06 janeiro 2019

[Resenha] Máquinas Mortais - Philip Reeve


Máquinas Mortais

"Neste brilhante mundo criado por Philip Reeve, a humanidade quase teve um fim em um conflito nuclear e biológico chamado de Guerra dos Sessenta Minutos. O mundo virou um descampado, a tecnologia foi praticamente extinta e todos os esforços humanos se voltaram para um único objetivo: fazer suas cidades sobreviverem. Para isso, elas precisam se mover, se tornando Cidades de Tração, para se afastar da radioatividade e doenças. Londres é uma grande cidade e está sempre a busca de novas cidades para se alimentar, como dita o Darwinismo Municipal: metrópoles consomem as cidades menores, que consomem vilarejos e assim por diante...No meio de um ataque de Londres à uma cidadezinha desesperada, Hester Shaw, uma menina com uma cicatriz horrível, tenta matar Thaddeus Valentine, o maior arqueólogo da metrópole. Valentine é salvo por Tom Natsworthy, um historiador aprendiz de terceira classe. De repente, ambos acabam caindo para fora da Cidade de Tração. Agora perdidos no vasto Campo de Caça, sem uma cidade para protegê-los, os dois precisam unir forças para alcançar Londres e sobreviver a um caminho cheio de saqueadores, piratas e outras Cidades de Tração. Além disso, ao que tudo indica Londres está planejando um ato desumano, envolvendo uma arma não usada na Guerra dos Sessenta Minutos, que pode dar fim ao pouco que restou do planeta..."

Livro:  Máquinas Mortais  ||  Série: Crônicas das Cidades Famintas # 1 
Autor: Philip Reeve || Gênero: Ficção Científica /Distopia
Ano: 2018 ||  Editora: HarperCollins Brasil 
Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Sheila

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Primeiro terei que confessar que AMO distopias, sendo assim comecemos: Máquinas mortais é o primeiro de uma série de 4 livros do autor Philip Reeve, onde os fatos se passam em um planeta Terra pós-apocalítico, onde nós, seres humanos atuais, destruímos tudo na chamada Guerra dos Sessenta minutos. Promissor, já achei quando li essa parte, reconstrução de mundos e sobrevivência da raça humana sempre me interessam.

A grande novidade dessa distopia é que, por falta de recursos, solo fértil, água em abundância e excesso de catástrofes naturais, como vulcões e terremotos, o ser humano evoluiu o conceito de cidade e criou as cidades móveis. Imagine uma cidade inteira sobre rodas, como um gigante tanque de guerra. Conseguiu? É isso mesmo. Como tanques de guerra, as cidades agem como em um jogo, onde as grandes cidades são mais lentas, possuem grande poder de fogo e atacam as menores, se apoderando de seres humanos como escravos e trabalhadores e de todas as peças mecânicas, bem como alimentos e tesouros que elas possam ter.

Achei a sacada genial do livro, pois dessa forma é possível fugir de desastres naturais, ir atrás de água e assim por diante, mas principalmente, como isso vem acontecendo há milênios. A forma de vida natural para eles é sobre um motor, e morar em terra firme, ainda que as catástrofes tenham diminuído e o mundo esteja se consolidando e se restaurando, as pessoas, em sua grande maioria, têm pavor de viver em solo, terra fixa nem pensar.

E assim o autor monta duas facções: os tracionistas e os anti-tracionistas, e a história envolve duas gerações:
- Personagens jovens, como o aprendiz Tom, uma mocinha da sociedade aristocrata Katherine e uma outra que é párea da sociedade, bem  esperta e que busca vingança, essa seria Hester; 
- Personagens uma geração mais velha, os prefeitos, revolucionários como  Anne Fang, um pesquisador e descobridor de nome Valentine, quase bem intencionado. Essa geração vive um conflito, parte se mostra apegada aos seus conceitos e vivências e outra que busca se libertar e se estabelecer em paz em terra firme.



 Achei fantástica a evolução dos personagens dentro dos quesitos do que é certo e errado, o que é justo, o que é melhor, e como eles foram se remodelando ao longo do livro e amadurecendo. Adoro quando os personagens não são estáticos e não se negam a aprender e realmente tiram a venda dos seus olhos. As personagens femininas também são bem fortes e desafiam o contexto onde parecem inseridas no livro.

As camadas da sociedade são apresentadas, bem como as diferenças estruturais das cidades e suas crueldades. Cidades grandes, como Londres, têm várias camadas da sociedade, ligadas a seus andares e escravos, cada nível de andar mostra uma realidade diferente, e a constante sensação de guerra é o que  mantém os habitantes motivados, pois conquistar outras cidades significa recursos.

Consciências de guerra e paz nessa parte não existem, até mesmo leis foram criadas para explicar isso como uma lei da vida; o maior come o menor, algo assim, para a as pessoas não questionarem o sistema e se acomodarem nele e na classe em que nasceram.

Atual de muitas formas, o livro mostra muito da sociedade que existe ainda hoje em países onde castas imperam e que pode sempre piorar muito se continuarmos a não cuidarmos do planeta, que perderemos alimento, ciência, história e principalmente veremos a população humana reduzida e à beira de extinção. Com um fundo apocalíptico, o livro traz teores de esperança, descobertas e também de amores juvenis, sem ser esse último o ponto forte desse livro. 

Empolgante, o livro já foi filmado e terá sua estreia agora em 10 de janeiro de 2018, aqui embaixo deixarei o trailer para você realmente se empolgar e ler!


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3 comentários :

  1. Sheila!
    Gosto também de distopias, ainda mais no estilo Steampunk, justamente pelas máquinas fantásticas que essa ficção traz e também gostei da idea do autor em relação da mobilidade, de estar um período em cada novo lugar.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Gosto de historias que se passam em um mundo pós-apocalítico, ler ou ver o que aconteceu com o mundo e a luta pela sobrevivência é importante, afinal pode acontecer na vida real. Interessante cidades móveis acho que não tinha visto nada assim, o autor inovou, isso deixa a leitura mais atraente. Que legal já vai ter filme, nem sabia e nem conhecia o livro.

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  3. Oi Sheila,
    Olha, eu ando lendo poucas distopias, acredito que por estar achando os enredos com os mesmos elementos...
    Não nego que é bem escrito, real de certa forma, afinal, é um jogo de poder entre cidades, que sabemos que acontece nas entrelinhas.
    Já havia visto o trailer, e esse sim me empolga, principalmente por levar o nome do Peter Jackson.
    Beijos

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