16 dezembro 2019

[Resenha] Pessoas Normais - Sally Rooney


Uma história única e envolvente sobre dois jovens que devem enfrentar a eletricidade do primeiro amor em meio às sutilezas das classes sociais e dos problemas familiares. Sally Rooney é a voz da geração millennial.
Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes – contudo, um deles está determinado a esconder a relação. Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, tímido e inseguro. Ao longo dos anos da graduação, os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida. Porém, enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.
O fenômeno literário da década. ― The Guardian

Livro: Pessoas Normais || Autor:  Sally Rooney
   Editora: Companhia das letras||Tradutor: Débora Landsberg
Ano: 2019 || Gênero:  Romance Contemporâneo
 Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Karina

A dinâmica do livro acontece basicamente entre duas pessoas, que apresentam ao longo do livro posições opostas bem claras. No período em que estão no colégio, Connel é popular e Marianne é a "garota estranha" do colégio, ela é rica e ele pobre, e a conexão entre eles é a mãe do Connel, já que ela trabalha pra família da Marianne.

Obviamente eles acabam provocando um no outro uma atração que nenhum dos dois sabe explicar o porquê, eles se envolvem e se desentendem várias vezes, até que se "separam" e se reencontram tempos depois na faculdade onde algumas oposições foram invertidas.

Marianne tinha a sensação de que sua vida real acontecia em outro lugar, bem distante dali, acontecia sem ela, e não sabia se um dia descobriria onde era e se seria parte dela. Volta e meia tinha essa sensação na escola, mas não era acompanhada por nenhuma imagem específica de que aparência ou sentimento a vida real poderia ter. Só sabia que, quando começasse, não precisaria mais imaginá-la.

Já na faculdade fora da cidadezinha em que moravam e depois de um bom período de tempo sem contato, eles se reencontram. Marianne continua rica e Connel o cara pobre, mas Connel está completamente perdido entre as dificuldades de se encaixar fora do ciclo do colégio, enquanto Marianne  encontra na faculdade uma facilidade incrível de pertencer a grupos que nunca foi capaz no colégio. O que norteia os personagens é exatamente o mesmo medo que norteia qualquer um de nós, é o medo de sermos anormais.

“Quando conversa com Marianne, ele tem uma sensação de completa privacidade. Poderia contar qualquer coisa a seu respeito, até as coisas estranhas, e ela jamais as repetiria, ele sabe. Estar sozinho com ela é como abrir uma porta para fora da vida normal e fechá-la depois de passar.”


Essa história que nos é relatada tem muitas peculiaridades, uma delas é que estamos fora do eixo USA/Inglaterra, essa história se passa na Irlanda, e com certeza, todas as excentricidades do texto é marca da autora que descreve processos dolorosos de maneira muito intensa e real; é fofo ao mesmo tempo que é cruel, é uma história de amor, mas muito longe de um amor de contos de fadas... se alguém um dia te disser que é impossível viver um romance desses que se vivem nos livros é porque ainda não leram "Pessoas Normais".

Todos os personagens que orbitam a história dos dois servem de meros acessórios, nenhum deles tem grande significância na trama ou causam um mega plot twist. A graça desse livro está exatamente em tudo o que os personagens fazem que nos dá raiva, porque isso nos aproxima, e indiretamente somos levados a rever cada decisão que pode ter sido errada em nossos relacionamentos.

“Havia francamente desejado morrer, mas nunca havia sinceramente desejado que Marianne se esquecesse dele. Essa é a única parte de si que almeja proteger, a parte que existe dentro dela.”

Durante a leitura eu ficava esperando pelos grandes acontecimentos e o que fez esse livro ser tão aclamado na "gringa", mas isso não acontece, talvez o resultado do sucesso é pelo simples fato que Sally Rooney é bem nova ( e no mercado editorial num geral, geralmente escritoras novas  são sempre desacreditadas - numa opinião bem particular minha), mas quando terminei o livro e não teve nenhuma reviravolta rs, entendi que talvez a façanha esteja justamente na surpresa de um livro com tão poucos acontecimentos, desenrolar uma história tão profunda e que abre tanto espaço para identificação! 

Eu simplesmente não consigo terminar essa resenha sem comentar a capa, é incrível como o detalhes dessa capa conversam com o enredo da história, amei real !

Lá fora o livro fez tanto sucesso que já está sendo adaptada para uma série e tem estréia prevista para 2020, será exibido pela Hulu, com um total de 12 episódios e 30 minutos de duração.

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Um comentário :

  1. Karina!
    Quando o livro traz tanta dualidade entre as personagens e ainda assuntos que tocam os leitores, porque de alguma forma há uma identificação, a crítica aclama mesmo, porque vende o livro.
    Gostei de saber que é um livro irlandês, diferente dos eixos literários que nos acostumamos a ler.
    cheirinhos
    Rudy

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