20 fevereiro 2019

[Resenha] Outros jeitos de usar a boca - Rupi Kaur


'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.




Livro: Outros jeitos de usar a boca  || Autor: Rupi Kaur 
Editora: Planeta||Ano: 2017 || Gênero:  Poesia
 Classificação: estrelas || Resenhista: Lud
Aaaaaaah, esse livro! Eu resolvi ler bem depois que foi lançado, de tanta frase maravilhosa que eu via no feed das pessoas, era quase como se ele falasse: Me leia

Meu contato com poesia é zero, eu não tenho o costume de ler, não é um gênero que me chama a atenção, mas esse livro mudou algo em mim em relação a isso. Eu acho que aprendi como uma poesia, por mais simples que seja, sem rimas combinando, pode mexer com uma pessoa. Mas não deveria duvidar nunca, independente do gênero, porque no final das contas, palavras são armas poderosas. 

O livro é divido em quatro partes: A dor; O Amor; A ruptura; A Cura.

A primeira parte já te dá um tapa na cara e te deixa com um misto de sentimentos. Trata de assuntos como relacionamento de pai e filha, relacionamento entre casal, opressão, sobre corpo... Assuntos variados, e certeza que uma delas vai te tocar profundamente.

"Você me diz para ficar quieta porque
minhas opiniões me deixam menos bonita
mas não fui feita com um incêndio na barriga
para que pudesse me apagar
não fui feira com leveza na língua
para que fosse fácil de engolir
fui feita pesada
metade da lâmina metade seda
difícil de esquecer e não tão fácil
de entender"

A segunda parte é O Amor...  e essa parte foi linda. Ele fala de relacionamentos que podem te diminuir como pessoa, ao mesmo tempo mostrando relacionamentos que só acrescentam. É tão encantador que preciso colocar uma quotes, porque essa frase pulou no meu feed e me fez ler esse livro. São mensagens que muitas pessoas conseguiram se relacionar.

"não quero ter você
para preencher minhas partes vazias
quero ser plena sozinha
quero ser tão completa
que poderia iluminar a cidade
e só aí
quero ter você
porque nós dois juntos
botamos fogo em tudo"


A terceira parte é A ruptura. Essa parte é uma continuação da anterior, que mostrava que você pode estar em um relacionamento errado, e nessa parte são frases de apoio. Você não precisa de outros, você precisa de você, se sentir inteira, não depender de outros. E para muitas pessoas, acho que foi um chacoalhão, ou mesmo uma palavra de apoio.

"ele só sussurra eu te amo
quando desliza a mão
para abrir o botão
da sua calça
é aí que você tem
que entender a diferença
entre querer e precisar
você pode querer esse menino
mas você com toda a certeza
não precisa dele"

"Eu não fui embora porque
eu deixei de te amor
eu fui embora porque quanto mais
eu ficava menos
eu me amava"

A Quarta e último parte é uma conclusão perfeita de todo o livro. A Cura.

"Acima de tudo ame
como se fosse a única coisa que você sabe fazer
no final do dia isso tudo
não significa nada
está página
onde você está
seu diploma
seu emprego
o dinheiro
nada importa
exceto o amor e a conexão entre as pessoas
quem você amou
e com que profundidade você amou
como você tocou as pessoas à sua volta
e quanto você se doou a elas "

Não tenho muito o que analisar nesse livro, porque é daquele tipo de leitura que te toca, que quando você vai falar dele é de uma forma totalmente sentimental. 

O que eu mais amei nesse livro foi a forma como a Rupi conta sobre sua vida, tem muitas coisas relacionadas ao pai, e mesmo assim as palavras são tão...  Não sei me expressar, a não ser dizer que são, de alguma forma, superior. Que apesar daquela pessoa ter feito mal a ela, a forma como ela responde é de uma pessoa evoluída, você não vê a raiva nas palavras dela. 

Você sente como cada coisa ali marcou a vida da Rupi e de formas profundas, mas apesar disso, a forma de contar é de uma doçura, uma delicadeza. Como se ela falasse: olha, eu aprendi e evoluí, agora sou uma pessoa melhor, e você não fala nem à minha amargura.

E cada pedacinho que eu lia me enchia de diversas emoções, e eu acho que todo mundo deveria ler esse livro, mesmo que você não curta uma poesia, não tem como essa não te tocar de alguma forma.

Eu acho que não tem o que dizer mais do que isso.

Eu, Ka, amo dividir as leituras e comentá-las e também saí da minha zona de leitura com a poesia ( e daria mais de 5 estrelas se pudesse). O que vale ressaltar e acrescentar, na minha opinião, é que é assustador o quanto um verso livre pode tocar as pessoas de maneiras diferentes, o quanto a Rupi precisou ser corajosa para pôr as experiências no papel, e o quanto nossa empatia é exercida cada vez que somos convidadas a entrar no mundo de experiências dela.

Esse não é um livro que a gente quer te convencer a ler pelo plot, conteúdo, mas pela forma sincera como é escrita. Observar a dor do outro pode ser transformador em níveis que você desconhece, é uma experiência que, com certeza, eu quero repetir com frequência daqui para frente. 

Qual foi o ultimo gênero que você descobriu, que pode mudar seu jeito de pensar ou de usar a boca ?

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