26 agosto 2019

Me diz aí #2... como se traduz um livro

Todas nós aqui do ELB, direta ou indiretamente, estamos sempre flertando com o mundo da tradução e quando eu e Lud estávamos pensando em temas para para o "Me diz aí", o nome que nos vinha a mente para o assunto de tradução sempre foi o da mesma pessoa, muito provavelmente vocês já devem ter escutado o nome dela no mundo literário então chegou a hora de colocarmos um rosto nesse nome! Senhoras e Senhores sem mais mistérios a nossa convidada do Me diz aí #02 : Regiane Winarski.


                          


Regiane se apresenta assim nas redes sociais :

Formada em Produção Editorial pela ECO-UFRJ e tradutora de inglês para português desde 2008. É especializada em tradução literária para editoras como Suma, DarkSide, Rocco, Intrínseca, Record e outras, com mais de cem livros publicados. Trabalha com uma ampla variedade de gêneros, como fantasia, suspense/horror e romances para adultos e jovens adultos, de autores como Stephen King, Rick Riordan e David Levithan. Tradutora do premiado livro de 2017 “O ódio que você semeia”, de Angie Thomas, publicado pela Galera Record.


Mas como boas Stalkers fãs que somos, achamos digno ressaltar que  Regiane Winarski formou-se em Comunicação Social na UFRJ em 1997 e sua monografia de conclusão de curso intitulada A tradução na indústria editorial. Trabalhou como professora de inglês no Instituto Brasil-Estados Unidos entre 1996 e 2006 e na Associação Brasileira de Cultura Inglesa entre 2000 e 2006, na mesma cidade. Agora posso confessar: Enquanto eu  (Karina) mantinha contato com a Regiane por e-mail, tive que me policiar para não parecer a fã louca, rs !

Nem todo mundo aqui no Brasil lê direto do Inglês (língua de 80% do que é produzido no mundo literário), mas quando pegamos o livro prontinho em nossas mãos esquecemos os diversos processos até que ele chegue em nossas mãos, por conta disso tivemos essa curiosidade de conversar um pouco com a Regiane, e trazer para vocês como é esse processo de tradução. 

Dito isso, vamos finalizar dizendo por aqui que a consideramos uma Tradutora do C*, que traduziu muitos dos livros que lemos e antes de continuarmos, vamos fazer um desafio: nas suas próximas leituras preste bem atenção no nome do responsável por trazer aquela leitura para a nossa língua, você vai se surpreender com a frequência que o nome da Regiane aparece!

Então, vamos lá.

Me diz ai... como você escolheu ser tradutora de livros? Já vimos no seu instagram que o principal passo foi o nascimento da sua filha (por motivos de poder trabalhar em home office) mas olhando lá para a época da faculdade que tinha uma gama de oportunidades, o tema da sua monografia já era sobre tradução, então foi uma paixão ou foi uma feliz coincidência?

A tradução sempre foi uma paixão, desde que escolhi como tema da monografia no curso de Produção Editorial. Mas assim como acontece com tanta gente que vem conversar comigo pelas redes sociais, eu não sabia por onde começar. Quando estava no meio da faculdade e precisando trabalhar e ganhar dinheiro, surgiu a oportunidade das aulas de inglês (eu já tinha feito a licenciatura) e mergulhei de cabeça. Quando me formei, já estava bem encaminhada nas aulas e não quis e não podia interromper o que já estava fazendo pra começar do zero numa carreira na qual eu nem sabia por onde entrar. A decisão de investir na tradução quando minha filha nasceu veio em outra época, eu já estava casada havia uns anos e estava numa situação um pouco menos complicada. Meu marido pôde segurar as pontas das contas da casa pra eu investir nisso, e felizmente compensou!



Me Diz aí... como é o processo de tradução de um livro. Desde o momento que você é contactada, até o livro entregue. (você lê primeiro e depois traduz, vai lendo e traduzindo? Revisar é mais desesperador ou gratificante?)

Bom, normalmente a editora me manda um e-mail com a proposta, citando qual é o livro, qual é o prazo, o valor. Eu costumo pesquisar um pouco sobre o livro na internet pra ver qual é a repercussão dele (em caso de livro que já foi lançado no exterior) e avaliar minha agenda pra ver se o prazo está bom, se vai ter conflito com algum evento, essas coisas. Depois que aceito, recebo o material e já faço uma planilha pra estabelecer minhas metas de trabalho e qual vai ser o prazo da revisão. Em geral, começo no dia seguinte. Eu nunca leio o livro antes porque desvendar a história é uma motivação pra mim. Costumo deixar dias livres pra imprevistos, porque sempre acontece alguma coisa em alguns dias que me impedem de trabalhar, e assim eu tenho dias sobrando no planejamento pra compensar. E deixo uns dias no final (dependendo do tamanho do livro) pra revisar, que pra mim é a parte mais chata. Primeiro porque eu acabei de ler o livro, então já sei a história, e também porque gosto de fazer essa parte bem devagar, mas nunca tenho tempo pra ir tão devagar quanto eu gostaria.


Me diz aí... você já recusou muita tradução? Teve alguma que você estava fazendo e detestou a história, (não precisa falar qual), mas teve que continuar firme e forte ?

Eu não gosto de recusar trabalho, haha, mas, sim, já precisei recusar. Em geral, por estar com a agenda muito cheia e não conseguir encaixar. Mas já aconteceu de recusar porque o valor proposto era muito baixo, ou porque o prazo era curto demais, e um por ser de um tema que eu não gosto de traduzir. E, sim, tive um livro que detestei da primeira à última palavra e foi um martírio pra traduzir. Mas foi só um mesmo. Alguns têm só algumas partes chatas ou arrastadas ou enroladas, mas o livro inteiro foi só um.



Me diz aí... que tipo de cena é mais divertida de traduzir? A mais complicada? Qual é seu trabalho favorito até o momento?

Eu adoro traduzir cenas de comédia, daquelas bem cheias de palhaçada, com jogos de palavras, trocadilhos... Dá um trabalho danado, mas é muito divertido. Cenas de luta são bem complicadas, porque eu preciso entender como foi cada golpe, em que posição estão os corpos, como eles se movimentam. Cenas de sexo, idem, rs. Agora é muito difícil responder de qual mais gostei, porque tenho tantos livros queridos! Eu tenho um lugar especial no coração pelos livros YA (pra adolescentes e jovens adultos) e especialmente os de temática LGBTQI+, por causa da importância deles pra juventude de hoje.



Me diz aí...tem algum livro que você tenha lido recentemente que ainda não foi publicado aqui e que você adoraria trabalhar no título ?

Eu tenho lido tão pouco! E quando leio, normalmente são coisas lançadas há muito tempo. Ah, mas tem uma autora chamada Nova Ren Suma que me desperta grande interesse e ainda não foi traduzida pro português. Comprei um livro dela em inglês e está na minha lista de leituras.



Me diz aí... para essa geração nova, que cada vez mais se interessa pelo mercado literário, o que você tem para falar da profissão de forma geral, as oportunidades, dificuldades...

Acho que a nova geração de tradutores tem a faca e o queijo na mão... mas precisa investir muito em ser o melhor que puder ser. Há espaço no mercado (embora as oportunidades não sejam tão fáceis de conseguir), mas a pessoa tem que ser muito boa. Uma editora só vai trocar alguém conhecido por um desconhecido se esse desconhecido for excelente. Por isso, sempre digo que leiam muito, muito mesmo, tanto original em português e traduções pra português quanto originais do idioma do qual a pessoa quer traduzir (que a gente chama de língua de partida). O tradutor tem que escrever muito bem, tem que conhecer muito o português, ser ótimo em pesquisas e ter muita disposição e disciplina. Organizem seus horários, planejem trabalhos, não percam prazos.


Mesa de trabalho da Regiane, é daqui que sai muita das versões dos livros que amamos !


Eu não sei vocês, mas depois desse "Me diz aí" por aqui seguimos ainda mais fãs do trabalho da Regiane que é uma fofa super acessível ! Para quem quiser acompanhá-la nas redes sociais você podem encontrá-la no:


Twitter: RegianeWinarski

Instagram: regianewinarski


Nós vamos ficando por aqui, mas antes nos digam: Vocês já conheciam a Regiane? Vocês costumam prestar atenção nos tradutores? Tem algum tradutor favorito? Queremos saber quais assuntos você querem aqui na coluna dos bastidores do mundo literário, então não vá embora antes de nos contar...e  até o próximo !

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3 comentários :

  1. Amei a entrevista!
    Sempre tive essa dúvida de como eram traduzidos os livros e foi muito interessante saber como é!

    Amei <3

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  2. Meninas, ADOREI a entrevista, parabéns!
    A Regiane faz um trabalho incrível

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  3. Excelente entrevista, acabou com muitas curiosidades e agora com certeza eu vou prestar atenção nos nomes dos tradutores dos livros. Adorei!!!

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