22 maio 2019

[Resenha] Dicionario da Escravidão e Liberdade com organização de Lilial M, Schwarcz e Flavio Gomes



Cinquenta verbetes escritos por grandes especialistas e que compõem um panorama abrangente de como a escravidão se enraizou perversamente em nosso cotidiano.“Embora prefiram ‘escravidão’ a ‘escravidões’, a meia centena de ensaios concisos que Lilia Moritz Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes reuniram neste volume, com título e intenção de ser um dicionário temático, mostra a grande quantidade de faces que compõem o que é um poliedro em movimento.
Cada um desses textos convida a novos textos, a novas pesquisas, a aprofundamentos, a novas comparações e a contestações. Não faltam neste livro parágrafos sobre a espera, a busca e a obtenção da liberdade. Sobre a liberdade como antônimo de escravidão, mas que com ela coexiste para a ela se opor. Se estes ensaios nos dizem que o passado é sem esperança de conserto, eles não nos deixam esquecer que não há sombra sem luz.” Do prefácio de Alberto da Costa e Silva.


Livro: Dicionário da Escravidão e Liberdade  ||  Autor/ Organizadores: Lilia M. Schwarcz e Flávio Gomes
Editora: Companhia das Letras|| Ano: 2018 ||  Gênero:  História do Brasil
 Classificação:  4,5 estrelas  ||  Resenhista: Karina

Se você parar para pensar no seu eu lá da época da escola, e pensar no dia 13 de maio, qual evento marca essa data ? Provavelmente, você vai se lembrar da abolição da escravatura.... muito tempo talvez tenha se passado desde que você saiu da escola (ou não) e o livro da resenha de hoje vem justamente para nos fazer pensar um pouco sobre essa data.

Falar sobre escravatura no Brasil é muitíssimo complicado porque existem pessoas que simplesmente negam que esse período ocorreu ou ainda que o Brasil é um país vergonhosamente fundamentado em preconceitos raciais e um abismo entre as classes sociais.

Mesmo com tantos pontos polêmicos que podem vir a enfrentar Lilia M. Schwarcz (professora no departamento de Antropologia da USP) e Flávio Gomes (Doutor em História Social pela Universidade Unicamp) no apresenta um livro sobre uma história que não é uma história fictícia, esse livro é composto por 50 textos críticos organizado por temas sobre os conceitos de escravidão e liberdade indígena e Africana no Brasil.
figura 94. Conjunto representando Negros de diferentes nações.


Em 2019 completam 131 anos da abolição da escravatura, mas o que na escola parecia ser uma data para se comemorar o movimento de resistência Negra no Brasil, nos mostra que é exatamente ao contrario, essa é uma data para nunca esquecer o tratamento dispensado aos que se tornaram ex escravos em nosso país.

O imaginário coletivo Brasileir, forjado por telenovelas e livros  didáticos, entre outros produtos culturais e educacionais, concebe o dia 13 de maio de 1888 como o marco da mudança nas relações de trabalho no país.

Fica impossível nos aprofundarmos em uma única resenhas nos 50 textos selecionados, mas a ideia aqui é trazer esse livro como uma leitura obrigatória para ser feita e refeita durante a vida, aqui nós somos levados a pensar sobre nosso lugar de fala, sobre o conceito de ser livre ou de ser escravo ou ainda sobre "África durante o comercio Negreiro" , "Africanos Livres" , " Castigos físicos e legislação", "Imprensa Negra", "Literatura e escravidão" entre outros recortes. 

Esse tema é uma ferida que precisamos mexer e curar; em um dos recortes os historiadores nos contam que 4,8 milhões de escravizados chegaram ao Brasil entre os anos de 1500 e 1850, de todos os escravizados chegados nas Américas, 46% foram destinados ao Brasil.


Quando lembramos o fato que o Brasil foi o último país há abolir a escravidão mercantil, devemos lembrar que ainda há muitos outros tipo de escravidão que está criando um sistema estrutural de desigualdade até hoje. E apesar desse fato ter ocorrido a mais de um século, torná-lo passivo é construir um novo tipo de escravidão velada na atualidade, independente do texto que você ler dentro desse livro, a sensação de contemporaneidade é bem assustadora, não é a toa que a possibilidade de um jovem negro ser assassinado pela polícia nos dias de hoje são infinitamente maiores do que um jovem branco e essa desigualdade não está ligada apenas a segurança, mas também a venerabilidade social como um todo.

A abolição ocorreu "ontem", se pensarmos em termos geracionistas. No entanto, com os associativismos e a imprensa negra de inicio do XX, com o crescimento dos movimentos contra o racismo, e com a retomada de uma produção acadêmica  [...] tal quadro indica novas mudanças. Resta saber como o presente será inventado nas narrativas sobre o passado, e como os projetos de futuro poderão delinear uma nação mais igual e cidadã.

Esse livro é um tremendo presente, uma ótima seleção de recortes sobre o assunto, quase uma obra de arte, o projeto gráfico do livro contém uma jacket que quando desdobrada se transforma num poster e o miolo contém um caderno de ilustrações que dá imagens ao que o texto descreve.

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3 comentários :

  1. Um livro importante, interessante e muito mais, nunca devemos esquecer sobre a escravidão, só de pensar no que o povo passou nesse período é de cortar o coração, quanto sofrimento passaram, embora vemos noticias que existem muitas pessoas passando tal sofrimento, infelizmente. A edição esta muito bonita.

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  2. Muito interessante esse livro. Esses 50 textos devem mostrar a verdade nua e crua por trás da escravidão. Infelizmente racismo e preconceito andam ainda muito latentes dentro da sociedade brasileira. Um livro que acho que é necessário ser lido, afinal isso faz parte da nossa história.

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  3. Olá!
    Essa parte da historia do Brasil é muito triste. Esse livro é uma forma de mostra a verdadeira historia de uma forma crua. Não sou muito de ler a historia, mas espero muito ter a oportunidade de ler.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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