10 janeiro 2020

[Resenha] Contágio - David Koepp

Em 1987, o agente do Pentágono, Roberto Diaz, é enviado a uma pequena comunidade no deserto australiano para investigar o surgimento de uma nova espécie de fungo que adoeceu todos que entraram em contato com ele. Porém, ao chegar no local, descobre algo bem pior: o organismo modifica o próprio DNA a uma velocidade impressionante e pode exterminar a vida na Terra em poucos dias. Com a ajuda de sua parceira, Diaz consegue conter a ameaça. Um único espécime do fungo, no entanto, é capturado e levado a uma base militar americana para ser isolado a centenas de metros debaixo da terra.
Décadas depois, a mesma base é vendida para uma empresa privada e, com o aumento da temperatura do planeta, o fungo consegue se libertar de sua quarentena. A princípio, os dois vigias do lugar — Travis “Teacake” Meacham, um ex-presidiário tentando reorganizar sua vida, e Naomi Williams, uma mãe solteira — não fazem ideia de como estão perto do perigo. E agora o único que pode ajudá-los é o aposentado agente Diaz. O trio, então, tem apenas uma noite para salvar o mundo de um terrível destino. Mas, tendo apenas a sorte e a coragem como armas, eles serão capazes de impedir o contágio?
É nesta obra repleta de ação que David Koepp, roteirista internacionalmente reconhecido e vencedor do Oscar, faz sua estreia no mundo da literatura. Com humor e uma extraordinária capacidade de retratar experiências humanas, Contágio une ficção científica e personagens autênticos para apresentar o que Koepp faz de melhor: contar uma história inesquecível.

Livro:   Contágio || Autor: David Koepp
Editora: Harper Collins ||Ano: 2019 
Gênero: Suspense ||  Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Sheila

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Esse tema é um clássico, e muitos de nós já assistiram filmes como Epidemia, ou mesmo com o exato título do livro. O que difere nesse caso, é que a doença se propaga por um super fungo que aonde toca muda a estrutura celular do hospedeiro. 

A história começa no ano de 1987 com dois agentes do pentágono Roberto Diaz e Trini Romano indo investigar uma aldeia em uma parte remota da Austrália, com o auxílio da pesquisadora, Dra. Hero Martins.

Chegando lá, o trio se depara com o fungo que age remodelando a sua própria estrutura celular em uma taxa evolutiva de mutação absurda para a realidade já vista, e observam também que ele já matou a cidade inteira. No livro vimos em primeira mão como ele age, quando perdemos logo de cara a pesquisadora.

Sem despertar muito interesse das autoridades, a solução é trancar o fungo em uma caixa de contenção e o colocar em um armazém subterrâneo selado e com temperatura controlada.

Acontece que governos mudam, politicas também, e o depósito acaba sendo vendido para a indústria privada e se transformando nesses famosos lockers americanos, lugares aonde se paga para ter um espacinho com uma chave e cadeado para depositar pertences pessoais (se você já assistiu o programa – Quem dá mais? Do canal History Channel – sabe bem do que se trata).

Esquecido lá no fundo de tudo, sem manutenção em seu espaço e sem controle de ninguém, com mudanças de temperatura, o fungo volta a atividade. Aqui se encontra a melhor parte do livro, os personagens tem uma construção de tal modo sincera e singela que muitas vezes você consegue realmente entender suas identidades.

Os vigias Travis "Teacake" Meacham e Naomi Williams roubam a cena. Teacake, apelido de um rapaz recém saído do sistema penitenciário, que se sente derrotado e tenta a todo custo tomar as rédeas da sua vida, nutre uma paixão platônica por Naomi, que é mãe solteira e busca mais afinidade com sua filha da qual sente uma dissociação e procura um amor que realmente lhe complete.  Fustrados com a vida e ressentidos até certo ponto, os personagens são explorados em suas singularidades que fluem pelo papel na escrita do autor e dão um toque bem especial ao livro.

Agora com o fungo a solta a dupla que acabou de se conhecer mais a fundo, terão que correr contra o relógio, procurando por Diaz e contando com a ajuda do aposentado agente para deter o avanço do fungo.



E o que um fungo quer? Ele é ambicioso? Pensa? No livro, o fungo quer o que todos os fungos querem - se espalhar e reproduzir o básico de todo ser vivo; para isso ele entra no sistema nervoso central de um humano e o leva a escalar o lugar mais alto possível, manipulando seu pensamento para isso, o lugar tem uma função muito objetiva, quanto mais alto o ponto em que o fungo explodirá e soltará seus esporos, mais o vento poderá espalhá-lo, e assim ele cumpriu com sucesso sua função - a de propagar a espécie.

Como bióloga de formação, vou dizer que tem partes corretas e uns errinhos para deixar mais emocionantes o livro, assim da parte biológica da questão se você não for um estudante da área ou amante de fungos não achará nada para contestar e não será um empecilho a leitura.

A parte científica deixa uma pouco a desejar, a construção dos personagens e suas falas irônicas intercalam com o contexto mais cientifico de uma forma animadora, o que nos faz avançar significamente na leitura. O livro segue em estilo Thriller, a cada página deixando mais tenso o ambiente construído.

Indico para uma tarde descompromissada de férias ou para amantes desse gênero, com certeza se sentirão compelidos a chegarem a última página. 

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5 comentários :

  1. Oi!
    Ainda não conhecia essa obra e a sua resenha me fez perceber que já assisti muitos filmes com essa temática, mas que não li nenhum livro que abordasse o assunto, ao menos não um que tenha uma pegada mais sci-fi, já li algumas distopias que trazes algum contágio como plano de funda, mas acaba sendo um tópico muito superficial. Gostei de ser apresentada a essa obra.

    Abraços,
    Andy - StarBooks

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    Respostas
    1. Oiee

      existe milhões de filmes, mas livros tão poucos, acho que porque são tão difíceis de escrever, precisam de muitos detalhes tanto científicos como biológicos. Mas gostei muito desse.

      =)

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  2. Sheila!
    Tenho sempre interesse também em livros e filmes que falam sobre mutações, guerras biolágicas, vírus e por aí vai.
    Fiquei tão envolvida com sua resenha que parecia que já estava leno o livro. Claro que sei que tem muito mais coisa por trás, o que só me deixou ainda mais curiosa, bem como o fato de não ter aquelas grandes corporações envolvidas, tentando usar o tal fungo com atitudes expúrias.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Olá! Nossa, não conhecia esse livro, curto muito histórias de ficção científica com fungos, vírus, mutação genética, etc... essa sua resenha me deixou super curiosa em conferi essa história, essa trama daria um excelente filme. Bjs

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  4. Olá!
    Ao ler o titulo do livro imaginei que serio a mesma historia que o filme que leva o mesmo nome, mas percebi que há uma pequena similaridade porém diferenciada. Gostei muito da trama e de um gênero que gosto muito. Quero muito ler!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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