09 dezembro 2019

[Resenha] Conectadas - Clara Alves


Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.
Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer.
Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?


 Livro: Conectadas || Autora: Clara Alves
  Editora: Seguinte  || Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Lala
 Ano: 2019 || Gênero: Jovem adulto / LGBT
Posso mudar como faço resenha e já começar dizendo que amei esse livro??
Me encantei demais com a história das protagonistas, senti a aflição e a alegria de cada uma, e isso para mim só mostra como a escrita da Clara (que por sinal é a primeira vez que leio algo) é boa. Livro muito bem escrito e super envolvente, mas deixa eu apresentar para vocês as nossas protagonistas, Raissa e Ayla, que narram o livro cada uma com seu ponto de vista alternado.

"Nos últimos tempos, parecia que todos os meus sorrisos eram falsos e toda a minha felicidade vinha pela metade."

Raissa mora em Sorocaba com os pais, com quem se dá muito bem. O pai é viciado em jogos e apoia esse vicio dela também. Raissa sempre teve atração por meninas, mas nunca teve coragem de contar pra ninguém. Os pais não são aqueles típicos preconceituosos, mas sempre soltam uns comentários negativos o que a deixam com medo de se assumir. Quando começou a jogar Feéricos percebeu logo que todos tinham preconceito por ela ser menina, e ninguém queria se unir a ela nas missões, por isso ela criou um perfil masculino no jogo, inspirado no seu melhor amigo Léo. Muito tempo depois, ela conhece a Ayla, e resolve ajudá-la nas missões, mas com isso, elas viram amigas e cinco meses depois, a Raissa está super apaixonada, e a Ayla também, o problema é que a Ayla se apaixonou pelo Léo.

Ayla vive em Campinas com os pais, mas definitivamente não vive em harmonia com eles. Os pais estão em uma briga silenciosa e ela tá presa no meio deles, a mãe é super religiosa, mas não impõe a mesma religião para a Ayla já o pai, descendente de japonês, entra mudo e sai calado e tem pouca influencia na vida dela. Ela tem uma tia - Sayuri - que é maravilhosa e está sempre disposta a ajuda-la.

Recentemente, nossa protagonista mudou de escola e se revoltou por isso. Ela não é mais a santinha da antiga escola, também não é a rebelde da nova, na maior parte do tempo, nem sabe quem é. Mas quando está com o Leo, ela sente que pode ser quem quiser, pena que só se conhecem on-line. Mas ai surge uma oportunidade de se verem na exposição de Feéricos em SP. A Ayla mal pode esperar para finalmente conhecer o garoto por quem está apaixonada pessoalmente. Como será que esse encontro vai ser?


Além das nossas protagonistas os seus melhores amigos e família ganham bastante destaque. Estar envolvido nas diferentes dinâmicas nos faz ter uma visão diferente da vida delas e da dificuldade de cada uma para assumir aquela parte de si mesma. Não sei se vai acontecer, mas adoraria ler um livro sobre o Leo, melhor amigo da Raissa, um assexual pan. Acho que nunca li um livro com protagonista com essa identidade sexual e seria interessante, além do próprio personagem ser bem cativante.

"Nos poucos segundos em que nos abraçamos, eu me permiti fechar os olhos e sentir o calor da sua pele, e seus cabelos lisos pinicaram meu rosto. Ela tinha cheiro de baunilha; levemente adocidado, mas não o suficiente para ser enjoativo. Em seu abraço, era como se nada pudesse me atingir, como se minhas inseguranças não existissem."

O livro tem muitas referências atuais o que com certeza aumenta a nossa ligação com a história. E ver o drama adolescente me levou de volta para os meus 16 anos quando eu pedi aos meus pais para mudar de cidade por que meu crush morava longe, e achei absurdo eles se recusarem kkkkkkkkk e mesmo com 15 anos a mais do que as protagonistas, eu ainda me vi envolvida com a sua história.

Como (quase) sempre também há defeitos. A leitura demora muuuuito para pegar, sabe? Acho que passei 1 semana para ler 30% e 2 dias para ler o resto. Do meio para o final, o livro fica muito melhor, gostaria que o começo tivesse a mesma pegada.

"Eu queria viver assim?
Eu queria me esconder?
Eu queria me omitir enquanto tantas outras pessoas estavam lá fora, lutando pelo direito de amarem e serem amadas sem medo?
Não.
Não, eu não queria.
Eu queria ter, pelo menos, a oportunidade de ser feliz."

Conectadas é sobre duas adolescentes se descobrindo. Mas é muito mais que isso. É sobre amizade, família, aceitação, bullying, diversidade, primeiro amor e segunda chance. Resumindo: um livro maravilhoso. Leiam!

Curtam essa playlist maravilhosa que a Raissa e Ayla escutam na história!

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Um comentário :

  1. Laura!
    Adorei incluir a playlist, músicas sensacionais.
    Bom ver que as personagens tem um certo entrosamento e que o leitor consegue se conectar ao ponto de sentir a mesma angústia que elas sentiram.
    Pelo jeito o livro é bem informativo em relação aos termos sobre sexualidade e embora não ache que a forma de contato que a protagonista encontrou para se comunicar com a ‘amiga’ seja a melhor forma, acredito que seja um livro de amadurecimento.
    cheirinhos
    Rudy

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