21 março 2019

[Resenha] Aos Perdidos, Com Amor - Aos Perdidos, Com Amor # 1 - Brigid Kemmerer

Juliet Young sempre escreveu cartas para sua mãe. Mesmo depois da morte dela, continua escrevendo – e as deixa no cemitério. É a única coisa que tem ajudado a jovem a não se perder de si mesma. Já Declan Murphy é o típico rebelde. O cara da escola de quem sempre desconfiam que fará algo errado, ou até ilegal. O que poucos sabem é que, apesar da aparência durona, ele se sente perdido. Enquanto cumpre pena prestando serviço comunitário no cemitério local, vive assombrado por fantasmas do passado. Um dia, Declan encontra uma carta anônima em um túmulo e reconhece a dor presente nela. Assim, começa a se corresponder com uma desconhecida... exceto por um detalhe: Juliet e Declan não são completos desconhecidos um do outro. Eles estudam na mesma escola, porém são tão diferentes que sempre se repeliram. E agora, sem saber, trocam os segredos mais íntimos. Mas, aos poucos, a vida real começa a interferir no universo particular das confidências. E isso pode separá-los ou uni-los para sempre. Entre cartas, e-mails e relatos, Brigid Kemmerer constrói uma trama intensa, repleta de descobertas e narrada sob o ponto de vista dos dois personagens. Uma história de amor moderna de arrebatar o coração.


Livro: Aos Perdidos, Com Amor || Série: Aos Perdidos, Com Amor  #1 || Autor: VBrigid Kemmerer
Editora: V&R|| Ano: 2017 ||  Assunto:  YA, Morte, Perdas, Dor
 Classificação:  5 estrelas ||  Resenhista: Lud 

Não sei exatamente como, do nada, esse livro virou um dos meu favorito. Eu estava montando minha lista para o mês e vi que aqui no blog não tinha muitas resenhas da editora, então adicionei alguns livros para serem lidos e peguei esse logo de cara, já que nada que eu estava lendo me envolvia. E de repente, em uma madrugada, eu tenho a grata surpresa de ter lido esse livro. E eu não queria nem resenhar, porque tudo que eu possa falar aqui, não vai chegar nem perto da forma como esse livro me tocou. 

Devo dizer que livros YA, ou livros de jovens, sempre foram meus preferidos. Não sei se é a forma como eles lidam com cada problema, ou os pensamentos mais sinceros. Só sei que sempre volto para esse gênero, como se fosse um porto seguro. 

Nesse livro, vamos conhecer a História da Juliet e do Declan. Juliet está em um período delicado da sua vida, onde tem que lidar com o luto da perda da mãe. Mas é muito mais difícil do que todos pensam, e após meses, nada melhorou para ela. A única coisa que a deixa mais calma é escrever cartas para a mãe. 

A mãe de Juliet era uma fotógrafa que viajava pelo mundo tirando fotos de conflitos, e durante o período em que estava fora - que era muito tempo - elas conversavam por e-mails, mas também por cartas, que acabaram sendo mais significativas do que qualquer outra coisa. Então agora Juliet está sentada na lápide escrevendo para sua mãe, porque não consegue ficar em casa com o pai. Parece que ele se desligou do mundo, e a relação que já não era muito significativa, passa a ser mais distante, já que Juliet tinha mais afinidade com a mãe. 

Mas, de repente, tudo mudo no dia seguinte, quando a carta que ela escreveu tem uma frase rabiscada. Um menino ousou se meter na única coisa que ela tinha com a mãe, a única forma de aliviar toda a dor. Agora parece que ela não tem mais nada, só a escuridão, mas talvez ela tenha achado outra pessoa para escrever, apenas não consegue ver isso, ainda.

Declan era um menino feliz, com uma família feliz. Pais que se amavam, uma irmã. Tudo corria bem, até que seu mundo é estilhaçado e ele está nesse mundo de dor e culpa. Nada parece fazer sentido para ele, até encontrar aquela carta anônima... Parecia que outra pessoa sabia exatamente o que ele estava sentindo... E por um impulso, resolve responder... E encontra um alívio para a dor através das palavras daquela menina. 




O livro tem mais um milhões de detalhes, mas não quero falar mais nada sobre a história.

Os assuntos abordados no livro são muitos e variados. Mas a principal aqui é a morte, como você lida com isso, quando você é aquele que ficou com nada, exceto a dor. Como as pessoas que você ama tentam ajudar a passar por esse período, mas parece que não tem uma luz no final do túnel. 

É sobre culpa. E se eu tivesse feito isso, talvez fulana não tivesse morrido. E esse tipo de sentimento te corroe por dentro até não sobrar nada. Como você quer se abrir com as pessoas, mas elas não vão te entender, nunca irão...

É sobre Família, e por mais amorosa que seja, o amor simplesmente não consegue te alcançar. Ou como a falta desse apoio pode causar muito mais dano. Como ajudar alguém a superar uma morte, sendo que nem você consegue isso.  

E o mais importante, é sobre amor, todas as formas de amor... Aquela construída na amizade, no respeito, no diálogo. Ou aquela que sempre esteve lá para você, mas que você simplesmente não conseguia alcançar. Aquele amor que chega disfarçado, ele pode ser tudo o que você precisa naquele momento.

É sobre descobrir que existe mais... se você der uma chance.

Preciso destacar a construção dos personagens. Cada um deles possue uma característica própria, e são tão reais que você acha que vai virar a esquina e trombar com um. Os personagens secundários são maravilhosos, uma destaque para o melhor amigo do Declan, Rev, que é o protagonista do livro 02. Não sei nem descrever o quão maravilhoso é esse menino. 

A narração da autora é maravilhosa, é de uma sensibilidade incrível. Muitos temas importantes abordados de forma suave, sutil em alguns momentos, mas que tem um impacto enorme em quem está lendo.

Não é um livro mórbido, com dor em cada página. É um livro que conta como cada pessoa reage às adversidades que a vida coloca em seu caminho. E acima de tudo, é um livro sobre sentimentos.

Não preciso dizer que já indiquei esse livro para várias pessoas, né? <3

❝Quando tudo ao seu redor está perdido, só há um caminho a seguir: para a frente.❞

Algumas frases dos livro: 

''Você foi a primeira pessoa a me ver por inteiro, Juliet. A primeira pessoa que me fez sentir que eu valia mais que uma reputação e uma ficha de antecedentes criminais.''

Você não acha engraçado que se diga 'perder' como se as pessoas tivessem simplesmente extraviado? Mas talvez seja um sentido diferente de 'perder', em que não se sabe onde elas foram parar." 

"Eu nem te conheço, mas sinto que te entendo. Sinto que você me entende. E é disso que eu mais gosto nessa história."

"Posso deixar cair alguns pedaços da minha armadura, especialmente depois que ele me ofereceu um pouco de confiança sem pedir nada em troca. Isso é muito inesperado."

"Você acredita em destino? Às vezes eu queria acreditar. Queria acreditar que todos nós estamos indo em direção a... alguma coisa, e que, por alguma razão, nossos caminhos se entrelaçaram."

" Esse é o problema. Não tenho a coragem dela. Nunca tive. Se ela era um fogo de artifício que ilumina o céu, eu sou um fósforo prestes a se apagar antes mesmo de conseguir fazer qualquer coisa".

"Às vezes acho que o destino conspira contra nós. Ou talvez o destino conspire conosco."

"Não há alegria que o mundo possa dar como a que ele tira, quando o brilho do primeiro pensamento definha na triste decomposição do sentimento."

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3 comentários :

  1. Lud!
    Já li muito YA e deixei de ler por achar que era sempre mais do mesmo, mas parece que este livro é diferente.
    Gostei da premissa das cartas, porque faço correspondência e as cartas são sempre importantes.
    E gostei ainda mais por abordar um tema doloroso como a morte. Tenho visto muitas resenhas com livros desse tema e realmente é um assunto importante de ser abordado.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Gostei bastante da premissa, parece ser uma história bem sensível que além de abordar o luto trás dois personagens quebrados que encontram conforto no "desconhecido". Fiquei bem curiosa pois vi que na verdade os dois já se conheciam do colégio mas julgavam ser bem diferentes um do outro mas no momento de dor acabaram encontrando conforto e descobrindo que não eram tão diferentes assim.

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  3. Não conhecia esse livro, gostei dessa capa e gostei mais ainda por ser por cartas que os personagens se correspondem, adoro elas, pena que quase ninguém mais escreve. Parece ser uma historia triste que mexe com nossos sentimentos, a morte é sempre tão difícil de lidar, mas é um tema tão presente na nossa realidade, fiquei querendo saber como é o desenrolar dessa historia.

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