14 março 2019

[Resenha] Dando um tempo - Marian Keyes



O aguardado novo romance da autora best-seller de Melancia e A mulher que roubou a minha vida. Amy e Hugh vivem o que se pode chamar de casamento perfeito, e apesar de o dinheiro ser curto e o estresse ser muito, sua vida segue uma rotina confortável… até que a morte do pai e de um grande amigo desencadeia em Hugh uma intensa crise durante a qual ele decide que precisa dar um tempo de tudo, sobretudo da vida a dois, e parte rumo ao sudeste asiático, por onde viajará por seis meses. Incapaz de fazer o marido mudar de ideia, Amy sabe que muita coisa pode mudar nesses seis meses. Quando Hugh voltar se voltar , será ainda o mesmo homem com quem se casou? E será ela a mesma mulher? Afinal, se ele está dando um tempo do casamento, ela também está, não é?




 Livro: Dando um Tempo || Autor: Marian Keyes 
 Editora: Bertrand Brasil || Ano: 2018  ||  Gênero: Romance
     Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Barbara

Skoob |Compre | Editora
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Que livro! Que misto de sentimentos ... Não posso negar que Dando um tempo me deixou um pouco revoltada, acho que muitas mulheres quando começarem a ler vão se sentir dessa maneira. Imagina, você é casada por muitos anos, depois de ter sido abandonada pelo primeiro marido, com duas filhas – uma do primeiro casamento e uma do segundo – e mais uma sobrinha que vive com você, com um emprego que não banca todos os gastos da casa, quando seu marido decide dar um tempo no relacionamento e viver seis meses em uma viagem para se reencontrar, como se fosse solteiro.

É exatamente assim que começa a história de Amy. Tudo começa com a depressão que Hugh, seu marido, vem enfrentando desde a morte do pai. Hugh passa a se tornar quieto, infeliz e um completo estranho para sua esposa, o que só piora ainda mais quando um amigo próximo também vem a falecer. Sendo para ele o limite de todo seu sofrimento e o ponto de partida de todos os problemas de Amy.

Hugh está decidido a se reencontrar, achar um significado para vida e superar a depressão que vem enfrentando. Amy, que não sabe como ajudar ser sente culpada por tudo isso, sempre tentando dar espaço ao marido, se vê perdendo o companheiro aos poucos. Principalmente depois dele revelar os planos de passar seis meses viajando. Amy faz tudo que está ao seu alcance para que ele desista desses planos, que volte atrás, mesmo que para isso ela tenha que se subjugar a atos dos quais não se sente confortável, como fetiches na cama e muito mais.

Quando Hugh parte, podemos sentir a dor de Amy, a angustia e o medo de que o marido não volte mais, que ele simplesmente siga sua vida de outra maneira e que ela não faça mais parte disso. Só que algo que Amy não se atenta, por mais que sua irmã insista em lhe lembrar, ela também vai ter seis meses para se reencontrar, seis meses solteira e com um novo rumo em sua vida e que ela pode estar totalmente diferente quando Hugh voltar.
"Então deito na cama, pronta para o trabalho, e deixo que ele me tome nos braços. Nós nos abraçamos apertado, e seus braços esmagam tanto minhas costas que chega a doer. Enterro o rosto em seu pescoço, tentando capturar o cheiro de seu cabelo, de sua pele, de seu hálito, sabendo que isso terá que me bastar pelos próximos 181 dias. Talvez para sempre."

Esse livro teve tantos altos e baixos que nem sei como explicar como me senti. Com uma narrativa envolvente, rápida e divertida, as vezes, me esquecia que o livro possuía quase seiscentas páginas. Claro que teve alguns capítulos que foram difíceis, demorados de ler, mas isso não tira o credito do ótimo trabalho de Marian, pois o livro é complemente envolvente. Você chora com Amy, torce pelos seus ideais e fica ansiosa para saber o que vai acontecer na página seguinte. Afinal, é quase impossível não se colocar no lugar de Amy e se sentir presa no meio dessa tempestade de sentimentos e acontecimentos, afinal, como não sofrer com o reencontro? O momento mais esperado do livro?

“Vou te contar o segredo da felicidade – continuo. – Encha a cara sempre que puder. Faça compras. Se nada disso funcionar, passe três dias na cama comendo rosquinhas. É o que todo mundo faz.”


Vale a pena se perder nessas páginas, de conhecer Amy, suas inseguranças, seus medos e perceber que nós, principalmente as mulheres, entendem como ela se sente de verdade. Amy é uma personagem incrível, chega a ser real, palpável e com uma história cheia de altos e baixos, com uma carga tanto atual quanto do passado que faz a história ganhar sentido. O final dela me deixa um pouco chateada, mas não que eu não possa entender e quando acaba o livro, tudo faz sentido.

É um livro sobre inseguranças, sobre perda e o medo que temos de ficar sozinha, que muitas vezes vem de uma ferida ou imposto pela sociedade e as pessoas ao nosso redor. Ele é abordado de diversas formas, seja na irmã solteirona, no casamento sem amor ou na descoberta interior. Sem contar que não se foca apenas nisso, ele mostra muito a diferença de homem e mulher, a vida de uma mãe solteira, problemas de autoestima e que nem tudo está acabando quando você precisa recomeçar sua vida aos quarenta anos, nunca há uma idade para buscar aquilo que você realmente deseja. Para mim ele serviu de diversas maneiras e se tornou um dos livros que mais gostei de ler, sendo que isso é algo e tanto, afinal, sempre fui apaixonada apenas por fantasias.

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3 comentários :

  1. Com certeza uma leitura forte e intensa com uma personagem exatamente igual. Não imagino como foi sofrido para ambos os personagens viver com tantos conflitos, acho que esse período de auto conhecimento é muito bom mas apenas quando os dois estão de acordo. Mas parece que no fim essa decisão do esposo foi o verdadeiro divisor de águas na vida deles. Fiquei bem curiosa e quero ler!

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  2. Bárbara!
    A Marian tem esse poder de envolver o leitor no drama de seus protagonistas, digo isso porque li outros livros dela e todos foram bons, apesar do sofrimento que acompanhamos.
    Aqui parece que não é diferente e fiquei bem curiosa para saber como acabou todo esse afastamento de 6 meses...
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Também amo fantasia é o meu gênero preferido, mas gosto de outros gêneros também. Tenho um pé atrás com a autora devido não ter consigo ler um de seus livros primeiro e único livro que abandonei a leitura foi Melancia, pois agora estou firme gostando ou não do livro vou até o fim. Mas a leitura lembra a realidade muitas mulheres passam o que a personagem esta passando, muitas vezes digo que ser mulher não é fácil rs. Parece que desperta muitos sentimentos durante a leitura.

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