Daina
Após a chamada Guerra Sem Sol - onde milhares de bruxas foram assassinadas - as bruxas sobreviventes passaram a viver em bosques ou cavernas.  Isoladas nos lugares mais escuros e distantes dos humanos, as bruxas são acompanhadas pelos Sem-Coração, que na guerra foram seus soldados, e agora,  são como uma espécie de guarda-costas das bruxas.

Nos dias atuais, eles apenas as protegem dos humanos, afugentando quando necessário, alguma humano intrometido que insiste em entrar na floresta. E Zera é uma sem-coração, transformada pela bruxa, Nightsinger, que mantém o seu coração - literalmente - dentro de uma jarra. 

Depois de serem massacradas na guerra, as bruxas começam a ficar inquietas com alguns acontecimentos, e começam a suspeitar que os humanos estão procurando uma forma de retomarem a guerra e assim eliminar todas as bruxas.

A fim de evitarem essa futura guerra com os humanos, as bruxas elaboram um plano para que Zera se torne noiva do príncipe Lucien — único herdeiro do rei — com o objetivo de torná-lo um sem-coração, pois é somente dessa forma, que ele poderia facilmente ser manipulado pelas bruxas. Zera aceita a missão após Nightsinger lhe prometer devolver o seu coração e o de Crav e Peligli i- seus dois companheiros - caso ela tenha êxito em reclamar o coração do príncipe, porque não há mesmo nada que Zera mais queira, do que ser humana outra vez.

“— Memórias são coisas perigosas, — murmuro.
“— Elas te mantém prisioneiro às vezes, — ele concorda. — Mas apenas tê-las, poder lembrá-las, revisitá-las, viver nelas quando a vida fica muito difícil – acho que vale a pena...”


Zera é uma personagem intensamente espirituosa, mas está cansada de se sentir vazia e imperfeita, e tudo o que ela mais quer é ter o seu coração de volta. 
Zera também é uma ladra, atrás de qualquer coisa bonita que a faça se sentir humana, já que todas as lembranças de um sem-coração desaparecem quando seu coração é arrancado do peito. No entanto, a coisa mais bonita sobre essa personagem — falando em uma metáfora — é que apesar de não ter um coração, Zera é talvez mais humana do que os próprios humanos que o possuem. 

Lucien é um jovem príncipe, honrado, corajoso e cheio de ideais. Ele também odeia a nobreza e a forma como seu reino está dividido. 
Ao longo da história, Zera vai percebendo que Lucien é apenas um garoto, com um coração de luto e tão perdido quanto ela, e tomar o coração dele acaba se tornando uma tarefa mais difícil do que ela pensava.

E falando sobre o romance desses dois, essa foi a parte que me deixou bastante frustrada. Pela sinopse, eu esperava um romance daqueles, mas acabei ficando presa tempo demais em conspirações políticas e aulas de etiqueta. Até o casal ter algum tipo de interação, você já leu mais de 50% do livro. Quando isso finalmente acontece, é divertido sim, ver o diálogo dos dois, cheios de farpas e ironias, mas a autora poderia ter se aprofundado um pouco mais na construção dos dois como um casal. Achei que essa parte ficou exageradamente sutil e infantil, mas vamos ver no próximo livro. 

Ignorando completamente essa parte, eu gostei bastante dos personagens secundários, principalmente de Lady Y’shennria, uma nobre de máscara fria e humor sombrio que se passa por tia de Zera. As duas possuem gênios diferentes, mas acabam por se ajustarem em uma relação quase maternal. 

Fione também merece destaque, uma personagem subestimada, que sofre com o preconceito por sua deficiência física, mas que não a impede de ser uma mulher inteligente e bastante astuta, responsável por descobrir as muitas maquinações dos mais nobres da corte.

A construção do mundo mágico aqui é muito interessante. Devido a um feitiço de uma bruxa que deu errado, alguns animais selvagens se tornaram sencientes. Existem diferentes raças nesse mundo - e cada uma é mais curiosa do que a outra: há os Célebres que se parecem com grandes felinos — se os gatos também se parececem com largatos —, existem também os Beneathers, que viven no subsolo com suas caudas azúis, e as bruxas também podem tomar a forma de qualquer animal que desejarem, tendo preferência pelos corvos.

Passamos o livro sofrendo com a luta interna de Zera, do seu desejo de ser humana novamente e de libertar seus amigos ao custo da vida de outra pessoa. E assim como ela, também nos questionamos sobre o que é pior: ser um monstro ou criar um monstro?

Há indícios na narrativa que dão a entender que Zera é uma personagem plus-size, então, você percebe que o livro está cheio de representatividade. A narrativa se mostra um pouco lenta em alguns capítulos que são mais longos do que o necessário, mas depois a história passa a fluir melhor.

Esse é o primeiro livro de uma trilogia, e apesar de ser aquele velho clichê de mocinha-se-apaixona-pelo-príncipe, Bring Me Their Hearts não deixa de ser um criativo mundo mágico para quem ama fantasia.

“— Nem tudo na vida é sobre amor, Malachite.
Ele me corrige com o olhar mais sério e alerta, algo estranho vindo dele.
— Não. Apenas as coisas que importam.”

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6 comentários :

  1. Olá! O enredo apesar de clichê parece ser interessante, pois gosto bastante do gênero fantasia, mas acho que essa representatividade poderia ter sido explorada também na capa do livro.

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  2. Olá! Não conhecia esse livro, curto muito fantasia, lendo essa resenha achei a trama bem interessante, fiquei bastante curiosa em conferi essa história, tomara que alguma editora publique ele aqui no Brasil. Bjs

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  3. Daiana!
    Mesmo que o romance tenha demorado para engrenar, gosto dessa parte mais política e social.
    E como gosto de magia e bruxas, acho que é um livro interessante.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Olá!
    A Zera é a que está sendo representada na capa? Se sim, não condiz muito com o que se diz no livro.

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  5. Fantasia, bruxa, Príncipe é tudo o que gosto. Sei que é clichê mais amo histórias com príncipes. Espero que não seja uma série decepcionante, pois ja estou com muita vontade de ler.

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  6. Olá!
    A historia parece ser interessante, a capa é maravilhosa. Fico com muita pena não saber inglês porque amo essas edições.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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