10 janeiro 2019

[Resenha] Celular - Stephen King


Onde você estava no dia 1º de outubro? O protagonista Clay Riddell estava em Boston, quando o inferno surgiu diante de seus olhos. Bastou um toque de celular para que tudo se transformasse em carnificina. Stephen King - que já nos assustou com gatos, cachorros, palhaços, vampiros, lobisomens, alienígenas e fantasmas, entre outros personagens malévolos - elegeu os zumbis como responsáveis pelo caos desta vez.
Depois de anos de tentativas frustradas, o artista gráfico Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos. Para comemorar, decide tomar um sorvete. Mas, antes de poder saboreá-lo, as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem.
Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Carros e caminhões colidem e avançam pelas calçadas em alta velocidade, destruindo tudo. Aviões batem nos prédios. Ouvem-se tiros e explosões vindos de todas as partes.
Neste cenário de horror, Clay usa seu pesado portfolio para defender um homem prestes a ser abatido, Tom McCourt, e eles se tornam amigos. Juntos, eles resgatam Alice Maxwell, uma menina de 15 anos que sobreviveu a um ataque da própria mãe.
Os três sortudos - entre outros poucos que estavam sem celular naquele dia - tentam se proteger ao mesmo tempo em que buscam desesperadamente o filho de Clay. Assim, em ritmo alucinante, se desenrola esta história. O desafio é sobreviver num mundo virado às avessas. Será possível?



Livro: Celular || Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras || Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Amanda
 Ano: 2018 || Gênero: Ficção, Suspense


"Três dias atrás, dominávamos a Terra e sentíamos a culpa por sobreviver a todas as espécies que nós mesmos ajudamos a exterminar, em nossa escalada rumo ao nirvana que são os canais de notícia vinte e quatro horas e a pipoca de micro-ondas. Agora somos o Povo das Lanternas."
Clay estava vivendo um dos melhores dias desde bastante tempo em sua vida, seu trabalho finalmente estava recebendo reconhecimento e uma oportunidade para brilhar, ele finalmente teve dinheiro para comprar uma frivolidade cara para a esposa, quando vê o mundo desabar à sua volta literalmente.
Pessoas ensandecidas atacando umas as outras até morrerem, violência desenfreada por onde quer que olhasse. Duas jovens, apelidadas por ele de "cabelinho claro e cabelinho escuro" se engalfinham, enquanto uma ataca a amiga violentamente, a outra se pergunta quem é. Mas o mais curioso é, como Clay observa, que todos antes de surtarem usavam um celular.

Nesse cenário caótico, ele acaba encontrando Tom, um homem bem educado e gentil que acaba se juntando a ele em busca de abrigo, quando Clay tem a ideia de voltar ao hotel onde está hospedado. Lá, eles encontram o Sr. Ricardi e acabam salvando a vida da jovem adolescente Alice. Juntos os três tentam entender a origem do comportamento violento das pessoas e acabam chegando a conclusão de que a teoria absurda de Clay - os celulares estão por trás do surto coletivo.
"Jordan, você acha que o Pulso foi mesmo um Pulso, não acha? E ele... apagou o disco rígido de todo mundo que o escutou."


Juntos, os três partem em busca do filho de Clay. Encontrando mais desafios em sua jornada. Os fonáticos - nome utilizado para definir as pessoas que se tornaram insanas - estão por toda parte, mas aparentemente não podem sair durante a noite e, ninguém sabe aonde eles vão parar, o mistério apenas fica mais intrigante ao vê-los carregando mini-systems com eles. Assim, as pessoas lúcidas - ou normais -, acabam alternando o dia pela noite para evitar serem atacados. Os fonáticos, no início, parecem não exibir nenhum pensamento racional, sua única função é exterminar os que não receberam o "Pulso" do celular. No entanto, conforme o tempo vai passando, começam a exibir certo controle e mostram uma tendência a se unirem e até mesmo a se ajudarem, alarmando aos normais.

Clay, Alice e Tom por fim, chegam à academia Gaiten, onde conhecem o diretor Ardai e seu pupilo Jordan, ali eles vão encontrando mais respostas ao mistério. Uma horda de fonáticos se reúne em bandos no estádio da academia ao som de músicas antigas, como se entrassem conjuntamente em um coma induzido. Jordan que se auto denomina um nerd, tem a teoria de que os celulares emitiram um comando de reinicialização dos sistema ao cérebro, uma vez que os cérebros são como computadores sofisticados. Por isso, ao se reiniciar o cérebro retornou ao seu eu mais primitivo, onde ataca por se sentir ameaçado ou para conseguir alguma coisa ou simplesmente por atacar, cedendo aos instintos básicos. No entanto, a verdadeira incógnita é que, ninguém nunca tentou reiniciar um cérebro antes, logo, ninguém nunca soube as consequências disso. Esse Pulso, como assim é chamado pode ativar partes do cérebro que antes não poderiam ser acessadas, dando um potencial ilimitado ao ser humano, por assim dizer.
"- Vamos nos limitar ao seguinte: o homem dominou o planeta graças a dois traços essenciais. Um é a inteligência. O outro é a completa disposição para matar tudo e todos que possam se colocar no seu caminho. (...) A inteligência humana finalmente conseguiu superar o instinto assassino, e a razão dominou os impulsos mais insanos. Isso também foi uma questão de sobrevivência."
Potencial testemunhado por eles, quando fonáticos começam a fazer coisas que só se via em histórias em quadrinhos, como: manipular coisas com a mente, comunicação por telepatia e levitação. Apavorados, eles decidem que precisam fazer algo à respeito e, incendeiam a horda descansando no estádio. Infelizmente, esse ato acaba trazendo efeitos que não previam e colocando a eles e seus entes queridos em um perigo maior do que poderiam imaginar.

Eu gostei bastante do começo do livro, adoro uma boa matança literária, no entanto, quanto mais o tio King foi tentando explicar e teorizar pior a coisa foi ficando (não podemos esquecer a fama de que alguns, para não dizem muito, dos finais do tio King são bem "cagados"). Para mim, colocar a culpa nos et's teria sido mais crível.

Mesmo valendo se de um plot que podemos nos correlacionar muito, afinal vivemos através dos celulares hoje, a quantidade de clichês, incluindo toda a clássica jornada do herói/nerds em busca do reencontro com a família, distribuídos ao longo da narrativa não tem o toque de genialidade do King.

Para quem já conhece a escrita e as ambientação pode encontrar aqui referências básicas como o Maine, o livro é uma espécie de ode a obras de autores que o King admira como Richard Matherson (de "Eu sou a lenda") e George Romero (o direto de "A noite de mortos vivos") e a vibe do livro é uma boa mistura dessas duas referências quando se trata da natureza humana, a essência dessa natureza é descrita principalmente nos atos violentos ou na contraposição de foco para se salvar, algumas reflexões são bem subjetivas e outras bem jogadas na cara, um dos quotes que eu mais amo é:



"O que Darwin foi educado demais para dizer, amigos, é que dominamos a Terra não porque somos os mais inteligentes, ou mesmo os mais cruéis, mas porque sempre fomos os mais loucos, os mais desgraçados homicidas da floresta.” 

Li na ansiedade para saber como ia terminar e fiquei bem decepcionada. O livro deixa o final em aberto, não sabemos que fim levaram os personagens, nem se eles permaneceram juntos ou se encontraram depois. Confesso: esperava mais, mas o King ainda é meu escritor de terror favorito, apesar de tudo <3.
"E Clay pensou, não sem espanto: é assim que um homem fica quando decide que correr o risco de morrer é melhor do que correr o risco de mudar."

Compartilhe!

4 comentários :

  1. Oi Amanda,
    Não é atoa que o chamam de mestre...
    Sabe o que mais me atrai na história, o fato de ser algo que ao mesmo tempo é impossível, ser possível. Afinal, já somos controlados pelos nossos aparelhos, o que King fez, foi só transformar isso em algo mais aterrorizante, o que convenhamos, ele consegue.
    O enredo está divino, percebo que a escrita dele mudou um pouco, e é como disse, ele escreve sobre pessoas, principalmente sobre os monstros que existem dentro delas.
    Realmente é uma pena que o final foi tão ruim, eu quero mto ler, espero não me decepcionar.
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. É uma pena que deixa a desejar principalmente o final em aberto não gosto, prefiro quando tudo é bem fechadinho, tem uns finais dele que são bem fracos, mas tinha tudo para ser interessante afinal estamos dependendo muito do celular, isso deixa o leitor refletindo sobre a realidade. Eu assisti o filme e não gostei nenhum pouco, ficou faltando muita explicação também.

    ResponderExcluir
  3. Nanda!
    Mesmo quano o protagonista é dos melhores, King sabe criar um enredo que sai da mesmice e traz uma visão totalmente nova para temas que parecem estar saturados.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  4. Olá Amanda,
    Não é atoa que o chamam de mestre...
    Sabe o que mais me atrai na história, o fato de ser algo que ao mesmo tempo é impossível, ser possível. Afinal, já somos controlados pelos nossos aparelhos, o que King fez, foi só transformar isso em algo mais aterrorizante, o que convenhamos, ele consegue.
    O enredo está divino, percebo que a escrita dele mudou um pouco, e é como disse, ele escreve sobre pessoas, principalmente sobre os monstros que existem dentro delas.
    Beijos

    ResponderExcluir





Copyright © 2017 Every Little Book. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | OddThemes | ILUSTRAÇÃO: Yuumei