07 janeiro 2019

[RESENHA] O Abrigo - Nora Roberts


Era uma típica noite de sexta-feira em um shopping nos arredores de Portland, Maine, em 2005, quando três adolescentes fortemente armados começaram a atirar, matando e ferindo muitas pessoas antes de serem contidos. Anos mais tarde, dois dos sobreviventes, considerados os jovens heróis da tragédia, estão dando continuidade a suas vidas. Ela, seguindo os passos da avó, encontra na escultura uma maneira de expor as emoções. Ele, inspirado pela primeira policial a chegar ao local do tiroteio, torna-se detetive. A morte misteriosa de alguns dos demais sobreviventes do massacre parece indicar que um conspirador está à espreita. Incertos de quem será o próximo alvo, aqueles que conseguiram a duras penas reconstruir a própria história precisarão encontrar um no outro o abrigo necessário para sepultar o passado de uma vez por todas.



 Livro: O Abrigo||Autora: Nora Roberts|| Editora: Bertrand Brasil  
 Ano: 2018 || Gênero: Ficção / Romance / Suspense e Mistério
 Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Luci


Ninguém poderia imaginar que, uma noite tranquila em um shopping, poderia resultar em um massacre sem precedentes. Três jovens, com armamento pesado, se dividiram para praticar um ato que violência que gerou dezenas de mortes e feridos, deixando marcas profundas nos sobreviventes.

Uma das sobreviventes é Simone Knox, de 16 anos, que viu a sua noite de cinema, junto com as suas melhores amigas, se transformar em pesadelo, quando um dos adolescentes invadiu a sala de cinema e começou a disparar contra as pessoas. Sua ida ao banheiro garantiu sua sobrevivência e que a polícia chegasse rápido ao local, através da sua chamada de emergência. Apesar de todos a apontarem como uma heroína por esse feito, Simone só sente a dor da perda, que causa cicatrizes profundas dentro de si e a faz mudar completamente.

Dentre todos que sobreviveram, também temos Reed Quartermaine, um jovem de 19 anos, que corajosamente salva uma criança dessa tragédia e ainda ajuda a agilizar a vinda da polícia. Apesar de sair ileso fisicamente, esse acontecimento o faz refletir e tomar decisões que vai reorganizar toda a sua vida e futuro, principalmente na busca por justiça.

Doze anos depois, temos uma Simone que rejeita todo o molde que sua família de boa sociedade tenta lhe impor, e com a avó, CiCi, como incentivadora e inspiração, ela se torna uma excelente artista. É quando ela finalmente se encontra e se identifica, inclusive sua arte se torna um meio de ela extravasar a dor que ela ainda sente por aquela noite, onde tantas vidas foram interrompidas e futuros deixaram de ser vividos. 

Quanto a Reed, ele se encontrou como policial, e assim como ele viu a polícia agir para fazer o certo na noite do massacre no shopping, ele luta diariamente para a justiça prevaleça. No entanto, aquela noite não some da sua mente, é como uma obsessão. E quando os sobreviventes, que de alguma forma receberam destaque da mídia, começam a morrer, um por um, sob circunstâncias suspeitas, um alerta se acende em sua mente, e Reed intensifica sua atenção sobre o caso, até que ele se torna a próxima vítima.

Mais uma vez um sobrevivente, em busca de um refúgio para se recuperar, seu caminho cruza com o de CiCi, que o apresenta a Simone. E logo os dois não terão apenas em comum uma noite trágica; nasce entre eles uma forte atração, que não demora a se tornar um relacionamento sério e o desejo por mais.

 — Há mais de um tipo de abrigo. Você é um abrigo para mim. Eu vou ser o mesmo para você.
— Eu procurei por muito tempo o meu lugar e você. É muita sorte ter encontrado as duas coisas ao mesmo tempo.

No entanto, a paz dos dois continua a ser perturbada: o assassino ainda está à solta, e eles poderiam ser as próximas vítimas da pessoa que estava determinava a concluir o trabalho de morte e tragédia, iniciado naquela noite no shopping.



Sou fã de Nora Roberts, mas já fazia um bom tempo que não lia uma de suas obras. Porém, quando decidi ler O Abrigo, esta se tornou uma leitura totalmente viciante, do tipo que deixa a gente pensando no próximo capítulo.

Narrado em 3ª pessoa, o livro é dividido em três partes: a que retrata a tragédia e como isso impactou a vida dos sobreviventes; a que vemos como eles estão buscando se reestruturar e deixar isso para trás, assim como o início do relacionamento dos protagonistas e, finalmente, a caça ao novo assassino em série, com paralelo a isso, a construção do romance entre os protagonistas.

Em cada parte, principalmente com destaque na primeira, vemos o ênfase de sentimentos, isso se sobressaí das páginas do livro. Aliás, foi isso que me prendeu ao livro, a forma como ela trabalha essa miríade de sentimentos que vem com a violência extrema e gratuita. A autora deixou isso tão real, tão vívido, que você sente o drama dos personagens e fica impossível não relacionar com tantos casos parecidos que já vimos nos noticiários.

Outro ponto em destaque, é o romance entre os protagonistas. Ele não se constrói de imediato, e quem espera aquela paixão instantânea, pode esquecer aqui. Nora trabalha a trama de maneira bem detalhistas, calçando o caminho que leva Simone e Reed a se encontrarem e embarcar em um relacionamento bem sólido. Gostei muito desses dois personagens, que cresceram ao longo da trama, principalmente Simone, que depois de tentar suprimir sua dor com tantas coisas, acaba finalmente se encontrando, para depois, sim, encontrar em Reed alguém que a completa.

Destaque para a avó de Simone, CiCi, ela, com certeza, foi meu personagem favorito do livro, com seus pensamentos otimistas e intuições certeiras.

Senti que o final da serial killer foi muito corrido, ela deixou atrás de si uma fila de mortes, esperava uma conclusão maior para ela, mas isso não desmerece, de forma alguma, toda a obra.

Particularmente, foi um romance que me fez voltar de forma triunfal à Nora Roberts. Com uma trama envolvente, esse livro term o poder de agradar a quem gosta de uma trama que mistura romance, mistério e a dose certa de suspense.

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3 comentários :

  1. Olá Luci,
    Já li inúmeros livros da Nora, e por incrível que pareça, até agora nenhum tinha esse suspense todo. Eu amo romances, e sem dúvidas a autora é a rainha deles, mas gostei demais desse enredo, de como ela desenrolou todo um drama, para depois inserir os protagonistas como casal.
    Pena o final ter deixando um teco a desejar, mas, dá para perceber que isso não muda a qualidade da história.
    Beijos

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  2. Lucilene!
    Muitas pessoas não gostam muito da Nora Roberts, mas para mim, é uma das melhores autoras, porque ela consegue criar um enredo que prende e diferenciado e no final, ainda traz um romance, que por vezes pode ser um pouco dramático, mas sempre satisfaz.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Ainda não li nenhum livro da autora nesse estilo, fiquei surpresa e gostaria de ler, gosto quando as historias tem assassinatos, sempre tem aquele mistério que adoro em volta das mortes. Parece ser uma leitura angustiante e revoltante com tantas mortes assim e o trauma que deixa nas vítimas. Adorei que o romance é construído aos poucos gosto assim sem pressa fica mais verdadeiro.

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