07 outubro 2019

[Resenha] A Rainha Aprisionada - Iskari # 2 - Kristen Ciccarelli

No segundo volume da trilogia Iskari, uma nova heroína entra em cena para lutar pela liberdade de seu povo ― e de sua irmã ― em meio a um conflito que apenas começou. Firgaard foi governada durante décadas por um rei tirano e manipulador, capaz de condenar povos inteiros apenas para aumentar seu poder.
Depois de uma grande batalha, Asha, sua filha, conseguiu derrotá-lo. E, assim, Dax, o primogênito, assumiu o poder ao lado de Roa, sua esposa. Roa é uma forasteira vinda das savanas ― um território sob o domínio de Firgaard, que há anos é oprimido e está prestes a entrar em colapso.
O maior desejo da nova rainha, mesmo sabendo que não é bem-vinda em seu novo lar, é mudar a vida de seu povo. O que ela não esperava era encontrar uma chance de alterar o curso do destino e trazer de volta à vida sua irmã gêmea, Essie, morta quando criança em um terrível acidente. O único obstáculo? O novo rei.


Livro: A Rainha Aprisionada || Série: Iskari #2 ||  Autor: Kristen Ciccarelli
Editora: Seguinte || Ano: 2019 ||  Gênero: Fantasia, YA
Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Daiana

“Era uma vez uma deusa que trocou seu nome por um tear, seu coração por um carretel e seu rosto por uma faca

O segundo livro da trilogia Iskari traz como novos protagonistas os nossos já conhecidos Dax, irmão da Asha, e sua esposa Roa, uma nativa do território que permanece sob o domínio de Firgaard. Os livros apesar de serem no mesmo universo são independentes, não havendo assim a necessidade de ter lido o anterior.

Conheceremos nessa sequência as razões que levaram os dois a se casarem, que na verdade a união nada mais foi do que um acordo, uma barganha de Roa para conseguir que Dax após tornar-se rei, alterasse as leis a favor do seu povo e assim estruturasse um novo governo.

Nesse livro não teremos os dragões como coadjuvantes, e sim mais fábulas sobre espíritos que ainda estão presos no mundo material. Decobrimos que Roa tinha uma irmã gêmea que morreu em um acidente, e que o amor das duas irmãs era tão forte, que Essie continuou ligada a irmã não aceitando a Renúncia,  que é a passagem para o descanso das almas.

“Se ela e sua irmã fossem dois livros no escritório do pai, Essie seria o livro aberto na mesa, pronto para ser lido. Roa seria aquele enfiado entre uma dúzia de outros, bem alto na estante.”

O livro é intercalado com narrações do passado e do tempo real, te levando a conhecer a história de Dex, Roa e Essie; o que levou Roa a culpar Dex pela morte da irmã, e a entender essa ligação tão forte entre as duas. 
Roa enxerga Dex como alguém fraco e inútil. É visível que tanto ressentimento interfere no seu julgamento, porém, as atitudes de Dax são realmente confusas, mas é só até a verdadeira personalidade dele vir a tona. 

“O que são almas além de lagartas dentro de um casulo, esperando para renascer?”

Roa como nativa, não é bem vista pela Corte, contudo seu objetivo ali não é cair nas graças de um círculo tão duvidoso, é sim lutar para que seu povo possa se livrar de um domínio abusivo e passe a viver com dignidade, e não em extrema miséria. 
Roa também guarda um desejo profundo, que é o de trazer sua irmã gêmea de volta a vida. A alma de Essie permanece aprisionada no corpo de um falcão branco que vive empoleirado nos ombros e Roa. E para conseguir o que mais deseja, Roa fará de tudo e pagará o preço mais alto, mesmo que tenha que se aliar  ao inimigo e trair o seu rei.

"Porque era exatamente como Dax dissera. O amor resistia a tudo. Até a morte.Especialmente à morte."


Por muitas vezes eu sentir vontade de dar uns bons tapas na protagonista por não aceitar suas decisões, por ela não ver o que estava tão claro na sua frente, e principalmente, por essa obsessão que ela tinha pela irmã, por seu egoísmo em não aceitar a sua morte e deixar que seu espírito fosse livre.

“O amor verdadeiro é o aço mais forte que existe. É uma lâmina que pode ser derretida, cuja forma pode ser alterada a cada batida de um martelo. Mas ninguém é capaz de quebrá-la. Nem mesmo a morte.”

Dax, apesar de parecer um personagem fútil, vai provar o quanto ele foi perspicaz e sagaz desde o primeiro livro. 
Eu sempre achei mesmo que havia muito mais do que o rei-dragão nos mostrava. Roa, é uma personagem humana e determinada, propensa a cometer erros, mas também capaz de se redimir e fazer as escolhas certas antes do fim.
Os dois juntos são a cereja do bolo, e no meio do melhor glacê que existe!

“As duas irmãs não choraram. Elas vieram em silêncio, segurando uma na outra. Como se não precisassem de nada além do que a gêmea oferecia. Como se, desde que estivessem juntas, não haveria nada a temer.”

Gostei das fábulas do povo nativo, da forma como foram cuidadosamente inseridas na história, dos jogos políticos e intrigas da corte. Sentir falta dos dragões e do Torwin, mas há uma melhoria considerável aqui em relação a trama e aos personagens do primeiro livro. 

A Rainha Aprisionada conseguiu me ganhar desde a primeira página. Não há tantos pontos previsíveis e realmente é muito tocante a narrativa da autora. 
Aprendemos que a pior parte de perdermos alguém que amamos são as lembranças, não as ruins, mas as boas. E que por mais difícil que isso seja, devemos aceitar a perda mesmo que ela nos parta em milhões de pedaços. Porque o amor não pode ser quebrado, nem mesmo pela morte, e está tudo bem se existirem diferentes destinos e finais. 

Foi um livro que me divertiu, me encantou, me emocionou e conquistou um espaço especial no meu coração. Uma vez ou outra ainda me pego pensando nele, e tenho muita vontade de voltar a esse mundo tão intenso e tão cheio de coisas que deveriam existir.


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5 comentários :

  1. Daiana!
    Interessante ver um livro com poucos protagonistas porém com fábulas interessantes sobre outras culturas e povos.
    Uma pena a protagonista principal não aceitar as decisões, dá raiva mesmo, né?
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Confesso que há uns anos adorava ler fantasia, mas agora não é um gênero que vem me interessando muito. Então não sei se daria uma chance para essa trilogia que conta com dragões, guerras e personagens que buscam trazer outros de volta à vida, apesar de ver vários comentários positivos sobre o livro.

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  3. Não sabia que essa trilogia poderia ler de forma independente, achei que teria que ler na sequência, embora eu prefiro ler na ordem certa para não perder nenhum detalhe. Tem muitos acontecimentos nesse volume e descobertas. Roa parece ser um encanto de personagem. É uma pena os dragões não estarem nesse volume adoro eles, vão fazer muita falta.

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  4. Oiii ❤ Legal que são livros independentes que se passam no mesmo universo.
    Fiquei curiosa pra saber como é possível que Esse tenha morrido mas ainda esteja conectada a Roa e como ela fará para trazer irmã de volta.
    Gostei que a obra é narrada no passado e no futuro, já que isso deve ajudar a entender bem melhor a história.
    Que bom que não é uma trama tão previsível, pois tramas originais são as melhores.
    Concordo, por mais difícil ou doloroso que seja, temos que aceitar a perda de alguém amado e tentar seguir em frente.
    Beijos ❤

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  5. Olá! ♡ Ainda não conheço a trilogia Iskari, já tinha ouvido falar desse segundo livro, mas não me recordava que fazia parte de uma trilogia.
    Gosto bastante de narrativas que mesclam entre passado e presente, pois assim podemos conhecer mais sobre os personagens e acompanhar os acontecimentos que os transformaram nas pessoas que são no presente.
    A ligação das irmãs parece de fato bem forte, por isso é compreensível que Roa queira trazer a irmã de volta, mas por mais que doa, machuque, é preciso aceitarmos a perda, por mais angustiante e difícil que fazer isso seja.
    Estou curiosa para conhecer mais sobre esse mundo que a autora criou! Sou apaixonada por Fantasia, então já estou animada para fazer a leitura desses livros!
    Obrigada pela indicação! Beijos! ♡

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