15 dezembro 2019

[Resenha] Dora- Bianca Pinheiro




“Dora” é uma HQ diferente que conta a história de uma mãe que tem uma filha… estranha. Logo no começo você vê a mãe diante de um detetive da polícia, que acusa a menina de ter matado 15 pessoas. No desenrolar da história ela conta como Dora nasceu e cresceu.
A autora, Bianca Pinheiro, é de Curitiba e ama HQs. Já desenhou alguns que saíram pela Editora Vaca Voadora, a mesma de “Dora”. É um livro impresso em papel Pólen Bold 90g, com 128 páginas, em preto-e-branco e a capa colorida.





Livro: Dora || Autor: Bianca Pinheiro
Ilustrador: Bianca Pinheiro ||Editora: Mino
Ano: 2014 ||  Genero: HQ
 Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Karina

Seguindo nossa indicações de HQ, se você já ouviu falar sobre a Bianca é porque ela tem uma série linda e fofa chamada "BEAR", ou porque ela já ilustrou uma Graphic MSP da Mônica o "Força"... mas hoje queremos mesmo é falar de "DORA", um quadrinho com vibes de terror!

Com uma história contada em 11 capítulos, a HQ apresenta flashbacks da infância de Dora misturada com o momento atual; a trama gira em torno da Dora, uma garotinha que claramente nasceu especial e coisas estranhas acontecem ao seu redor. 

Dora é uma criança que não chorou quando nasceu e que mesmo sem emitir qualquer palavra, ainda conseguia comunicar-se com sua mãe ou causar desconforto [na melhor das hipóteses] de quem convivia com ela. Dora está desaparecida e sua mãe tem que justificar ao detetive 15 mortes atribuídas a ela.

“- Minha senhora sua filha matou quinze pessoas.
- Minha filha não matou ninguém!
- E ainda sim quinze pessoas estão mortas.”


Deixando a parte fantástica/macabra de lado, a reação que essa HQ causa no ser humano é incrivelmente real, fica a lição que o mais maligno dos poderes é o senso comum.

“Dora” é um quadrinho de terror feito por uma quadrinista que não gosta muito de tomar sustos, aqui temos um enredo que dá para ler de no mínimo 3 pontos de vista diferente; se você lê do ponto de vista do detetive você já irá considerar Dora culpada nas 3 primeiras páginas; se ler como a mãe dela será dominado por uma sensação de medo/necessidade de proteção; e se ler colocando-se no lugar da personagem principal, o medo e a sensação de insegurança serão seus companheiros até a última página.


“Ela nos olhava como se soubesse que precisava fugir”

Você até pode até ter a sensação de que é uma história bem simples, mas isso não te impedirá de arrepiar-se com a cena da festinha de aniversário da Dora, ou com as sequências na cabana; curiosamente veremos uma personagem que tem medo de carros e não tem uma relação muito amigável com energia elétrica.



Os traços são bem diferentes de Bear (o trabalho mais conhecido da Bianca) e como de costume dá para encontrar um easter egg, as cores preto e branco são responsáveis pelo clima de tensão no ar. A primeira tiragem de Dora foi financiada pelo catarse e as edições esgotaram rapidamente, mas uma nova edição foi lançada recentemente pela editora Nimo que está disponível em livrarias físicas e online.


Essa edição conta com um posfácio onde Bianca conta como teve a ideia para a criação de Dora e um pouco da trajetória de como se tornou uma quadrinista, o material é incrível e muito recomendado para quem quer experimentar coisas diferentes.


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Um comentário :

  1. Karina!
    Adorando ver HQ com um que de mistério e terror.
    Interessante ver que podeos analisar por vários pontos de vista e em cada um teremos uma sensação diferenciada.
    Gosto de HQs coloridas, mas entendo que aqui, o preto e branco dá o clima do livro.
    cheirinhos
    Rudy

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