27 dezembro 2019

[Resenha] Minha coisa Favorita é monstro - Emil Ferris

A história de um assassinato misterioso, um drama familiar, um épico histórico e um extraordinário suspense psicológico sobre monstros — reais e imaginados. A história em quadrinhos mais impactante desde Maus.
Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita é Monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.
Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.
Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita é Monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.
Grande vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do quadrinho mundial, nas categorias Melhor Álbum do Ano, Melhor Roteirista/Desenhista e Melhor Colorista.

Livro:  Minha coisa Favorita é monstro ||  Série: Livro 01 || Autor: Emil Ferris
Editora: Quadrinhos na Cia.|| Ano: 2019 ||  Gênero:  HQ
 Classificação:  5 estrelas ||  Resenhista: Karina e Lud

Bora lá para esse Monstrinho de 416 páginas. Quando chegou aqui em casa, eu abri e dei uma pequena surtada no tamanho disso, e quando folheei um pouco, me apaixonei por esses traços de caneta bic.

Nesse lindo HQ vamos acompanhar a Karen em sua busca para desvendar o assassinato de Anka Silverberg, sua vizinha. E, no decorrer dessa aventura, ela vai desvendando coisas escondidas pelas pessoas que vivem nos apartamentos, e mais ainda, ela começa a perceber os segredos dentro de sua própria família. E esses segredos podem mudar como ela vê o mundo e todos ao redor.  



Antes de mais nada, vamos conhecer um pouco sobre a Emil Ferris. Eu dei uma pesquisada para saber mais sobre a quadrinista e me surpreendi com a trajetória. 

Aos 40 anos, Emil contraiu a doença 'febre do Nilo Ocidental' e se viu em poucas semanas, com as pernas e a mão direita paralizadas. Com uma filha de 6 anos para cuidar, ela decidiu voltar a estudar e aprender a desenhar com a mão esquerda. Em 2017, o HQ Minha Coisa Favorita é Monstro foi lançado depois de 48 recusas de editoras, e em 2018 foi premiada com as principais categorias (melhor álbum, melhor roteirista/desenhista e melhor colorista) do prêmio Eisner, nos Estados Unidos, e o Fauve d’Or, prêmio do Festival de Angoulême, na França.

Outra coisa curiosa foi o fato da autora usar caneta Bic em todo o livro, que realmente chama a atenção e cria uma ilustração única. E em entrevistas, a autora comenta que era a única coisa que tinha quando criança, pois os pais não podiam comprar material especial para desenho. Então ela quis voltar as origens e criar algo único.


Depois desse apanhado sobre a autora vamos falar do HQ em si. Eu amooo esse traço da Emil, e justamente por esse motivo eu quis o HQ antes mesmo de saber do que se tratava. E claro que nossa autora não nos deixa na mão, e a cada virada de páginas, temos algo maravilhoso. Não sei explicar, é algo mais rústico, mais visceral, mas de uma beleza incrível, desafio vocês e não gostarem desse traço.


Mas falando da história em si, esse livro engana muitos, já que não é um livro para menores, como a a sinopse pode dar a ilusão, por ser narrado pela Karen de dez anos. Muito pelo contrario, é um livro carregado de sentimentos, e muitos do quais você não irá gostar.

Alguns dos assuntos tratados no livro me pegaram de surpresa, eu simplesmente não esperava aquilo, mas  considero uma imensa lição de história e de empatia, pelas histórias contadas por Anka Silverberg, e sua época morando na Alemanha sendo uma judia. E é justamente a história do assassinato dela que a Karen investiga. Mas em paralelo com essa investigação, Karen começa a descobrir segredos não só das pessoas que moram no prédio, mas da sua própria família, segredos que mudam tudo.


Uma diferença que notei nele em relação aos outros HQ, é que ele tem muita fala, além dos personagens, temos também uma linha de tempo contada pelo narradores em algumas páginas. Então tem muito mais história do que o normal dentro dessas 400 páginas.

Para mim, o título é maravilhoso, e tem muita relação com a história e como vemos as pessoas, até aquelas que amamos muito tem seus segredos e sua escuridão. E então você tem aquele momento em que percebe quem são realmente os monstros.




Para alguns, serve de alerta que o livro apesar de ser um suspense em muitas partes, ele tem algumas partes contendo sexo, bebidas e todas as coisas que a humanidade desperta nas pessoas.

Depois que eu fechei esse livro, eu fiquei : O que acabou de acontecer?
É dessa forma mesmo, de repente alguns segredos são desvendados, e você para um pouco só para gritar : WTF?

Emil Ferris me conquistou, e todos os prêmios que ela ganhou são nada mais do que merecidos, porque esse HQ é uma obra de arte.

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Um comentário :

  1. Lud!
    Bem diferente mesmo e impactante, adorei as ilustrações.
    Acredito que toda dedicação durante os 5 anos que autora levou para escrever, deve ser dada pelo leitor ao ler e observar cada detalhe nas páginas.
    Achei o formato bem diferenciado e gostei muito das ilustração, parecem desenhos feitos a mão pela protagonista mesmo que é uma criança e traz mais realidade a HQ.
    cheirinhos
    Rudy

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