16 outubro 2019

[Resenha] O Aprendiz de Assassino (Saga do Assassino #1) Robin Hobb

Com personagens cativantes, tramas políticas complexas e lutas cheias de magia e reviravoltas, O Aprendiz de Assassino é tudo o que um fã do gênero pode esperar de uma ótima fantasia épica.
Fitz tem seis anos de idade quando seu avô o joga aos pés de um guarda real e anuncia que a partir de então o pai deve cuidar do bastardo que produziu ― e o pai de Fitz é ninguém menos que Chilvary Farseer, o príncipe herdeiro dos Seis Ducados.
Excluído pela realeza, mas importante demais para ser abandonado, Fitz é criado à sombra da corte, protegido pelo mestre dos estábulos e crescendo em meio aos criados e plebeus da Cidade de Torre do Cervo.
No entanto, um bastardo real é uma peça perigosa, e o rei Shrewd não demora a convocá-lo. Carregando no sangue a magia ancestral do Talento e uma habilidade ainda mais instintiva de se comunicar com os animais, Fitz passa a ser treinado para se tornar um assassino a serviço do rei.
Quando saqueadores selvagens começam a atacar as regiões costeiras dos Seis Ducados, Fitz recebe sua primeira missão. Embora alguns o vejam como uma ameaça, o jovem bastardo vai provar que pode ser a chave para a sobrevivência do reino.
“Exatamente como um livro de fantasia deve ser. A obra de Hobb é um diamante em meio a falsos brilhantes.” ― George R.R. Martin

Livro: O Aprendiz de Assassino || Série: Saga do Assassino #1|| Autor: Robin Hobb
Editora: Suma de Letras||Ano: 2019 || Gênero: Fantasia
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Lud

Para quem não sabe, a Suma assumiu vários livros da editora Leya, e com isso estamos tendo muitos relançamentos de livros. O aprendiz de Assassino foi publicado em 2014 pela primeira vez aqui e nesse mesmo ano, a editora leya finalizou a trilogia. 

Essa nova edição vem com uma nova capa, que apesar de ter muito a ver com a história, confesso que a da Leya é muito mais linda, com cara de fantasia. Além disso, temos uma nova revisão e mudanças em alguns detalhes da história, como os nomes, que eles decidiram deixar em inglês ao invés de traduzirem, e tudo isso está devidamente explicado no começo do livro com uma cartinha deles. 

Bem, mas vamos ao livro... a sinopse já conta o plot do livro. 

Fitz é um menino de 6 anos que é tirado da mãe pelo avô e entregue ao pai para ser criado, mas o pai nada mais é, do que o príncipe herdeiro dos Seis Ducados, Chilvary Farseer, então Fitz seria um herdeiro direto na linha de sucessão, exceto pelo fato de que ele é um bastardo. Levado para o castelo pelo tio, ele se vê jogado nas mãos do homem de confiando do pai, Burrich, sem ao menos conhecê-lo. 

E durante anos ele vive dessa forma, negligenciado pela família, com um vinculo instável com Burrich e odiado por todos.  Até que o Rei o convoca para servir na forma de assassino, já que um menino da linhagem dele não poderia andar por aí livre, podendo se voltar contra os seus. 
E a partir dai vamos começar a acompanhar a vida de Fitz como um aprendiz de assassino e também descobrindo como as coisas funcionam e onde ele se encaixa exatamente no jogo do Rei.  

"Os homens não sofrem a perda de um ente querido do mesmo modo que os cães. Mas nós sofremos por muitos anos."

"A maior parte das nossas prisões é criada por nós mesmos. Um homem também faz a própria liberdade." 
Vamos começar dizendo que nunca tinha lido nada da Robin, e aproveitei o relançamento como meta de leitura. A única coisa que sabia, era da fama, muito boa por sinal, da autora em relação aos livros. Fora que as capas originais são tão lindas, que eu até suspiro.

Uma coisa que eu percebi nesse livro, é que a Robin tem uma escrita maravilhosa, e para mim, funcionou da melhor maneira possível. Todo primeiro livro de fantasia acaba sendo mais massante pela explicação que o autor tem que dar do mundo que ele criou,
e nesse livro vivenciaremos isso, mas sem a parte massante, apesar da história demorar a mostrar algo significante, alguma ação e etc... eu não senti nada mais do que cativada pela leitura.

Enquanto eu ia acompanhando com calma a vida do Fitz, eu ia vendo os detalhes que a autora deixava no texto, coisas minimas, detalhes que vão te pegar lá na frente. E mesmo nesse começo calmo, eu me vi muito presa a história e ao personagem, e eu acho que isso foi muito intencional.

Eu fiquei um pouco surpreendida porque não é uma história como eu esperava, com sangue, dor, e muitoooo sofrimento da parte do menino que seria o aprendiz de assassino. Claro que o Fitz tem suas cotas de sofrimento, mas foi muito mais leve do que eu pensava. Na verdade, acho que o livro mexe mais com as entrelinhas, as estrategias, e as coisas que você consegue ver antes de uma criança. 

Foto: Aprendiz de Assassino por Dagmara Matuszak

Vamos falar do Fitz, como principal, ele encaixou muito bem nessa história, a forma como a autora mesclou a ingenuidade dele com a inteligência para algumas cenas foram espetacular. Você consegue ver que apesar, de em algumas partes, ansiar por uma ação maior do enredo, o livro condiz totalmente com a proposta que a autora apresenta no começo. E claro que o Fitz tem seu crescimento como personagem, mas no segundo livro, ele deve mostrar para o que veio, e crescer muito no enredo. 


Os personagens secundários completam a trama ao mostrar como eram as coisas naquele tempo, em um mundo onde tudo e todos querem o poder, e não se pode confiar ou mesmo falar abertamente com as pessoas. Então temos cenas que ambientam mais esse mundo regido por Reis. 

Foto: Aprendiz de Assassino de Marc Simonetti

A parte da magia é desenvolvida de forma lenta, assim como nosso personagem, mas que no final desse livro, ele trás uma força, e uma esperança nossa, que no próximo volume ele venha com tudo, e possamos entender mais sobre o que é um Talento, e sobre outros poderes que podem estar escondidos nos personagens. 

Eu sei que a resenha está gigante, mas devo ressaltar novamente que se você procura muita ação, e banho de sangue, esse não é o seu livro. Esse é um livro, de um modo geral, bem lento, mas que em nenhum momento isso me incomodou porque fui pega pela narração da autora. 

Robbin Hobb tem uma maneira única de escrever um livro. Sua escrita é simples, bonita, e que te enlaça desde o começo. Os diálogos são construídos de uma maneira profunda e ficam na sua mente por muito tempo.  Esse livro foi um belo começo para um série que promete entrar para o meu hall de favoritos.  

  Capas originais, porém, mais bonitas, porque o livro tem mais de 20 edições em vários idiomas. E embaixo as três edições brasileiras. A 1º da Leya é perfeita, porque é uma cena do livro. Mas essa 1º americana é tão linda. 

"A morte do seu pai deveria ser o alerta de que você precisa, hoje e sempre. Você é um bastardo, garoto. Somos sempre um risco e uma vulnerabilidade. Somos sempre dispensáveis. Exceto quando nos tornamos uma necessidade absoluta para a segurança deles. Eu te ensinei bastante durante os últimos anos. Mas mantenha esta lição mais próxima de você e mais presente do que qualquer outra na sua vida. Porque se alguma vez você fizer algo que os leve a não precisarem mais de você, eles vão te matar."

Compartilhe!

5 comentários :

  1. Lud!
    Interessante ver que a editora fez o relançamento dos livros com mudanças sutis e devo concorda que as capas antigas são mais bonitas.
    Quanto a história de Fitz, fiquei imaginando como deve ter sido a vida dele dentro do castelo onde todos o odeiam e ainda ser convocado para se tornar um assassino, mas o que me deixou mais intrigada, é para saber se ele aceita sua tarefa passivamente ou irá se rebelar...
    cheirinhos
    rudy

    ResponderExcluir
  2. Olá! ♡ Quando me deparo com um livro de Fantasia espero muita ação, magia, mas entendo que como esse é o primeiro livro, faz até sentido ele ser um pouco mais parado. Espero que a autora desenvolva mais a questão dos poderes no próximo livro.
    Gostei de ambas as capas, mas concordo com você, a lançada pela Leya faz mais jus ao gênero do livro. Estou apaixonada pelas capas americanas, elas são ainda mais lindas do que as lançadas aqui ♡
    Enfim, a premissa do livro chamou bastante minha atenção, apesar de eu preferir temas com mais adrenalina, mas ainda assim acredito que será uma leitura cativante.
    Obrigada pela indicação! Beijos! ♡

    ResponderExcluir
  3. Oiii ❤ Nossa, que descaso esse do príncipe com o próprio filho! É triste que ao invés da criança ser cuidada, ela foi transformada numa assassina por culpa de alguém de sua linhagem quando mais velha.
    Esse poder de Fitz que o faz conversar com os animais parece incrível, estou curiosa para saber qual é o Talento dele.
    Quero saber exatamente o que o rei quer com Fitz e como foi para o garoto se tornar um assassino.
    Que bom que a contextualização sobre esse mundo não seja massante, já que isso acaba acontecendo em alguns outros livros.
    A capa da Leya é mais bonita mesmo, teria sido legal se ela tivesse permanecido.
    Gostaria de fazer essa leitura.
    Beijos ❤

    ResponderExcluir
  4. Confesso que esperava ação e adrenalina, mas se a escrita da autora é gostosa de se ler, então deve valer a pena a leitura, li muitos elogios sobre ela. Gostei mais da outra capa do que essa, não estava sabendo da Suma e da Leya. Quem sabe, nos próximos livros tenha mais ação, achei importante abordar o interesse das pessoas no poder, isso deixa reflexões sobre a realidade onde também existe essa ganância por poder.

    ResponderExcluir
  5. Gostei da capa da editora Leya, mas também gostei dessa nova edição, o contraste dos tons de azul me chamaram a atenção.
    No inicio da resenha pensei que seria um livro bem triste, já que ele é tirado da mãe e neglicenciado pelo pai, mas me surpreendi quando você falou que não se tratava de um livro assim.
    Certeza que essa será uma leitura envolvente.

    ResponderExcluir





Copyright © 2017 Every Little Book. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | OddThemes | ILUSTRAÇÃO: Yuumei