02 janeiro 2019

[RESENHA] Romance Tóxico - Heather Demetrios


Uma história contemporânea, comovente e incrivelmente honesta sobre como encontrar forças para se libertar de relacionamentos tóxicos.
Grace quer sair de casa. Ela se sente sufocada pelo padrasto agressivo e pela mãe obsessiva, que a faz esfregar o chão até toda a poeira (que só ela enxerga) sumir. Quer ir embora da cidadezinha onde mora, na Califórnia, pequena demais para seus sonhos. Quer fugir da vida que leva e se tornar uma artista em Paris, uma diretora de teatro em Nova York… qualquer futuro que seja distante do medo e da solidão que sente.
Então ela se aproxima de Gavin: charmoso, talentoso e adorado por todos da escola. Quando os dois se apaixonam, Grace tem certeza de que aquele romance é bom demais para ser verdade. Mas as suas amigas enxergam um outro lado do garoto — controlador e perigoso —, que, com o tempo, vai transformar o relacionamento dos dois em uma prisão da qual Grace será incapaz de escapar sozinha.

Livro: Romance Tóxico  || Autor: Heather Demetrios
 Editora: Seguinte || Ano: 2018  ||  Assunto: Drama, Relacionamentos Abusivos 
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Tainara

Acredito que fechei o ano com chave de ouro com esse livro.

Romance Tóxico, literalmente, me intoxicou de sentimentos que há muito tempo um livro não conseguia aflorar. Eu ainda me encontro impactada e refletindo sobre o romance da Grace e do Gavin. 

Grace tem 17 anos e está cursando o segundo ano do ensino médio. Tem uma família totalmente abusiva, com uma mãe com TOC e um padrasto que é o cão em forma de gente, que joga golfe. Uma irmã mais velha muito fofa e um irmão mais novo mais fofo ainda. Duas amigas maravilhosas que vão embarcar nessa jornada com a Grace de cabeça, e isso é maravilhoso. Se a Grace não tivesse a Nat e a Lys com certeza o final dessa história teria sido diferente. 

Gavin é o cara popular que todas querem, mas só algumas podem ter, está no último ano do ensino médio e namora a Summer, e logo no início do livro esse romance acaba, quase acontece uma tragédia e é o início do fim para a Grace, por causa de uma carta de amor disfarçada. Quando Gavin sai da clínica e volta à escola, se aproxima de Grace, e ali acaba nascendo um namorigo, como eles intitularam, e mal sabe a Grace que ela está prestes a se tornar a Namorada Submissa. 

“Não me dou conta na hora, mas esse é o momento. O momento quem que minha vida no ensino médio – minha vida em geral – vai mudar. O momento em que eu começo a perder parte de mim que terei que lutar loucamente para reaver durante quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos.
Tudo por causa de uma carta de amor disfarçada”.

A Grace já é apaixonada pelo Gavin desde o nono ano, isso junto com os problemas em casa, ajuda muito a mantê-la cega para as atitudes dele. São coisas tão estrambólicas que o leitor chega a pensar, “não é possível. Será que ela não está vendo? ” Eu fiquei assim quando em um certo momento do livro, mesmo o Gavin sabendo que ela é tímida, faz ela passar por três “provas” para convidá-la para o baile. Eu fiquei muito puta por ela estar sendo tão cega, mas te digo que tudo se encaixa, a autora conseguiu fazer com que tudo se encontrasse no momento certo.

O livro é tão impactante que já começa trazendo um pedaço do que vai acontecer na história sem você precisar abri-lo. Sabe como? A capa. Ao observá-la vemos como as flores tem partes lindas e vivas e partes feias e mortas, esse spoiler, sem ser um spoiler que é feito, dá mais ou menos uma ideia de que alguém perderá parte de si durante o romance. Não sei você, mas quando finalizei o livro me peguei comparando Grace e as flores. Dou ponto positivo para a editora que manteve o original. 

A primeira frase do livro é muito perturbadora, porque te dá uma noção de espaço-tempo muito grande. Quando dizem que um ano não impacta tanto, como você dizendo 525 mil e 600 minutos. Quando eu li isso imaginei que Grace tinha passado uma eternidade ao lado do Gavin, mas quando fui entrando na história e vi que era um ano, fiquei mais aliviada e pensei “foi só um ano”, mas ao final do livro concluí que um ano pode ser uma eternidade.

Outro ponto que deixa a história ainda melhor, é o fato de ser narrada como carta. É a Grace escrevendo em seu diário e contando todas as suas vitórias e todas as suas derrotas. Em diversos momentos, me peguei chorando muito pela forma como a mãe da Grace a tratava, por causa do abuso gigante que ela recebia e pela vida que levava, afinal, eu sou filha e ao meu ver, pais são os nossos portos seguros, independentemente de estarem juntos ou não, e a Grace não tinha isso em nenhum dos lados. Foi uma situação que me deixou muito triste, digo até que deprimida.

“Às vezes, eu queria ter lábios machucados ou hematomas para mostrar ao psicólogo da escola - é difícil explicar a tortura que é viver nessa casa, o modo como a implicância constante, o serviço e os gritos acaba com uma pessoa. ”

Vemos também uma Grace mais madura ao relatar sua história. Em pontos que ela deixou passar quando aconteceu um ano atrás, ela faz uma autocrítica do seu comportamento, e isso é ótimo para a história, ver a evolução do personagem. Ela estava tão dentro dos problemas de casa que não viu quando Gavin se tornou um gigante na vida dela. 

Em diversos momentos, eu entendi as atitudes da Grace, principalmente as decisões que tomava para ficar ao lado do Gavin. Não tinha como não se apaixonar por aquele cara tão fofo e presente e que a salvava da mãe que a ignorava, do padrasto que a tratava como uma intrusa, a vida que dava umas rasteiras nela, entre outros. É impossível você não se apaixonar quando já está encantada pela pessoa.

“Gosto como é possessivo. De como me quer só para você. Acho que meus pais iam se ajoelhar e agradecer aos céus se eu desparecesse”.

Viver em uma família com problemas, às vezes, te deixa cego para algumas outras coisas, algumas outras pessoas, algumas outras atitudes e em diversos momentos na Grace isso era notável. Acontecia coisas com ela e o Gavin que acontecia com a mãe dela e o Gigante, e ela simplesmente não percebia pelo fato de ver no Gavin uma fonte de salvação, uma porta para liberdade, para fugir do caos que era sua vida familiar.

“Algo em mim está se apagando, algo que já sei que não vou conseguir recuperar. Mas você vale a pena. Vale, sim. Direi isso a mim mesma por vários outros meses. E, quando perceber que você não vale a pena, vai ser tarde demais. ”

Sem sombra de dúvidas, o frescor para a história foram as amigas da Grace, elas simplesmente foram maravilhosas, divas, toda mulher deveria ter amigas assim, que enxergam o problema e não têm medo de falar o que está acontecendo para a vítima, e que falam “estamos aqui se precisar”, elas simplesmente foram a brisa da ventania. A Nat e a Lys foram âncoras para a Grace no momento que ela decidiu pelo término, talvez se elas não estivessem lá, a Grace ainda estivesse passando por essa situação abusiva.

Se eu fosse falar de tudo no livro entregaria muito da história e dos outros personagens, principalmente a mãe da Grace e do Gavin (vai por mim, ele fez muita coisa pior na história), então por isso paro por aqui, com essa observação. O livro deixa uma mensagem clara: nem sempre o que queremos é o que realmente merecemos.

A capa do livro é linda demais, a diagramação está incrível, as letras de um tamanho excelente, a SEGUINTE fez um esplêndido trabalho com esse livro. Simplesmente perfeito.

Deixo aqui um vídeo de uma caso bem parecido com o da Grace, só que infelizmente teve um final trágico. Em diversos momentos vi a Grace ali, vi umas conhecidas ali, quase me vi ali.


E para terminar, gostaria de deixar um recado para vocês, mulheres, que vivem em uma situação de abuso físico ou psicológico, que se identificaram com a Grace através dessa resenha, ou através do livro, ou por qualquer outro motivo. DENUNCIEM, saiam desse lugar escuro, terá outras mulheres e outros homens para apoiarem vocês, se por acaso essa sociedade medíocre que vivemos criticá-las. E para você, que sabe de alguém que vive uma situação assim, denuncie também, não se acovarde, não tenha medo, você pode salvar uma vida. Aqui o lema é: ninguém solta a mão de ninguém. 

NÚMERO PARA DENUNCIAR: 180
A denúncia é anônima, ninguém saberá que foi você.



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6 comentários :

  1. Não conhecia o livro, gostaria de ler é um assunto que esta muito presente na realidade infelizmente e assim como a personagem as vítimas não enxergam esse abuso. É uma historia que mexe muito com quem lê afinal ela também sofre com a família além do namorado. A historia deve nos colocar no lugar da personagem nos questionando se faríamos o mesmo ou diferente. Gostei que aborda a amizade que sempre ajuda em qualquer hora, quando são amigos verdadeiros.

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    1. Vou te dizer viu Maria, o livro é tenso e quando você da por si do que esta acontecendo, de como esta acontecendo e o pior é você entender em alguns momentos porque ela não conseguia largar dele, você fica WTF?
      É bem complicado.

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  2. Oi,
    Não sei se é o tipo de livro que eu conseguiria encarar, por já vivenciar isso na vida real, sei o quão grande é o julgamento das pessoas, e em como é difícil sair de um relacionamento assim, mesmo para pessoas de opinião formada como a protagonista.
    O que gostei foi como a autora abordou o tema de forma real, magnífica, sem meias verdades sabe? É nítido como ela se preocupou na hora de encarar um assunto tão pesado.
    Outro ponto positivo é ser escrito em forma de diário, deu a impressão de tentar passar para o leitor de uma forma mais leve..
    Beijos

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    1. Oi Vi, verdade, é como se a autora estivesse escrevendo para nós, como se fosse um recado, um aviso, para não deixarmos que o outro nos oprima dessa forma.
      Ela foi bem realista, super realista. Em diversos momentos chorei pela Grace, por causa da família dela e por causa Gavin. Muito triste.
      Fico triste em saber que você passa por uma situação dessa.
      Miga sai dessa furada. Não liga para que os outros vão dizer não. Pense em você, em primeiro lugar sua vida, sua saúde, seu eu.
      Sai desse lugar escuro enquanto há tempo.

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  3. Realmente um livro bem atual que muitas pessoas vivem. Eu gostei muito da resenha, bem explicativa. A capa é chamativa e bonita. É um livro que desejo ler assim que possível.

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    1. Que bom que gostou Ana.
      Eu mais do que recomendo o livro.
      É daqueles que você mantem na estante para ler um pedacinho sempre que da.

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