08 junho 2019

[Crítica] Dumplin




Hoje nós vamos de resenha tripla (Lud, Lala e Sheila) e decidimos fazer a resenha juntas, porque eu li o livro e a Lala e a Sheila não, então teremos mais de um ponto de vista da adaptação.  

Para quem não sabe do que estamos falando, é da adaptação do livro Dumplin da autora Julie Murphy publicado pela editora Valentina e produzido pela Netflix.


 


Vamos ao que interessa então. O filme vai retratar um momento muito importante na vida da Willowdean - ou Will - uma menina normal que está no ensino médio e trabalha em uma lanchonete - Happy's. Will não tem o corpo que a maioria das meninas da escolha possui, ela é gorda. Mas ela se sente muito bem consigo mesma, e melhor ainda com a amizade com Ellen, que é o esteriótipo da beleza para as pessoas. 

A mãe da Will é a ex-miss de um famoso concurso realizado na sua cidade, e que após ter ganhado, ela passa a organizar. E todo ano Will se vê sufocada por todos os preparativos, e mais ainda por sua mãe, que sempre tem alguma nova dieta ou reportagem para mostrar a Will, que ela deveria seguir para conseguir emagrecer. E esse relacionamento com a mãe, que não é dos melhores, se agrava com a morte da tia, que era com quem Will se sentia mais próxima, a quem ela se espelhava.

Para juntar um pouco mais de confusão na vida da Will, ela conhece Bo, o menino que trabalha com ela na lanchonete, que também é um daqueles meninos que Will pensou que nunca se interessaria, mas ela começa a reparar nele, e ele nela. Sem poder contar para a amiga, e perdida em um terreno que não conhece, Will começa a duvidar um pouco de si e se vê presa nos padrões que as pessoas estipulam.

E decidida a voltar a ser a menina confiante que sempre foi, ela se inscreve no concurso de Miss organizado pela mãe, para provar a todos que não existe um padrão para a beleza, e que ela não é menos por não se encaixar nessa categoria imposta. Claro que ela não está sozinha; inspiradas por Will, mais três menina que não se encaixam no padrão se inscrevem no concurso, e juntas elas vão se divertir e encontrar a si mesmas ao som de Dolly Parton. 


Esse foi o panorama geral do que se trata o filme. Agora vamos com a opinião. 


Como leitora do livro, ver o filme foi até satisfatório. Muitas coisas são como o livro sugere e algumas coisas que ao meu ver, eram bem importantes, foram deixadas de lado. Senti falta da parte do romance, no livro é muito mais bem abordado que no filme. E eu acho uma questão muito legal de se conversar, porque mostra sentimentos de muitas meninas, em não se sentirem a alturas das outras pessoas, ainda mais de meninos. Então, é um outro assunto bem polêmico de se abordar, mas eu entendo que eles quiserem focar mais na autodescoberta da Willowdean, e não trazer toda a carga romântica, tirando a atenção do que eles queriam do filme. 

Teve várias outras coisinhas que eles amenizaram, mas entendo que não cabe tudo de um livro dentro de um filme. E como fãs, sempre queremos que seja fiel nos mínimos detalhes mas não é bem assim.  Mesmo com as minhas ressaltas, é um filme que eu amei, e que recomendo para todo mundo, eu fiquei cantando as músicas por semanas.

Laura - Como quem viu apenas o filme não me senti incomodada por esses detalhes como a Lud. Achei o filme bem fofinho, toda a trajetória da Will nos faz refletir pelo que ela está passando, além de todos os conflitos normais de uma adolescente, ainda ter que viver a sombra da beleza da mãe e da melhor amiga, a perda da tia, e o fato de não se encaixar no padrão estipulado pela sociedade. Sou adulta, 30 anos, e obviamente entendo os desafios da Will, mas me coloco no lugar de outras jovens que passam pelo que a Will está passando ou tem alguém semelhante na escola, filmes assim ajudam a desenvolver empatia, a se colocar no lugar dos outros, um problema que vejo cada vez mais nos adolescentes.

Não senti falta de nenhum aspecto na narração do livro, achei bem coerente. Gostei do emponderamento da nossa protagonista, de vê-la lutar pelo que acredita e se desenvolver desafiando os parâmetros ditados pela sociedade.


Opinião Sheila - Sou daquelas que sempre gostam mais do livro porque ele traz mais detalhes, porém, me surpreendi. O que eu mais gostei de ver no filme foi a caracterização da cidade pequena em que as meninas viviam, interiorana dos Estados Unidos em um estado bem conservador como o Texas. Adoro ver a vidinha de cidades que não costumam constar em roteiros de viagem, e suas tradições e conceitos ou preconceitos. Ver ressaltada na tela a briga de estereótipos impostos à mulher e as pessoas de outra opção sexual, retratada tão puramente foi muito belo e espero que ajude muitas pessoas que se encaixaram nos perfis a terem a força de se amarem.

Foi importante ver o poder que as pessoas tem de nos inspirar como a tia de Willowdean ou de nos colocar para baixo como a mãe dela. E adorei mais ainda a descoberta da protagonista de que isso não pode acontecer que depende de nós, nosso estado de espirito e aceitação, que devemos nos apoiar e acreditar em nós mesmas e que muitas vezes nós nos afastamos das pessoas por não nos aceitarmos como somos. O filme tem um vibe Power Girl que flui naturalmente e nos encanta com uma personagem sutil e sincera que nos envolve e nos ensina a desconstruir o outro.


Bem depois de tudo isso, se você não está convencido, preciso dizer que a Trilha sonora está maravilhosa. 



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Um comentário :

  1. Adorei muitoooooo esse filme.
    Agora quero ler o livro.
    Imagino que tenha tido diferenças mas acontece né.
    Bjs

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