27 outubro 2019

[Resenha]Glória e Ruína - Graça e fúria 02 - Tracy Banghart




As irmãs Serina e Nomi Tessaro nunca imaginaram que acabariam em lugares tão distintos: Serina em uma ilha-prisão, Monte Ruína; Nomi no palácio de Bellaqua, como uma graça, à disposição do príncipe herdeiro do reino. Depois de sofrer uma grande traição, Nomi também é mandada para a ilha e, ao chegar lá, para sua surpresa, encontra Serina à frente de uma rebelião das prisioneiras contra os guardas.
Agora as irmãs têm um objetivo em comum: mudar o funcionamento de toda a sociedade. Além disso, elas sabem que Renzo, gêmeo de Nomi, está em perigo. Relutantes, elas se separam mais uma vez, e Nomi retorna à capital, enquanto Serina permanece em Monte Ruína para garantir que todas as mulheres encontrem um lugar seguro para viver. Só que nada sai como o planejado — e as duas vão ter de enfrentar os seus maiores medos para mudar o país de uma vez por todas.

Livro:  Glória e Ruina || Autora: Tracy Banghart|| Série: Graça e fúria
Editora: Seguinte || Ano: 2019 ||  Gênero: Fantasia, YA
 Classificação:  4 estrelas ||  Resenhista: Sheila
Para fazer a resenha de hoje vou voltar um pouco e explicar o cenário do primeiro livro - Graça e Fúria - que se passa em um reinado fictício típico de distopias chamado Viridia.

Nesse reino, mulheres são acessórios da sociedade com a função de encantar e gerar filhos, elas são proibidas de ler, ter empregos e opinião própria, imagine você nem pensar. A cada três anos, são escolhidas as “Graças” nome pomposo que se dá a uma seleção de meninas de invejada beleza que deverão desfilar para os rei e príncipe para disputar o lugar como suas concubinas. Repugnante essa parte e mais ainda como muitas meninas acham isso o máximo. Assim duas irmãs são encaminhas para este dia, uma como Graça que é Serina e outra como sua acompanhante a Noni, as irmãs são muito diferentes, aonde Serina é a delicadeza em pessoa e subserviente, Noni é a ousadia e rebeldia, sabendo até ler, pois as meninas tem um irmão de nome Renzo que como homem podia ser educado na leitura e aritmética, vale lembrar que a leitura para as mulheres é punível com prisão ou morte.

No primeiro livro, vemos que Serina é culpabilizada pelo livro que Noni lia e acaba sendo presa em uma ilha macabra de nome Monte Ruína, aonde as presas ficam à mercê dos guardas e devem lutar entre si como gladiadoras por rações escassas de comida. 

Existem dois príncipes, Malachi com destino ao trono e seu irmão mais novo Asa, esse é o primeiro ano em que Malachi escolherá suas primeiras 3 graças e deve marcar sua subida ao trono.

Ao final do primeiro livro com Serina presa na ilha e Noni envolvida com um os príncipes, crente que este a ama e que o que ele planeja é o melhor para todos, articula a morte do príncipe herdeiro envolvendo até o irmão Renzo. Noni se descobre enganada por Asa que tramou a morte de seu pai e irmão Malachi e a envia para a mesma ilha prisão com um príncipe moribundo.



No primeiro livro, vemos que Serina apesar de delicada e obediente evolui muito como personagem e se torna desafiadora e inteligente ao extremo, além de cativar as outras presas e um guarda que se torna seu amigo de nome Val.

Já Noni que deveria ser a personagem mais perspicaz, por ser descrita no início como desafiadora, eu achei muito fraca pois se deixa levar pela maquinações de Asa muito facilmente, o que faz a personagem irritante por não ver o que está muito claro. 

Asa achei um personagem fraco, sabe o vilão sem história? Entendemos que ele queria o poder, ok mas o que o motivou a isso? Qual a real história? A autora não aborda isso e ele se torna um vilão superficial quando poderia ter siso um vilão mais substancial e atingir um nível de excelência na narrativa.

Jogada na ilha com um príncipe semimorto, Noni se vê feliz por reencontrar sua irmã que acabou de tomar a ilha a força dos guardas com a ajuda das outras presas. Noni relata suas desventuras e explica a irmã como Asa pode ser ainda mais cruel para as mulheres do que o atual rei e explica que Malachi seria a salvação delas pois tem ideias mais avançadas e igualitárias. As duas fazem o máximo para salvar o príncipe herdeiro e com ele retomar Viridia e estabelecer a ordem em meio ao caos da subida ao poder de Asa. 

Serina se encontra dividida entre ajudar as mulheres e a retomar o poder e ajudar sua família que está sendo ameaçada por Asa e se vê em um momento decisivo aonde Malachi como rei se dispõe a formar um conselho aonde mulheres estarão presentes e a reestruturar toda a forma de governo.

Como facilmente pode se observar, o livro tem uma pegada feminista muito forte e a meu ver traçou um forte paralelo com nações árabes aonde os sheiks podem ter um harém e as mulheres são proibidas de ler, estudar e dirigir. A autora nos faz questionar nosso dia a dia e a enxergar que a nossa sociedade brasileira ainda precisa da luta feminista, mas que é extremamente avançada quando comparada a outros povos em nosso mundo real.

A leitura é agradável e com parágrafos bem distribuídos tonando a leitura fluída, o desalento com alguns personagens acontece pois quando lemos muito, as histórias muitas vezes exibem similaridades que não conseguimos desprender facilmente do inconsciente. O romance fica em segundo plano em muitas partes do livro, para mostrar a revolução e a luta feminista. Como duologia, cumpriu bem seu papel não deixando pontas soltas e reestruturando o poder, achei que caberia um terceiro livro para evitar a correria no final do segundo e desenvolver a história com mais Graça e Fúria.

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5 comentários :

  1. Sheila!
    Muito bom quando uma duologia cumpre o que promete.
    Acho o máximo essa série trazer a igualdade de gênero e ainda enaltecer as mulheres que tenham ajudar o Príncipe a resolver seus problemas.
    Sem contar com toda ambientação, a mitologia e a boa ficção.
    Adoro livros com mapas, porque podemos nos localizar bem no enredo.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Tenho vontade de ler essa duologia, mas fiquei um pouco decepcionada pela Noni não ser tipo uma personagem bem guerreira, esperava mais dela. Deve ser uma daquelas leituras que deixa a gente pensando sobre quantas coisas uma mulher tem que passar, sem poder fazer quase nada, ainda bem que aqui é bem diferente de alguns lugares, já me imaginei no lugar das personagens, sinceramente não me daria nada bem rs.

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  3. Oiii ❤ É bom saber que se trata de uma duologia, já que gosto de tramas mais rápidas e não estou numa fase de ler séries longas.
    É triste que em Viridia as mulheres não tenham diretos, que não possam nem ao menos ler. É revoltante que Serina tenha sido presa por causa de um livro.
    Gostei muito que o livro tem uma pegada feminista, pois o feminismo é mais que necessário para se ter uma sociedade mais igualitária.
    Estou muito curiosa para ler os dois livros e ver todos os desafios que Nomi e Serina precisarão enfrentar.
    Beijos ❤

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  4. Olá! ♡ Ainda não li Graça e Fúria, mas fiquei indignada com a maneira com que as mulheres são vistas e tratadas em Viridia, é tão revoltante que elas não podem nem ter opinião própria.
    Estou curiosa para conhecer Serina e Noni e acompanhar suas jornadas.
    Não suporto vilões mal construídos. Se for para colocar um vilão de meia tigela, nem coloque kkk. Um vilão sem história, sem objetivos, sem motivações maiores, de fato é algo bem superficial.
    Gostei bastante dessa pegada feminista do livro, os paralelos e questionamentos que a autora faz, são muito relevantes e importantes. A causa feminista precisa de mais visibilidade e apoio.
    Obrigada pela indicação, adorei a resenha!
    Beijos! ♡

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  5. Admito que não leio distopias pois o gênero não me agrada muito.
    Achei que o livro trás uma grande crítica social, já que nele as mulheres são punidas por querer fazer as mesmas coisas que um homem faz.
    Por esse fator fiquei curiosa para saber como as irmãs vão ser importantes nessa luta e como vão ajudar o príncipe herdeiro a retomar o poder e restabelecer a ordem.

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