03 fevereiro 2019

[Resenha] Nossas horas felizes - Gong Ji-Young


Yujeong é uma jovem da alta sociedade coreana que, indiferente a tudo e a todos é incapaz de se entender com a própria família, não consegue encontrar um sentido para sua vida. Depois de três tentativas frustradas de suicídio, ela acaba definhando entre o álcool e o desespero. Seus familiares, por outro lado, não se esforçam para entendê-la, a não ser sua tia, a irmã Mônica, com quem sempre teve uma ligação especial. Disposta a fazer o que for preciso para que Yujeong volte a sentir vontade de viver, a freira sugere à sobrinha que as duas façam semanalmente uma visita a um preso no corredor da morte. E então elas conhecem Yunsu, um homem que anseia deixar este mundo por acreditar que só assim conseguirá se redimir de seus pecados. Apesar de sua origem humilde, ele e Yujeong têm algo em comum: um triste passado de abusos físicos e psicológicos. Aos poucos, durante os encontros na prisão, os dois jovens atormentados revelam um ao outro seus segredos mais obscuros e seus traumas do passado, criando uma conexão inesperada, que gradualmente desperta nessas duas pobres almas o desejo de viver. Mas as mãos de Yunsu estão sempre algemadas, os guardas estão constantemente por perto, e Yujeong sabe que aquelas horas felizes juntos podem ser tragicamente curtas.
Livro: Nossas horas felizes || Autor: Gong Ji-Young || Editora: Record
Ano: 2017 || Gênero:  Romance / Drama
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Amanda 







"Eu não poderia perdoá-lo. Mas, pensando melhor, tia Monica, não acho que era amor. Quando é amor, o coração fica despedaçado. E isso não aconteceu comigo. Quando é amor, você quer que a outra pessoa seja feliz, mesmo que não seja com você. Mas nunca senti isso. Eu não o odiava. O que odiei foi o fato de confiar nele sem pestanejar. Odiei saber que, apesar de ter passado 15 anos me rebelando sempre que possível, eu ainda queria ser como meus irmãos e minhas cunhadas e como todos que eram como eles. E odiei que até mesmo meu próprio ódio tenha me decepcionado."

Nossas horas felizes foi um desses livros de amor à primeira vista para mim, desde seu lançamento eu quis lê-lo, no entanto, acabei esperando um tempo para comprar o físico (uma promoção bacana e tal), quando me deparei com ele numa feirinha de livros, claro que não perdi tempo em comprá-lo. 

Que leitura, minha gente…! Agora eu vou contar um pouco dessa história maravilhosa e dizer porque todos deveriam ler esse livro…

Yujeong é uma jovem de trinta anos que vive uma vida infeliz. Apesar de seu dinheiro, talento e currículo impecáveis, ela não consegue superar um acontecimento específico de sua adolescência e tenta se matar… pela terceira vez. Mas não consegue chegar ao fim e acaba sendo salva novamente.
"Você sabe por que sou assim? Por que me droguei com aqueles comprimidos e cortei os pulsos três vezes? O que eu realmente não conseguia entender, o que eu realmente não podia perdoar, era o fato de todos agirem como se nada tivesse acontecido, a mamãe, você e nossos irmãos, até o papai! Tudo foi varrido pra debaixo do tapete, da mesma forma que as acusações por dirigir bêbada nunca aconteceram porque meu irmão mais velho promotor fez com que elas desaparecessem. Achei que ia morrer, eu gostaria de ter morrido, e, enquanto isso, todo mundo ficou de bico calado e fingiu que nada tinha acontecido."
A freira Mônica, uma senhora já idosa, tia de Yujeong é uma das poucas pessoas de sua família em quem a jovem confia e é próxima. Sua mãe nunca foi muito maternal e sempre costuma lamentar o dia em que deu a luz à ela, uma vez que foi o fim de sua carreira como pianista e sempre acusa Yujeong de ser como a tia, como se isso fosse algo desprezível. As duas não conseguem estar no mesmo cômodo sem discutir e, apesar de Yujeong sempre sair como a pessoa complicada e difícil de lidar, a verdade é que sua mãe é uma mulher mimada, mesquinha e mais do que um pouco egoísta.

Ela acaba sendo levada novamente à clínica de seu tio que é terapeuta e está prestes a ser internada novamente quando sua tia interfere e sugere uma opção alternativa de terapia: fazer com que a jovem visite os presídios com ela, onde estão os criminosos condenados à morte. Como nada tem adiantado e as tentativas de suicídio continuam apesar de toda a terapia, o tio de Yujeong concorda com a medida alternativa e é assim que ela conhece Yunsu.
"É impressionante como a memória nos revela coisas que não eram aparentes quando os eventos originais aconteceram. Como um spot de luz que ilumina um figurante fazendo pequenos gestos em um canto do palco, a memória não só traz momentos de volta à vida, como os complementa. E isso pode, algumas vezes, contradizer nossas lembranças."
Yunsu é um homem duro e calejado pela vida, desde pequeno cresceu num lar abusivo, com pai violento e sua mãe fugiu quando ele e seu irmão eram muito jovens. Yunsu era muito apegado à seu irmãozinho e, sua morte acaba cortando o outro único lado estável que o mantinha de se jogar direto no abismo. Após sua morte, Yunsu acaba se envolvendo com outros jovens de índole ruim e consequentemente, entrando de vez na vida do crime. O que o acaba levando-o a fatídica noite, onde após um crime bárbaro, ele é sentenciado à pena de morte.

Durante dias e dia,s os dois trocam histórias e experiências e até o guarda da prisão acaba se apegando e se envolvendo nas experiências trocadas entre eles. Mas conforme os dias passam e as estações mudam, o dia da sentença se cumprir vai se aproximando e com ele o fatídico fim dessas horas felizes onde dois jovens encontram um no outro uma razão para viver.
"Quando alguém diz que quer morrer, o que realmente quer dizer é Não quero viver dessa forma. E não querer viver de uma certa forma na verdade significa querer viver melhor. Então, em vez de dizer que queremos morrer, o que deveríamos falar é que queremos viver bem. Não deveríamos falar sobre a morte porque o significado por trás da palavra vida é um comando para viver."
Esse foi um livro que me fez rir e chorar. Me emocionei com a história de ambos e, é lindo observar como o amor vai florescendo aos poucos e curando as feridas que ambos carregaram durante tanto tempo. É um livro que tem um toque espiritual bem tênue, mas mais do que isso, acho que ele nos ajuda a entender a importância de continuar seguindo em frente, conhecendo outras pessoas que possam ter as mesmas cicatrizes e deixar que essas pessoas entrem em nossas vidas, nos permitindo ao menos tentar perdoar (o que não é o mesmo que esquecer, fique bem claro), inclusive nós mesmos. Acho que a parte mais difícil de escrever essa resenha foi selecionar as quotes... praticamente todo meu livro está marcado com post-it! Haha'
"Quem fala a verdade se machuca, mas também sabe como superar as dificuldades. Tenho bem mais experiência que você, e foi isso que percebi com o tempo."
É um livro que também mostra a importância do apoio familiar e como esse apoio, uma vez negado, cria feridas piores até do que o trauma passado. Como o fato de se colocar no lugar do outro pode fazer com que a dor no coração do outro possa se atenuar e fazer com que os laços possam voltar a ser restabelecidos. Foi o primeiro livro que li da autora e recomendo muitíssimo. Todos deveriam ler esse livro <3.

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