13 abril 2019

[Resenha] Mais do Que Palavras Podem Dizer - Aos Perdidos, Com Amor # 2 - Brigid Kemmerer



Rev Fletcher ainda luta com demônios do passado. Mas, graças ao amor de seus pais adotivos, tem ficado bem. Uma carta de seu pai biológico, porém, traz novamente à tona a memória de uma infância violenta. Já Emma Blue tenta não pensar no divórcio dos pais, dedicando seu tempo a códigos e games. Mas, com o assédio persistente de um usuário anônimo, tudo fica ainda mais difícil. Em meio a tantas turbulências, Rev e Emma se encontram. E quanto mais perigosas se tornam as situações em que estão mergulhados, mais a confiança que têm um no outro é colocada à prova. Eles procuravam respostas… e encontraram um ao outro.
Do mesmo universo de Aos Perdidos, Com Amor.





Livro: Mais do Que Palavras Podem Dizer|| Série: Aos Perdidos, Com Amor  #2 || Autor: Brigid Kemmerer
Editora: V&R|| Ano: 2019 ||  Assunto:  YA, Morte, Perdas, Dor
 Classificação:  5 estrelas ||  Resenhista: Lud 

Assim que acabei de ler o primeiro livro, já comecei esse, e não saí do lugar enquanto não tinha terminado a leitura.

Quando vi que o Rev iria ser o protagonista desse livro, já sabia que iria ser mais forte do que o primeiro. Iria tratar de assuntos diferentes, mas não deixaria de tocar quem o lê, da mesma forma, ou mais, do que o livro anterior.

Rev é um menino que foi tirado da tutela do pai quando criança, devido a abusos físicos e psicológicos e agora vive com uma nova família, que o ama e o apoia em todos os momentos. Mas mesmo com tudo isso, ele tem muita coisa em sua mente, e é difícil se abrir para as pessoas, difícil superar muitas coisas do passado.

Emma é uma menina que adora jogar, inclusive que cria seu próprio jogo em uma tentativa de chamar a atenção do pai, que é programador. E dentro desse mundo ela se sente confortável, ao contrario de seu relacionamento com a mãe. Mas de repente, tudo muda e ela se vê no meio da separação dos pais. Sem qualquer conexão com qualquer pessoas, e cada vez mais perdida, ela encontra na internet um amigo que está sempre lá para ela. 

Mas, quando Emma encontra Rev, ela acha uma pessoa de carne e osso que a entende, como nem sua melhor amiga o faz, e essa improvável amizade será testada por diversos contratempos, quando o pai de Rev reaparece em sua vida, e Emma se envolve em uma situação perigosa. 




Dias se passaram desde que finalizei esse livro, até li vários depois e mesmo assim, essa resenha continuava a olhar para mim com aquele olhar acusatório de: você me esqueceu? Bem, eu não esqueci, mas estou com dificuldades de escrever sobre. Entretanto vamos tentar novamente. 

Como eu estava falando com a Raquel, não sei qual gostei mais, só sei que esse aqui, eu sofri mais pelo Rev, mas acho que gostei mais do casal do primeiro. Claro que as questões vividas por ambos os protagonistas são de total veracidade, mas ainda me conectei mais com a Juliet.

Rev é um personagem maravilhoso. Apesar de sofrer uma infância cruel, ele, a seu modo, consegue continuar com a vida, e lentamente se abrir para o mundo. Em vez de um menino revoltado (e com toda razão), ele é um garoto sensível, educado, inteligente. Um exemplo de como milhões de crianças estão ai apenas esperando uma família amorosa que lhes dê esperança e ensine o que é o amor. 

A Emma é o retrato dos dias de hoje, uma menina perdida em uma família que está se desmoronando, onde não há demonstração de afeto, nem conversas. O que existe é apenas a internet, e nela estamos sujeitos a todos os tipos de pessoas, e às armadilhas feitas para essas crianças ou mesmo pessoas, que se sentem sozinhos, que apenas procuram um pouco de afeto. Devo confessar, que lutei um pouco para gostar da Emma, ela não é uma personagem simpática logo de cara. 

Os dois personagens funcionaram muito bem para mim, porque às vezes apenas quem passa pela mesma coisa consegue entender o que o outro está passando, e essa conexão que se forma entre o casal é o ponto alto. Preciso pontuar que eu amei ver o Declan e a Juliette nesse livro, e como a amizade deles continua mais forte que nunca.  

Algumas coisas nesse livro mexeram com as minhas estruturas, porque me deu algo para pensar. Todo mundo já escutou algo como: você precisa defender com unhas e dentes o que acredita, e então você vê o pai do Rev defendendo o que ele acredita, assim como nos é falado, mas ele defende algo que está distorcido, mas para ele não. E isso é totalmente bizarro, como ele é capaz de fazer coisas inimaginável em nome dessa verdade que tanto acredita, mesmo que fira de todas as formas o ser humano que deveria proteger e amar. Mas veja que na mente doentia dele, ele está certo, não consegue enxergar como algo errado. Ok, você vai falar, e que que tem? É que cada vez mais eu enxergo pessoas trilhando esse mesmo caminho, defendendo com tanto afinco coisas que ferem outras pessoas, e isso me aterroriza muito, no estado do mundo que vivemos hoje.  

Brigid criou um enredo maravilhoso, onde dois mundos totalmente diferentes se colidem. De forma sutil e leve ela nos traz assuntos presentes no dia a dia de qualquer família, entrelaçados com temas fortes como o abuso psicológico e físico.

Não tenho palavras para dizer que amei ambos os livros da autora, e espero um próximo livro com um dos personagens que entrou nesse livro (Matthew), mas isso na minha cabeça mesmo, só preciso ler mais e mais do que a autora tem a dizer. 

Mais uma vez, a Brigid traz lágrimas aos olhos, com essas duas histórias de novos começos, amizade e amor.

QUOTES:

'Sei que construí muros a minha volta, mas nunca encontrei ninguém cujos muros parecessem igualmente impenetráveis. ''
.
''[...] talvez ambos estejamos quebrados e além do reparo.''
"– Obrigado.
– Pelo quê?
– Por me ver.
Então ele se vira, sai trotando pela rua e desaparece na escuridão."

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3 comentários :

  1. Gostei do enredo. Nunca li nada da autora, nem conhecia esses livros. Mas gosto de estórias em que os personagens, apesar de tudo, conseguem dar a voltar por cima e serem melhores do que acreditariam que poderiam ser.
    A capa é tão fofa, parece trazer um enredo bem tranquilo. Mas parece que não é isso o que acontece.
    Preciso conhecer a escrita dessa autora o quanto antes.

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  2. Não li o primeiro livro, mas esse parece ser uma daquelas histórias que pegam a gente de jeito, muito triste abusos assim onde o pai deveria proteger o filho e não fazer o que o pai do Rev faz e pior é saber que acontece demais na realidade, assim como na vida da Emma também.

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  3. Lud!
    Pois é, hoje em dia cada um está com a tendência de defender seus ideais e pensamentos de forma ferrenha, mas não percebem o quanto outras pesoas poderão ser atinjidas e que aquilo é totalmente distorcido.
    Rev parece que consegue superar todo sofrimento da infância e se torna alguém centrado e do bem, gostei disso.
    Não li nennhum dos livros ainda, mas gostei.
    cheirinhos
    Rudy

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