05 janeiro 2019

[RESENHA] Uma coisa absolutamente fantástica- Hank Green

Em seu aguardado livro de estreia, Hank Green traz a história original e envolvente de uma jovem que se torna uma celebridade sem querer — mas logo se vê no centro de um mistério muito maior do que poderia imaginar.
Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte,  a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial.
Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós.
Divertida e envolvente, essa história trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo e o desconhecido e, principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização.

Livro: Uma coisa absolutamente fantásticas ||  Autor: Hank Green
Editora: Seguinte  || Ano: 2018 Gênero:  YA
Classificação: 3,5 estrelas || Resenhista: Karina

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O sobrenome Green pode pesar muito. Hank é irmão do John Green, mas antes de aumentar as expectativas ou desistir por amar, ou não, a escrita do primeiro Green, saibam que ambos têm estilos completamente diferentes.


April May é uma garota de 20 poucos anos vivendo a vida em NY. Um dia, após sair tarde do trabalho, encontra um robô gigante na calçada e resolve que é uma boa ideia fotografar e filmar a coisa para colocar na internet, afinal de contas, se for mais uma das centenas de obras de arte para interagir, ela não teria perdido a hype, certo? Ela pede a ajuda do amigo Andy, e eles gravam a situação com se ela tivesse entrevistado o robô, o nomeando de Carl. Eles colocam na internet e vão para casa.


Porém, acontece que vários outros robôs aparecem em diversas cidades do mundo simultaneamente, e como ela foi a primeira a registrar, o vídeo se torna um viral e ela precisa, a partir daí, aprender a lidar com a fama inesperada.


Eu parecia presunçosa, mas ou as pessoas adoravam isso ou adoravam me odiar, e no jogo da atenção (que eu estava jogando mesmo que não soubesse), dava na mesma.



Narrado em primeira pessoa, o livro começa parecendo um young adult, já que April sempre frisa as pequenas decisões que um jovem adulto precisa fazer, boletos chegam até na literatura, mas a intriga de onde vieram os robôs nos leva a uma ficção especulativa. Seriam os robôs alienígenas? Os questionamentos cada vez mais impostos, agora que April é tão centro das atenções quanto os robôs, pode cobrar um preço mais alto do que a garota gostaria de pagar.

April May faz diversas escolhas ruins, e é em muitas situações egocêntricas que eu, como leitora, conseguia identificar quão péssimas foram, mas o frenesi da imprensa e a vida nas mídias sociais podem deturpar o limite de percepção da realidade (se você em algum momento da vida já ficou obcecado por números e o que eles representam em quem você é, cuidado!).


Você nunca pode parar de criar conteúdo, não só porque a sensação de que as pessoas te ouvem é boa, mas também porque você precisa manter a atenção delas presa. E eu tinha me acostumado a medir minha vida em curtidas.


Além de Andy, nos é apresentado bem nas primeiras páginas a Maya, a namorada da April. Os personagens secundários estão lá não apenas figurativamente, eles são o contraponto da April, levantando alguns assuntos mesmo que subjetivamente.

O que é a realidade senão  as coisas que as pessoas experimentam universalmente da mesma maneira?

Obviamente o mistério de quem são os robôs te prende na história, mas é na camada seguinte do livro onde o comportamento é colocado em cheque quando a pressão determina o caminho/caráter da personagem vai seguir, que o livro me ganha; todo livro que me faça pensar sobre quem somos como humanos, como lidamos com o poder,  como as nossas relações de amizade são moldadas e como reagimos perante ao medo do desconhecido, ganha ponto na minha experiência de leitura e foi nessa subtrama que consegui encontrar o que eu esperava do Hank.


O poder só desempenha seu papel empoderador quando é percebido como um diferencial em relação aos demais e, sobretudo, em relação ao que se tinha antes. E não vou fingir que essa estranha confiança recém-adquirida combinada com essa estranha nova plataforma não era intoxicantes e viciante. Dizem que o poder corrompe, mas nunca mencionam como isso acontece rápido.

Com uma escrita rápida e direta, o livro é exatamente como a mente de Hank funciona, ele não perde tempo com detalhes que não são muito importantes, é quase como se estivéssemos assistindo um dos vídeo roteirizado por ele no canal dos vlogbrothers;

As estrelas faltando ali na classificação foi pelo final, que deixa um cliffhanger para um próximo livro, eu gostaria apenas que tivesse sido fantástico já no primeiro volume, porém, vale lembrar que esse é o primeiro livro do Hank. Enfim, como boa nerdfighter que sou, só me resta dizer : Don’t forget to be AWESOME!

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3 comentários :

  1. Karina!
    Bom ver que a escrita do autor não fica à sombra do irmão e que ele tem sua própria forma de se expressar.
    As personagens são bem contruídas e gosto da narrativa em primeira pessoa.
    E se fala sobre as relações humanas e suas reações, já me interessou.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Bom não sou fã do primeiro Green, mas gostei de saber que os estilos deles são diferentes, porque fiquei curiosa com esses robôs gigantes, em saber qual é a explicação deles aparecerem do nada, gostei que mostra como a fama pode influenciar uma pessoa e gosto quando a escrita é direta sem enrolações, então gostaria de dar uma conferida nesse livro.

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  3. Oi Karina,
    Eu vi esse livro nos lançamentos, e nem me toquei no sobrenome, o John não é um autor que me conquistou muito, talvez por isso a falta de interesse.
    Eu li que o livro faz algumas críticas a manipulação que a internet nos traz, isso eu acho bacana, mas, em um geral, achei o enredo bem simples. Fico tentada a ler, por curiosidade, mas, sinceramente, não é uma história que parece prender tanto.
    Acho legal que a escrita dele se diferencia bem da do John, e que todos estão gostando, bom ver que o sucesso é dele mesmo, rs.
    Beijos

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