24 janeiro 2019

[Resenha] Caçadora de Estrelas - Raíza Varella


Romance de Raiza Varella que figurou na lista de e-books da revista Veja. Após flagrar o namorado com outro cara (não, você não leu errado) e constatar que o safado tem um gosto para homens melhor que o seu, Eva se arrepende de ter abandonado a família, o gato, o emprego, os amigos e até o país para seguir o imbecil e decide que é hora de voltar para casa, com um mau humor feroz e sem um tostão no bolso.
Embora a vida em casa esteja bem diferente do que ela se lembrava, Eva é obrigada a seguir em frente e lidar com a situação como uma mulher adulta. Mas o destino lhe prepara uma nova surpresa: um amor proibido. Será Eva corajosa o suficiente para lidar com mais um coração partido, mesmo que seja pela estrela mais brilhante do céu?




 Livro:  Caçadora de Estrelas || Autor: Raíza Varella || Editora: Verus
Ano: 2018 || Gênero: Literatura Nacional / Romance, NA

 Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Tainara

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Mais um amor da Raíza para entrar nas minhas leituras. Estava há muito tempo ansiosa para ler esse livro, pois li várias resenhas dizendo que ele estava bem diferente do original lançado em 2016, de forma independente. E depois que li isso, fiquei muito curiosa para saber o que é tão diferente desse livro para o de 2016. Mas sem mais delongas vamos a resenha.

“Eu te amo o suficiente e da maneira certa, como vou fazer todos os dias da minha vida, porque as estrelas, moram muito longe e saudade não é o bastante para trazer ninguém de volta. ”

O início da história é maçante, chato, repetitivo, porque temos o ponto de vista de Gabriel e de Eva, e eles apresentavam a mesma cena, só que através da visão de cada um, o que fez muitos dos capítulos iniciais serem bem chatos, não vou mentir, tive que pular uns parágrafos para não ficar relendo.

Logo de cara a Raíza nos apresenta a Eva, que não caiu no meu agrado na hora. Fiquei penalizada pela situação em que ela estava vivendo? Sim, mas nada mais do que isso. Ela, para uma mulher de 30 anos, foi muito infantil, muito imatura, e as pessoas ao redor dela mais imaturas ainda, por deixá-la fazer o que bem entende e sempre dar um jeito de ajudá-la a se reerguer.

Não que o ser humano não precisa ser amparado, não precise de alguém ao seu lado, mas a Eva passava dos limites.  Mas, em contrapartida, a Eva teve pontos positivos, como o tom cômico que ela dá às coisas em diversos momentos. Ri horrores das falas e das atitudes dela. Outra coisa boa é que ela é egoísta e afirma isso, não é daquelas personagens sonsas que ficam, “mas eu sou assim? ”, “não, você só pode estar enganada”, “eu não sou assim”; não, não, a Eva fala: “sou egoísta mesmo, e daí? Tenho direito de ser, porque sempre me deram de tudo, e vou ser”. Por ela ter esse quê de realidade que a personagem não ficou tão chata.

“Tenho até medo de pisar na água. Com minha sorte, é capaz de eu ser confundida com alguma oferenda e ser levada para o fundo do mar sem pena por quem quer que habite o oceano. ”

O Gabriel é um cara mais centrado, mais cabeça, mas mesmo assim mima demais a Eva, fica “passando o pano” em tudo que ela faz, levando a culpa pelos erros dela, a reerguendo em cada tropeço. Não apenas o Gabriel, mas a família toda de Eva é assim com ela, o que me deixou bem incomodada, porque achei tudo muito forçado, e para ser sincera, não vi motivos para eles a tratarem daquela maneira. Acabou que essa forma que a Raíza escreveu a Eva tirou o tom de realidade dela, eu não conseguia vê-la como uma pessoa real, que passa por aquelas situações, sabe? Mas houve uma reviravolta na história, e é aí que a coisa fica boa.

“Amar pode doer, principalmente uma garota apaixonada por mim.”

Lá para uns 45% do livro a história começa a tomar um outro rumo, porque até agora estamos conhecendo Eva e suas desilusões amorosas, a sua família e o Gabriel, e tudo que está ao redor dela e a coisa toda da sua busca pela estrela. Depois dessa fase, a Eva e o Gabriel resolvem tomar um tento na vida, mais a Eva do que o Gabriel, porque ela reconhece o sentimento que tem por ele, mas Gabs está em um relacionamento com a irmã da Eva, e é aí que tudo fica uma confusão (gente, sério, se eu for explicar irei acabar contando a história toda, então leiam o livro e entendam) e a Eva resolve lutar pelo Gabriel.

“{...} Pois eu prefiro ver você morto que casado com outra pessoa que não seja eu. ”


Para mim a história começou daí, foi aí que ela começou a ganhar uma forma real na minha cabeça e a Eva passou a ser vista como uma pessoa, e não mais apenas uma personagem. Até as situações em que ela se metia já pareciam mais reais, e as atitudes das pessoas ao seu redor se tornaram mais reais também.

“Seu beijo é como eu sempre imaginei que seria. Tem gosto de céu, tormenta e amor.”

A Raíza se aprofundou mais no romance, quer dizer, se aprofundou tanto no romance que esqueceu a parte dramática. Desculpa, mas é a verdade. Um livro que tem em seu enredo câncer, tem que ter uma veia dramática forte, e aqui não é isso que vemos, não, mas não mesmo. Vemos umas coisinhas esporádicas e tal, mas situações para te levar às lágrimas? Nem existe. Esperei mais coisas voltadas para a saúde do Gabriel, mas em diversos momentos, após ele ter descoberto o câncer, li o livro e nem lembrava que ele estava doente, porque nem no assunto não era tocado e ele agia como uma pessoa saudável.

Não tenho conhecimento sobre o câncer que ele teve, mas uma pessoa que está no estágio 3 de câncer, com um pulmão comprometido, está àbeira da morte, mas o Gabriel não aparentava isso. Para não dizer que o livro todo ele esteve bem saudável, lá para as últimas páginas do livro foi que ele deu uma adoentada de verdade que nem aguentava ficar muito tempo em pé, só isso.

“É ridículo se eu disser que é muito emocionante sentir nosso coração disparado no mesmo compasso? Que dá vontade de chorar? Eu sou ridículo. ”

Aqui citei pontos que achei negativos para o enredo, mas agora irei aos pontos favoráveis. Um deles, sem sombra de dúvida, é o romance. Ninguém pode dizer que a Raíza não sabe escrever um romance, todos os livros dela que li, inclusive esse, nos dá uma sensação boa, uma vontade de viver e ter um amor assim, um amor para a vida toda, um amor que sentimos na alma, um amor que vai além do físico. Nesse ponto a Raíza nunca deixa a desejar, porque se é uma coisa que ela saber fazer é deixar a gente sonhando com romances assim, além do ser.

“Sempre foram gestos.Sempre foram doações.Sempre foi amor.Sempre fomos nós. ”

Outra coisa foi o amadurecimento de Eva. Depois de tudo que li dela, nunca na vida esperaria que mudasse daquela forma, sério, era um pouco da Eva antiga com uma totalmente nova, ficou uma mistura maravilhosa. Ela se tornou uma personagem forte e cômica, tudo ao mesmo tempo. Era uma nova Eva, mas com a essência da antiga. Em diversos momentos fiquei: “Essa é aquela Eva? ”, seu eu não estivesse lendo o livro acharia que tinham trocado as Evas.

Outro ponto foi a relação de Eva com a madrasta, lindo demais de ver a conexão das duas, e sendo que a madrasta nem sequer a conhecia de fato e já confiava e acreditava no potencial dela, mais do que todos aqueles que estavam com ela a todo momento. Isso mostra que eles tinham consciência do mal que tinham feito a Eva quando resolveram esconder as coisas dela e poupá-la de coisas que ela deveria viver e enfrentar sozinha para amadurecer.

A Raíza tem uma coisa com família. Família sempre tem que estar presente, então todos os livros tem muita família envolvida, e eu adoro isso, acho incrível essa necessidade de mostrar que sem a família para nos apoiar e ser base não somos nada. A família da Eva, mesmo com todos os problemas e segredos, é a base dela, e achei isso muito bonito. Veja, uma coisa é eu achar bonito a família ser base e outra é eu criticar eles quererem poupá-la das coisas da vida. Que fique claro, por favor, para não acharem que estou sendo incoerente.

“- Seja boazinha e não responda à esposa do papai, Mike Tyson – ele pede, com sua paciência infinita e um par de olhos gentis. ”

Ao romance eu dou nota 5 e ao todo eu dou nota 4. No resumo o livro é bom, leitura fluída, porque a escrita é fluída, mesmo com as repetições desnecessárias, todos os personagens te conquistam pela veia cômica e por eles se centrarem na história. Ah, mais uma coisa: no início de alguns capítulos temos músicas, então corre para ouvi-las enquanto lê a história. Uma curiosidade, lá para uns 85% do livro eu lia o livro ouvindo a música que Lady Gaga e Bradley Cooper cantam no filme Nasce Uma Estrela, Shallow. Eita que caiu bem demais com o clima da história. Quis trazer essa curiosidade, para quem sabe vocês não resolvam testar? ;)  E a capa? O que dizer da capa? ESPLÊNDIDA, a Verus caprichou nessa capa linda com o marcador, a diagramação está impecável, como sempre, sem erros gramaticais e de revisão. Mais uma vez a editora acertou em cheio no livro.

Eu não li o livro quando foi lançado independente, então não tenho como comparar a história entregue pela editora e a história entregue pela Raíza em 2016, mas li muitas resenhas que dizem que as histórias são muito diferentes. Já estou curiosa para achar esse manuscrito original por aí.

Espero que tenham gostado. Até breve amores. Xero!!!

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4 comentários :

  1. Fiquei em dúvida se leria o livro, pois logo no começo a leitura é repetitiva, isso é tão desgastante e sem falar na protagonista que é infantil, mimada não tenho muita paciência com isso rs. O bom é que ela melhora, mas demora. Fiquei em dúvida se rola um triângulo amoroso odeio isso. Parece que a parte boa fica no romance mesmo, que deve dar uma aquecida na historia.

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    1. Oi Maria.
      Não rola triângulo, isso te garanto.
      Entre o de agora e o anterior, prefiro o anterior, tem uma carga mais dramática e achei mais condizente com o título da história.

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  2. Oi Tainara,
    Eu não sabia que a Raiza havia alteado a história quando o livro físico foi publicado, mas, assim que li a primeira resenha gostei da história.
    Pelas opiniões que vi, não deu para perceber esse lado ruim de Eva, mas, sendo sincera, é uma personagem que tem características que cansam o leitor, talvez por isso a falta de conexão…
    Em um geral é uma boa história, principalmente por contas das lições que ela deixa, tenho que dizer também que o livro ganha muitos pontos pela estética, a capa está linda, e tive a oportunidade de ter em mãos, adorei a edição.
    Beijos

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    1. Oi Vi.
      Alterou e muito. Te falar viu!
      Ela cansa de mais pela super proteção que a família da a ela por uma coisa que poderia todo mundo ter sentado e conversado com ela. Achei desnecessário esse segredo.
      As lições implícitas são ótimas sim, excelentes na verdade, dar valor para o agora é melhor que esperar o amanhã.
      Beijos

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