23 agosto 2019

[Resenha] A impossível faca da memória - Laurie Halse Anderson



A adolescente Hayley Kincain e o pai, Andy, passaram cinco anos viajando de caminhão, fugindo das lembranças que os assombram. Agora, estão de volta à cidade natal de Andy para tentar levar uma vida “normal”, mas os horrores que ele testemunhou na guerra ameaçam destruir a existência de pai e filha. De mãos e pés atados, Hayley é obrigada a vê-lo ser lentamente derrotado pela depressão, e se entregar às drogas e à bebida para calar os demônios interiores. É então que seu próprio passado vem à tona, e o presente se estilhaça... anunciando um futuro totalmente incerto.
O que você deve fazer para proteger a vida de seu pai quando a morte o está rondando? Que atitude tomar quando os papéis de pai e filha se invertem? E o que acontece quando aquele garoto encantador e divertido entra no seu mundo sem pedir licença e, pela primeira vez, você se vê pensando no futuro?
Atual, surpreendente, irresistível, A impossível faca da memória é Laurie Halse Anderson no seu auge.



Livro: A impossível faca da memoria|| Autor: Laurie Halse Anderson
Editora: Valentina||Ano: 2019 || Gênero:  Young Adult || Tradução:
 Classificação:  4,5 estrelas || Resenhista: Karina

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Aviso de Gatilhos Emocionais: Depressão, violência, uso de drogas e suicídio.

Já vou começar dizendo que sou fã da Laurie Halse Anderson, por todos os livro que já li da autora, não teve nenhum que não me modificou de alguma maneira. As histórias que a autora conta começam de uma maneira simples e parecem que não vão levar a lugar nenhum, mas elas continuam com a gente mesmo depois de terminarmos a leitura.

"Uma pessoa que precisa anunciar que é digna de confiança merece mais é que a gente minta."

Como qualquer outro Young Adult, acompanhamos Hayley Kincay no último ano da escola, mas o passado de Hayley não é como de qualquer outra adolescente, ela é filha de militar aposentado, passou boa parte da adolescência sendo educada pelo pai pulando de cidade em cidade.

Tendo um pai que sofre de stress pós traumático e não admite isso em hipótese nenhuma, a garota precisou aprender a cuidar de si mesma e do pai, e assim se tornou uma garota retraída, com uma única melhor amiga que fará de tudo para afastar Finn.

"— Matar gente é mais fácil do que deveria ser. — Papai colocou a boina.— Sobreviver é mais difícil."
Finn é possivelmente meu novo crush literário, porque se tem um personagem encantador, definitivamente esse personagem é ele. Um garoto que entende exatamente a necessidade de Hayley de ter o próprio espaço, mas sem forçar a barra vai mostrando que está tudo bem confiar nas pessoas.

"Quando eu estava com Finn, o mundo girava direitinho na sua órbita, e a gravidade funcionava. Em casa, o planeta se inclinava tanto que era difícil dizer qual era o lado para cima."

E é nessa atmosfera que vamos acompanhar a Hayle se descobrindo e aprendendo a lidar com tudo a sua volta, desde os problemas com o pai, até o primeiro amor.



Começo dizendo que esse é um livro difícil de ser lido, pelos trechos com carga dramática pesada, e os gatilhos podem agravar isso para algumas pessoas. Mas a Laurie conduz o livro com maestria, ela utiliza uma narração singela, mas carregada de temas importantes, e o melhor ainda, é que sem romantizar esses assuntos, mostrando todos os lados, e as consequências dos transtornos para as pessoas e para quem convive ao lado delas. 

No momento que estamos é muito importante falar sobre algumas doenças que são muito comum nas pessoas hoje em dia, como a depressão, que ainda é tratada de modo leviano por muitos. Aqui também é abordado o TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) e muitos outros temas complicados. 

Mas mais do que doenças, a Laurie mostra os sentimentos das pessoas, como elas agem em frente a situações complicadas, como a amizade e amor pode mudar e muito a vida de uma pessoa. As vezes, eles estão ali pedindo ajuda e você apenas finge que não vê. 

A proporção entre drama e auto descoberta é perfeita, Hayley tem um humor ácido que nos faz rir mesmo em momentos de tensão, ela luta contra a zumbificação dos outros adolescente na escola. Todos os personagens secundários apresentam dramas em paralelo que compõe quadros bem da vida cotidiana, o que nos aproxima bastante da realidade.

O título num primeiro momento pode parecer bem enigmatístico, eu ficava tentando entender o que aquilo queria me dizer sobre a história, mas aos poucos fez completamente sentido, Hayley não lembra muito bem como era a vida antes de sair com o pai por várias e várias cidades, as lembranças da infância com a madrasta são todas meio nebulosas e sempre nos faz questionar o quanto a realidade é realmente como lembramos quando passamos por perdas, abandonos e traumas.

Não se pode fugir da dor, garota. Lute com ela e fique mais forte.

Nessa história tem espaço para você se revoltar com o Andy (ontem já se viu um pai desistir de tantas maneiras de uma filha), tem espaço para chorar e cuidar dele, tem espaço para gritar com a Hayley e mostrar que nem sempre podemos resolver tudo sozinho, tem espaço para suspirar com os primeiros amores. Esse é sem dúvida um livro cheio de emoções, uma montanha russa cheia de perigos e crescimento; a única coisa que me fez tirar 0,5 estrelinhas é que depois do acontecimento que nos encaminha para o desfecho tudo foi muito rápido demais, eu queria pelo menos mais umas 20 páginas a mais.

A impossível faca da memória é um livro que aborda a vida de pessoas com transtornos e como modifica quem a tem e quem as cerca, nós mostra como é difícil para as pessoas pedirem ajuda, e como você deve sim, prestar atenção a sua volta, e oferecer toda a ajuda, nem que seja um abraço para quem precisa. Uma leitura muito necessária para todos terem uma outra visão sobre as pessoas. 

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4 comentários :

  1. Olá! Sempre achei essa capa interessante, mas nunca procurei saber sobre o que a história se tratava, mas agora que sei, quero muito fazer essa leitura cheia de emoções.
    De fato, esse é um livro extremamente necessário, é preciso que os transtornos sejam abordados, para mostrar como é a realidade dessas pessoas e as consequências que os transtornos trazem tanto para a própria pessoa quanto para quem a cerca. Achei ótimo e muito importante a autora tratar assuntos importantes, mas sem romantiza-los, como muitas vezes a gente vê acontecer.
    Achei linda a mensagem que o livro também passa de que o amor e a amizade podem transformar a nossa vida!
    Estou animada para acompanhar Hayley em sua autodescoberta e conhecer Finn, que parece um personagem muito encantador mesmo, que respeita a protagonista e a entende.
    Parabéns pela resenha, ficou ótima! E muito obrigada pela indicação, esse livro vai direto para minha lista de desejados!
    Beijos! ♡

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  2. Olá!
    Já tinha lido algo em relação ao livro e estou bastante interessada por ele. A trama tem uma ótima premissa, aborda temas bastante interessante como depressão e TEPT que basicamente uma situação muito complicada. Espero mesmo ter a oportunidade de ler em breve!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  3. Oiii ❤ Gosto muito de livros nesse estilo, que além de apresentar uma boa trama, nos fazem refletir.
    Achei muito importante os temas que a autora trabalhou no livro, transtornos mentais são algo sério, que precisam ser tratados e abordados. Mas que muitas vezes, infelizmente, são tratados com indiferença e como frescura.
    Deve ser legal acompanhar o amadurecimento de Hayley, ver se auto descobrindo, aprendendo a lidar com as situações ao seu redor e com o pai e se apaixonando.
    Com certeza, vou querer fazer essa leitura.
    Beijos ❤

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  4. Nossa que livro importante, os temas abordados estão a nossa volta, é bom lermos sobre o assunto, assim podemos prestar mais atenção em quem esta à nossa volta, pode ter detalhes no livro que fazem a diferença nessa hora de perceber algo. Fiquei com dó da protagonista e do pai, ela passa por muitas coisas, é uma leitura que precisa estar preparado, pois vai nos afetar e muito, deve dar uma aflição a cada virada de página.

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