17 dezembro 2019

[Resenha] Ela disse - Jodi Kantor e Megan Twohey


Como duas jornalistas conquistaram a confiança de dezenas de mulheres, expuseram os casos de assédio de Harvey Weinstein e deram um dos maiores furos jornalísticos da década em uma reportagem que alçou o movimento #MeToo à escala global.
Em 5 de outubro de 2017, as jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey, do New York Times, publicaram uma reportagem bombástica, que mudaria para sempre o debate sobre assédio e abuso sexual.
A partir de uma longa e delicada pesquisa, elas descobriram que Harvey Weinstein ― produtor de Hollywood responsável por construir e alavancar a carreira de atrizes como Gwyneth Paltrow e Jennifer Lawrence ― não apenas assediava mulheres, mas tinha a seu favor uma rede antiga e eficiente de advogados que comprava o silêncio das vítimas em troca de vultosos pagamentos. A revelação foi o estopim para que outras mulheres ― famosas e anônimas ― compartilhassem suas histórias, fazendo do #MeToo um movimento global e que atingiu praticamente todos os setores da vida pública.
Com uma riqueza de detalhes extraordinária, Kantor e Twohey descrevem os bastidores eletrizantes de uma das reportagens mais importantes da década, refletem sobre o futuro do #MeToo e do feminismo e trazem testemunhos das mulheres que se manifestaram ― pelo bem de outras, das gerações futuras e delas mesmas.
O #MeToo foi um tsunami que liberou ondas e águas represadas há dois milênios. O movimento fala por mim, por você, por todas as mulheres que eram tão sufocadas que nem percebiam que assédio era assédio. ― Heloisa Buarque de Hollanda.
Não acredito que uma história tão recente ― e da qual eu pensava que já sabia tanto ― era na verdade um thriller de tirar o fôlego. Meu reconhecimento a Jodi e Megan pela coragem, mas também às mulheres que se arriscaram para proteger as outras e mudar essa cultura. ― Natalie Portman.
Um clássico instantâneo do jornalismo investigativo. ― Washington Post
Uma versão feminista de Todos os homens do presidente. ― The New York Times Book Review 

Livro: Ela Disse || Autor:  Jodi Kantor e Megan Twohey
   Editora: Companhia das letras||Tradutor:Denise Bottmann, Isa Mara Lando, Julia Romeu e Débora Landsberg
Ano: 2019 || Gênero:  Não ficção
 Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Karina

Ah esse livro de Não Ficção veio para fechar com chave de ouro minhas leituras de 2019, duvido muito que eu consiga emplacar um livro tão bom até o fim de dezembro! O livro é um mega lançamento que acaba de chegar nas livrarias (li via Netgalley), mas recomendo fortemente como um ótimo presente de natal !

Eu não tenho muito o que contar sobre a história, até porque todo mundo deve ter visto de uma maneira ou de outra pelas redes sociais o movimento #Metoo que começou nos bastidores de Hollywood e tomou o mundo, mas o que esse livro traz é o  espetacular processo de surgimento de uma reportagem que se tornou uma das mais importantes denúncias da década e como isso, desencadeou o movimento de denuncia antes de tomarmos consciência disso.

Basicamente o movimento surgiu quando duas jornalistas do New York Times publicaram uma série de denúncias de atrizes famosas e funcionárias de um dos maiores produtores/"atros" de Hollywood, Harvey Westein (provavelmente você não saiba de cara quem ele seja, mas na primeira vez que você jogar no Google a cara do sujeito, você vai perceber que em algum momento você já viu esse cara na mídia).


imagem retirada do Google: Harvey Weinstein e atrizes que foram testemunhas ou citadas durante o movimento pós denuncia.

Acontece que esse senhor foi condenado somente depois de mais de 20 anos de abusos sexuais contra atrizes na qual prometia sucesso e funcionárias da empresa da qual ele era dono juntamente com o irmão.

Eu desafio qualquer mulher a ler esse livro e não se sentir revoltada por todos os detalhes explicadinho, inclusive os mecanismos de como funciona a indústria cinematográfica; apesar da maioria das pessoas não terem ideia de quem produz e distribui os filmes, essa galera é podre de rica e vive fazendo acordos judiciais para encobrir os eventuais crimes e fraudes.

Mesmo que você não reconheça o rosto do Harvey Weinstein, o nome dele está ligados a produções aclamadíssimas como: Kill Bill, Shakespeare apaixonado, Bastardos Inglórios, Django livre entre outras.



Esse livro é uma aula de como criar matérias investigativas, quando as jornalistas relatam como conseguir os telefones das atrizes famosas atrás de histórias que pudessem criar um padrão nas agressões cometidas, você fica chocada em reconhecer nomes como Angelina Jolie, Uma Thurman,  Gwyneth Paltrow e mais um dezena de mulheres anônimas que foram coagidas a ficar caladas.

O livro vai relatando como chegaram ao tema da reportagem , como identificaram a primeira vítima, como foram encontrando as demais, conquistando a confiança das mulheres, contando um pouco sobre como a vida das vítimas foi afetada, passando pelos embates que tiveram com o acusado e seus advogados.

Eu estava praticamente surtando no capítulo que narra as horas que antecederam a publicação da matéria, mesmo sabendo que tudo foi publicado e que ele havia sido condenado; todas as manobras para ocultar provas, silencias pessoas, manipular o público, desacreditar as vítimas é tão bem detalhado que é como se eu estivesse vendo um filme na minha frente.


O que me deixa abismada é que como em um circulo onde as mulheres apesar de objetificadas o tempo todo, se comparada com as mulheres não famosas, tem mais voz, tem um certo privilégio, como é que elas não conseguiram denunciar esse cara antes? Longe de mim julgar o silêncio alheio, mas essa observação que ficou martelando na minha cabeça me trouxe a lição de que sororidade nunca foi tão essencial como é hoje, como é entre as mulheres, que uma voz sozinha pode ser silenciada, mas devemos estar prontas para dar suporte umas as outras. Chega-se a questionarmos até onde vai a dominação psicológica e moral de uma corporação machista ?

Apesar do movimento ainda não ter mudado completamente o cenário em Hollywood e no resto do planeta, finalmente as pessoas parecem estar acordando para a cultura do estupro, ou o assédio velado; outros nome famosos foram denunciados após essa reportagem como: Kevin Space ( que perdeu o papel em House of card), Wood Allen entre outros, a lista é longuíssima, mas nos resta torcer para que o movimento não perca força e acima de tudo dar suporta as vítimas que tem a coragem de denunciar! Eu recomendo demais essa leitura, não somente como fonte informação, mas como exercício permanente de nos lembrar que nem tudo é o glamour que parece ser !

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Um comentário :

  1. Karina!
    Acho o livro essencial para aa tualidade e para nós mulheres, assim poderemos nos tornar mais forte, caso algo aconteça conosco, não evemos nos render aos caprichos dos chefes e homens que tem uma hieraquia profissional superior a nossa...
    Deve ser bem impactante.
    cheirinhos
    Rudy

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