15 abril 2019

[Resenha] Longe de casa - Malala Yousafzai

Neste livro, a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz conta sua história de migração e dá voz a garotas que estão entre os milhões de refugiados pelo mundo.
Ao longo de sua jornada, a paquistanesa Malala Yousafzai visitou uma série de campos de refugiados, o que a levou a pensar sobre sua própria condição de migrante — primeiro dentro de seu país, ainda quando criança, e depois como ativista internacional, livre para viajar para qualquer canto do mundo, exceto sua terra natal.
Em Longe de casa, que é ao mesmo tempo um livro de memórias e uma narrativa coletiva, Malala explora sua própria trajetória de vida e apresenta as histórias de nove garotas de várias partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina, que tiveram que deixar para trás sua comunidade, seus parentes e o único lar que conheciam.Numa época de crises migratórias, guerras e disputas por fronteiras, Malala nos lembra que os 68,5 milhões de deslocados no mundo são mais do que uma estatística — cada um deles é uma pessoa com suas próprias vivências, sonhos e esperanças.



Livro:  Eu sou Malala || Autor: Malala Yousafzai 
Editora: Editora Seguinte|| Ano: 2019 Gênero:  Biografia
Classificação:  4.5 estrelas||  Resenhista: Karina


O novo livro da Malala gerou em mim muitas expectativas. Acompanho a história da garota há alguns anos e depois de entender quem ela era e como se tornou a garota mais jovem a receber o prêmio nobel da paz, qualquer coisa que ela tenha a dizer vale a pena ser ouvida. Esse é um livro autobiográfico não tem plots mirabolantes, mas os fatos que aconteceram com a Malala nos servem para abrir os olhos e o coração às outras milhares de Malalas que vivem no mundo, sem um poder de voz tão amplo. Foi partindo exatamente dessa ideia de dar voz que o novo livro foi publicado. 

Nunca deixa de me chocar que as pessoas considerem a paz algo garantido. Sou grata por ela todos os dias.

O livro é um exercício de empatia todo o tempo, depois de uma breve introdução de como a menina Malala se tornou conhecida pelo mundo, a garota compartilha o relato das situações que vem tomando conhecimento em sua jornada pelo mundo em prol de educação para garotas. Se compararmos o "Longe de casa" com o "Eu sou Malala", embora ambos tenham uma vibe documental muito forte, o "Longe de casa" é mais simples e intimo na maneira que se escreve, é quase se estivéssemos sentado numa sala escutando os relatos de viagem dela..



Tomando as  minhas experiências de vida, tenho a tendência de manter o coração aberto a qualquer história de refugiados. Porém, meus primeiros pensamentos são sempre que essa é uma situação muito distante da minha realidade. Vivo no Brasil e o pouquíssimo papel que o país desenvolve é receber algumas pessoas em nosso território sem nenhuma estrutura. 

O que o livro faz com maestria é aproximar mais essa realidade, há refugiados de países bem mais próximos, como a Venezuela, que temos visto cada vez mais nos jornais ou a Colômbia. Uma das historias relatadas aqui é de uma garota latino americana em deslocamento por conta da violência. 

Depois desse livro e das experiências que vi aqui relatadas, estou ainda mais disposta a tornar o menos dolorosa possível a experiência dessas pessoas que têm sido obrigadas a deixarem seus lares, seja ouvindo os relatos ou doando tempo em trabalhos comunitários que envolvam pessoas que estão perdendo sua identidade.

Compartilhei minha trajetória para honrar as meninas que conheci.mas agora é hora de compartilhar as histórias de algumas delas.

Maria, Muzoon , Najla, Marie Clare são garotas como eu e você que viviam em alguma parte do mundo, com seus costumes e tradições mas que tiveram seu mundo tirado delas. O que as diferenciam é que muitas delas foram e são obrigadas a fugir, às vezes apenas com a roupa do corpo, para não serem estupradas, escravizadas, vendidas ou mortas.

Não deixei meu país por escolha, mas retornarei por escolha. Ter uma escolha tão importante tirada de mim me deixou ainda mais apegada ás escolhas que posso fazer. Escolho falar.
Toda guerra tem por base a conquista de poder. Tirando a terra de alguém você não conquista apenas um território, você descaracteriza uma sociedade. Homogeneizar uma raça é cruel e ninguém discute isso. Pessoas com um mínimo de bom senso repudiam ditaduras e holocaustos, mas além de mantermos essas memorias vivas precisamos nos atentar às milhares de pequenas guerras que obrigam todos os dias famílias a trocarem de comunidade com o intuito de resistir e sobreviver. O livro, além de expor diversas experiências diferentes da nossas, ainda aponta um caminho para que possamos ajudar.
Estou longe de casa, e escolho usar as lembranças de momentos da minha vida para me ajudar a me conectar com 68,5 milhões de pessoas deslocadas e refugiados no mundo todo. Para vê-las, para ajuda-las, para compartilhar suas histórias.
As historias contadas são introduzidas com o nome da garota refugiada, sua origem e seu percurso até o destino onde ela está. Cada "capitulo" é aberto com um mapa referente ao espaço geográfico que aquela história contempla e conta sempre com um relato de em que momento a Malala encontrou a garota e depois um pequeno relato em primeira pessoa da história da garota em questão. Como essas histórias são curtas, o livro flui rápido. É aquele tipo de história que você consegue ler em apenas um dia apesar de o conteúdo causar um impacto que vai te acompanhar por muito tempo.

Depois de aprender com as vivências de outras garotas e plantar a semente do 'ajude você também', no final do livro ainda existe a informação de que *A renda proveniente deste livro será usada no Fundo Malala para a educação de meninas. 

Se você procura uma leitura para acrescentar nas metas, essa sem dúvida pode ser uma bela escolha. Somos um mosaico de experiências e ao terminar, carrego comigo cada pedaço doloroso das historias que conheci e espero doar um pouco de esperança àqueles que vivem um situações de total descrença na humanidade.

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Um comentário :

  1. Karina!
    Já tive oportunidade de ler um outro livro da Malala e é fascinante toda sua luta e por tudo que passou, nem tenho como imaginar.
    Infelizmente sabemos apenas o que a mídia quer passar e por um motivo ou outro, não nos aprofundamos em conhecer essa realidade tão distante da nossa.
    Acho importante também ter livros reais como esse dela.
    cheirinhos
    Rudy

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