28 abril 2019

[Resenha] A Garota Desaparecida - Lisa Gardner


Sete anos atrás, a estudante Flora passou 472 dias vivendo um pesadelo. Após ter sido sequestrada durante as férias de primavera, ela descobriu até onde o ser humano é capaz de ir para sobreviver.
Depois de resistir milagrosamente a tamanha tortura, viveu os últimos cinco anos tentando voltar a ter uma vida normal. O amor de sua mãe permanece o mesmo, mas outras coisas mudaram em sua rotina: seu irmão tem medo da pessoa que Flora se tornou, e no quarto dela há uma parede coberta com fotos de outras garotas que nunca voltaram para casa. Quando a detetive D. D. Warren é convocada para a cena de um crime, descobre que Flora está envolvida com outros três suspeitos desde seu retorno à sociedade. Mas a garota desaparece novamente, e D. D se dá conta de que um predador sinistro está a solta e, desta vez, determinado a fazer com que Flora Dane nunca mais escape. 


Livro:  A Garota Desaparecida || Autor: Lisa Gardner
  Editora: Guttenberg || Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Amanda
 Ano: 2019 || Gênero: Suspense, policial.

"Senti pena dela porque já havia entendido que a Flora que todo mundo conhecia e amava nunca mais voltaria para casa.
Havia simplesmente eu.
E eu nem sabia mais quem eu era."
Flora Dane passou 472 dias no inferno. Uma vida atrás, Flora havia sido uma jovem universitária cheia de vida, sonhos e aspirações. Mas, viver mais de um ano em cativeiro, passando boa parte de seus dias dentro de um caixão de madeira, subnutrida e sofrendo abuso físico e psicológico constante, fez da jovem líder de torcida animada alguém irreconhecível. Agora, sete anos depois, ela parece incapaz de criar vínculos com outras pessoas, inclusive sua família, que não sabe como lidar com essa Flora completamente diferente da menininha feliz que cresceu correndo atrás de raposas na fazenda. Ela agora dedica seus dias de liberdade a aprender autodefesa para que nunca estivesse indefesa novamente.

D.D está vivendo uma fase difícil em sua carreira de policial. Recentemente afastada do trabalho de campo devido a um acidente no cumprimento do dever, ela se vê limitada ao posto de supervisora de cena de crime, e em sua maior parte, ao serviço burocrático (que ela odeia). Ao se deparar com um crime especialmente curioso, ela pressente que seu trabalho só ficará mais difícil.

Um homem é queimado até a morte. O problema? A suspeita por trás do homicídio alega ter sido levada ao local do crime contra sua vontade e que é um caso de legítima defesa, uma vez que o sequestro provavelmente teria culminado em estupro seguido de assassinato. Logo, o uso de força letal foi justificado. Inclusive, a suspeita que alega, na verdade, ser a vítima é firme em afirmar que o homem é um predador e certamente fez outras vítimas antes dela. Para completar, sua suspeita/vítima, que devia ser processada e acusada, não é nada mais nada menos que Florance Dane.
"Não é que sobreviventes não tenham direito a um final feliz. É só que... depois de sobreviver, você precisa viver. E na vida real, alguns dias são cinzentos. Algumas noites, pesadas. Às vezes você chora sem motivo aparente, sente pena de si mesma, se olha no espelho e não reconhece a garota olhando de volta para você."
O caso tem tudo para ser um prato cheio para a mídia e um pesadelo para as relações públicas. Caso Flora esteja certa, o homem que a sequestrou bate com a descrição do responsável de um caso recente, ainda em aberto e sem novas pistas - além de muito popular nas mídias - de sequestro de uma jovem universitária com o mesmo perfil de Flora. A detetive imediatamente começa a ligar os pontos e desconfiar das similaridades do caso. O comportamento de Flora é, no mínimo, suspeito, e quanto mais D.D. desenterra seu histórico, mais incidentes relacionados à Flora geram mais perguntas e menos respostas. Tudo indica que a mulher estava tentando servir de isca para predadores em potencial para caçá-los.

As coisas se complicam quando Flora desaparece sem deixar qualquer vestígio. D.D. é obrigada a repensar tudo o que ela suspeitava até então para conseguir desvendar o mistério que liga as mulheres antes que seja tarde demais.


O livro é intercalado em primeira e terceira pessoa. Contamos com flashbacks do tempo de Flora em cativeiro e como isso a moldou e afetou sua personalidade, transformando-a na mulher que é agora, além do que está acontecendo na investigação. 

A personagem que na minha opinião foi mais interessante de acompanhar foi Flora. Devido sua experiência em cativeiro, ela lidou com o fato de ser uma sobrevivente muito bem, considerando tudo. Desenvolveu traumas que acompanham ela no decorrer da vida, mas transformou o medo em força e foi atrás de fazer a diferença com suas habilidades. 

O suspense do livro se dá justamente no fato de não termos certeza até onde o tempo em cativeiro moldou Flora e no que exatamente ela se tornou, inclusive a polícia tinha dúvidas se ela ainda se enquadrava no aspecto de vítima ou se tinha assumido um outro papel no esquema geral. E esse estigma de não sabermos se ela é realmente a heroína ou a nova antagonista do enredo é o que acaba nos prendendo à história.

Esse livro porém, possui uma pequena peculiaridade. Assim como "Bem atrás de você" que era o volume 7 da série Quincy & Rainie; "A Garota Desaparecida" é volume 8 da série Detetive D.D Warren e assim como o outro, o livro não precisa que você leia necessariamente na sequência devido ao fato de serem casos independentes uns dos outros. Eu, particularmente, senti falta de ter lido os outros porque claramente em algum caso passado - provavelmente no livro 7 -, a D.D. se acidentou no trabalho e foi afastada dessa parte do serviço de campo. Eu sabia que havia um contexto ali, mas não sei exatamente o que ocasionou o episódio, sabem? Me senti como se, de fato, estivesse lendo o livro pela metade em cenas como essa. Sensação que não tive tanto com "Bem atrás de você". Então se tiverem a oportunidade tentem ler na ordem!
"Quem sou eu? Quem é alguém? Todos nós acumulamos nossas falhas. Desde 'eu não deveria ter bebido tanto naquela noite' até 'eu nunca deveria ter lutado tanto para viver'".
É um livro de suspense perfeito para quem curte reviravoltas e guinadas inesperadas, eu não consegui largar o livro da metade para o final. Lisa Gardner tem o dom de nos fazer mergulhar na psique de seus personagens e nos confundir, sem nos dar certeza de quem é vilão e quem é mocinho. Sou fã!

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4 comentários :

  1. Eu amo livro assim. Um terror psicológico, uns mistérios a serem desvendados. A Lisa Gardner é excelente na criação desses enredos, e a sua personagem, a detetive D. D. Warren é magnífica. Ela fez uma personagem muito humana.
    Já li alguns livros dessa série, claro que vou ler esse e vou ler na ordem pra não me sentir perdida.
    Agora fiquei curiosa para saber se Flora é a vítima mesmo ou se ela virou a vilã na estória.

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  2. Amanda!
    Sou bem fão da autora e já li uns três livros dessa série e amei.
    Mesmo que os livros possam ser lidos de forma independente, gosto de poder ler na sequência, mas essa já chegou com os lançamentos todo fora de ordem aqui no Brasil, fazer o que?
    Fato é que o livro parece ais um tremendo thriller psicol[ógico e já quero poder ler.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Achei oito livros muito, porque sou dessas que gosto de seguir a ordem direitinho rs. Adoro reviravoltas elas costumam surpreender, achei bem misterioso esse livro por causa da Flora que não se sabe ao certo de que lado ela esta, isso é instigante, deixa a leitura bem envolvente.

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  4. Olá!
    Gosto muito de livros que tem essa trama que envolve investigação, faz com que o leitor fique mais ativo e ansiosa pelo que irá acontecer.Esse livro tem uma premissa ótima e fiquei muito curiosa por ele.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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