17 junho 2019

[Resenha] À sombra das torres ausentes - Art Spiegelmam


Único autor de quadrinhos a ganhar o Prêmio Pulitzer, Art Spiegelman, ficou conhecido por sua visão ímpar sobre o Holocausto em "Maus". Depois de um longo período trabalhando com ilustrações para capas de revistas, histórias breves e livros infantis, À Sombra das Torres Ausentes é o primeiro livro de quadrinhos lançado por Art desde "Maus". Indignado pelo Atentado de 11 de Setembro e traumatizado com a política de George W. Bush após a tragédia, o artista volta aos quadrinhos para tentar entender e explicar o que se passava com os americanos. No dia anterior aos ataques, 10/09, Art e sua mulher, Françoise Mouly, editora de artes da revista The New Yorker, matricularam a filha numa escola situada aos pés do World Trade Center. Quando viram na televisão a primeira torre ser atingida pelo avião, foram desesperados ao encontro de Nadja e conseguiram encontrá-la pouco antes que a outra torre desabasse, por detrás deles. Em seguida, correram para pegar o outro filho, Dashiell, na Escola das Nações Unidas. Essa experiência angustiante está retratada em detalhes no livro. Assim como em "Maus", Art, trata magistralmente do impacto de traumas da história contemporânea em sua vida pessoal. Mas vai além de sua experiência pessoal e faz uma reflexão sobre as razões e os desdobramentos dessa tragédia que permitiu ao governo americano justificar uma guerra contra o Iraque e que vitimou quase 3 mil pessoas. O formato escolhido para as pranchas é o mesmo das primeiras histórias em quadrinhos publicadas em jornal no fim do século XIX. Foi nessas despretensiosas e velhas tiras que o artista encontrou alívio depois de 11/09. Por isso na última parte do livro ele incluiu um imperdível "Suplemento de Quadrinhos" com alguns clássicos, como Happy Hooligan, Krazy Kat, Little Nemo...        


                     Livro: A sombra das torres ausentes|| Autor:  Art Spiegelmam
Editora: Quadrinhos na Cia||Ano:  || Gênero:  HQ
 Classificação:  5 estrelas || Resenhista: Karina

Em “A Sombra das Torres Ausentes” vamos acompanhar a história de alguém que foi testemunha/vítima dos atentados terroristas do 11 de Setembro (quando 2 aviões se chocaram contra as torres do World Tarde Center) em Nova Iorque, nos Estados Unidos em 2001.

Só por isso esse HQ já me chama atenção porque, adoro qualquer livro que tenha como temática guerra, disputadas, vinganças que fazem parte da história mundial... e essa é uma parte da história que meio que vi acontecer mesmo estando a muitos quilômetros de distância, lembro exatamente o que eu estava fazendo quando interromperam os desenhos animados para noticiar os ataques.

Eu estava na sala da minha casa assistindo desenho animado e tomando café da manhã com bolacha passatempo, eu não tinha a mínima ideia do que aquelas torres eram ou representavam e só quando cheguei na escola e vi meu amigo chorando porque o pai dele estava lá é que percebi a proporção da tragédia; acredito que quase todos lembrem onde estavam ou o que estavam fazendo naquele dia; mas vamos voltar a história e a maneira como esse livro foi construído para poder entender porque esse Graphic Novel merece mais que 5 estrelas.

O personagem desse livro é o próprio autor, Art Spiegelmam, que também é autor e personagem no livro de quadrinho “Maus” (que retrata a história do pai dele, um judeu polonês que viveu em Auschwitz durante a segunda guerra mundial) – pausa para o meu comentário aleatório: Gente do céu, quanta história esse homem já testemunhou!



Agora Art não precisa recorrer as memórias de seu pai ou de outra pessoa, aqui ele batalha com a mente para organizar os horrores que presenciou com os próprios olhos! Esse é um quadrinho do tipo “ensaio”, que segundo o dicionário, tem por definição: “texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões éticas e filosóficas a respeito de certo tema”.



No ano de 2001, Art estava morando na parte Sul de Manhattan, próximo ao local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center. As imagens dos aviões se chocando contra os prédios – e dos prédios indo ao chão – das pessoas se jogando do alto do prédio – mexeram com ele de uma maneira que o fez pensar qual a relação que ele tinha com Nova Iorque, lhe causaram desespero até ir buscar a filha no colégio que era também muito próximo as torres.


Depois de alguns dias, Art criou uma capa para o jornal New Yorker em parceria com sua esposa Françoise Mouly, editora do jornal. Mas só a capa não dava conta de dizer tudo o que ele sentia, faltava colocar mais para fora, exorcizar os demônios que o perseguiam assim como tinha feito em “Maus” com relação ao Holocausto e a história do pai. Essa é uma construção diferente de “Maus”, “A Sombra das Torres Ausentes” pode até parecer confusa (o que faz total sentido) porque depois desse evento tudo tornou-se mais confuso não só para Art, mas para o mundo todo.

Estou inserida no mundo de quadrinho faz pouco tempo, mas com certeza essa é uma obra que me encantou pela maneira como é construída! Logo no início, antes de começarem as ilustrações, temos algumas explicações sobre como a obra foi surgindo e durante os quadrinhos fica claro as insatisfações de Art com as fatídicas eleições presidenciais norte-americanas em 2000, quando George W. Bush foi eleito sob circunstancias um tanto duvidosas com relação a apuração dos votos, o tom jornalístico é muito presente.

A edição é grande (muito grande), em papel cartonado impressa como se fosse folhas de jornais, a opinião do autor com relação a política não podia estar mais clara nas tirinhas (ele ataca tanto o partido Democrático quanto o Republicano), aborda a cultura americana chegando a insinuar que o sonho americano virou um pesadelo.



O fato é que seja para Art que viveu a poucos metros de distância todo esse horror ou para a minha pessoa que viu um amigo de escola chorar pelo pai (que sobreviveu aos ataques somente por ter se atrasado para o trabalho naquele dia) esse livro é mais que 5 estrelas, em meio a tantas teorias da conspiração essa narração é um respiro e está mais que recomendado, afinal retrata uma história que mudou a todos nós e nos trouxe uma nova realidade, o termo terrorismo que até então quase desconhecido, agora infelizmente faz parte do nosso dia a dia.



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6 comentários :

  1. Sim, eu me lembro muito bem do que estava fazendo nesse dia fatídico. É um dia que ninguém que viu, mesmo que pela TV, vai conseguir esquecer. Imagina par ao autor que viu tudo de perto.
    Eu não sou uma leitura de HQs, mas essa, por ser baseada em fatos reais me chamou a atenção. Pode ser que leia em algum momento. Gostei das ilustrações, bem dramáticas.

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  2. Olá! Ultimamente não tenho lido muitas HQs, mas essa em especial aguçou muito minha curiosidade. Geralmente me interesso bastante por livros, HQs, filmes, entre outros, que tratem de acontecimentos históricos, principalmente guerras. Nossa, esse homem de fato já vivenciou/testemunhou tanta coisa, estou animada para ver as experiências dele e suas críticas. Gostei muito do teor das ilustrações, isso com certeza garante um destaque maior ainda a obra. Ainda não conhecia sobre essa HQ, muito obrigada por falar sobre ela aqui no blog! Beijos!

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  3. Oiii ❤ Em primeiro lugar preciso dizer que estou impressionada! A pessoa tem que ser muito boa no que faz pra ganhar um Pulitzer.
    Achei legal que o autor é o próprio personagem, nunca vi nada parecido, achei bem original.
    Faz pouco tempo também que gosto de ler HQ's, mas tenho que dizer que elas têm me surpreendido muito. Gostei muito do tema trabalhado nesse quadrinho, que a trama é baseada em algo que realmente aconteceu, nunca li uma HQ que tratasse de um tema real.
    As ilustrações são incríveis, todas bem trabalhadas e desenhadas. As próprias cores combinam com o que está acontecendo.
    Obrigada pela dica ❤

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  4. Li Maus e gostei muito, agora estou curiosa para conferir essa obra do autor. Impossível esquecer esse dia, um verdadeiro horror, achei muito interessante o autor fazer uma HQ e colorida, gosto mais assim. Não sabia que ele tinha presenciado e morava perto do local, que sufoco deve ter passado ainda mais com a filha em uma escola próxima ao local, só de imaginar a história dele, fico pensando quantos mais estavam lá e tem esses momentos terríveis na memória.

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  5. Olá!
    Eu não li maus mas já ouvi fala bastante dele. E também não sou muito de quadrinhos mas tenho curiosidade em ler.. A historia das Torre Gêmeas é muito triste, eu não lembro o que tava fazendo quando anunciaram essa tragedia mas adorei como o autor fez a historia daquele dia em forma de quadrinho, fiquei bem encantada de querer ler.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  6. Que HQ incrível!
    Preciso ler mais HQs e essa parece ser ótimo.
    Apesar de um tema tão triste como o atentando de 11 de setembro, é de extrema importância que possamos ler mais sobre esse tema.
    Imagino a dor e o choque de todos os americanos...
    Assim que puder vou comprar.
    Bjs

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