16 janeiro 2019

[Resenha] À Beira da Loucura - B.A. Paris

Cass está sendo consumida pela culpa desde a noite em que viu uma mulher dentro de um carro parado na estrada perto de sua casa, durante uma terrível tempestade, e tomou a decisão de não sair para ajudá-la. No dia seguinte, aquela mesma mulher foi encontrada morta naquele exato lugar. Cass tenta se convencer de que não havia nada que pudesse ter feito. E, talvez, se tivesse ido ajudá-la, poderia ela mesma estar morta agora. Mas nada disso é o suficiente para aplacar a angústia que sente, principalmente considerando o fato de que o assassinato aconteceu ali do lado, bem perto de sua casa isolada ― e que o assassino ainda está à solta.
Então, depois da tragédia, Cass começa a ter lapsos de memória: não consegue se lembrar de ter encomendado um alarme para casa, não sabe onde deixou o carro, muito menos por que teria comprado um carrinho de bebê quando nem filhos tem. A única coisa que ela não consegue esquecer é Jane, a mulher que poderia ter salvado, e a culpa terrível que a corrói por dentro. Tampouco consegue esquecer as ligações silenciosas que vem recebendo, nem a sensação de que está sendo observada.
Seria possível que o assassino a tivesse visto, parada no acostamento, enquanto decidia se ajudaria a mulher ou não? Será que ele está tentando assustá-la para que ela não conte nada à polícia? Mas como alguém poderia acreditar em seus temores quando nem mesmo ela é capaz de saber o que é verdade e o que é mentira? E como Cass pode acreditar em si mesma quando tudo ao seu redor parece provar que está ficando louca?

 Livro: À Beira da Loucura ||  Autor: B.A. Paris 
Editora: Record || Ano: 2018 || Gênero:  Suspense e Mistério
 Classificação: 3 estrelas || Resenhista: Anne
Ao voltar para casa de uma festa, Cass se depara com um carro parado no meio do nada. Estava chovendo muito, então com medo, ela não se prontificou a ajudar a mulher do carro. Aparentemente, a mulher não buscava por ajuda, já que não fez nenhum sinal de que estava com problemas. No dia seguinte, Cass descobre que a tal mulher foi assassinada e uma culpa terrível começa a rondá-la. Além disso, ela tem medo de que o assassino a tenha visto e esteja atrás dela, pois vem recebendo diversas ligações misteriosas de um número restrito. Para aumentar ainda mais seu remorso, ela descobre que a vítima era sua nova amiga Jane, então acaba se sentindo mais culpada por não tentar ajudar. Para completar a todo o cenário de medo, ela acredita estar começando a ter sintomas de demência precoce, doença que acometeu sua mãe e que acredita ter herdado, complicando ainda mais o momento. 

Esse é o segundo livro da autora B. A. Paris, o primeiro tem como título Entre Quatro Paredes e é bem conhecido por leitores de thrillers psicológicos. É um livro sufocante e visceral, que provavelmente gerou muita expectativa nos leitores para essa segunda obra. Entretanto, a autora deixou um pouco a desejar na execução de À Beira da Loucura. 

Como em diversos livros do gênero, a protagonista não é uma personagem confiável, essa é uma característica interessante, pois possibilita que a história siga para vários caminhos e o leitor pode criar várias hipóteses sobre o que está acontecendo. Nesse livro, não foi diferente, há um clima tenso que permanece durante toda a leitura, mas acabou que a autora pecou pelo excesso. Muitas cenas são completamente dispensáveis e acabam tornando a história cansativa. 

Cass tem vivido dias agoniantes. Os esquecimentos e as ligações, além da culpa, estão consumindo suas energias. Dá para entender o estresse que ela está sentindo, mas o que não dá para entender é como em tão pouco tempo, ela se deixa vencer e prefere viver a base de remédios para dormir. Sua personalidade fica um tanto monótona e irreal. Ela se torna totalmente dependente do marido e não procura saber se realmente está com o problema de saúde. Além disso, ela se afeta demais com qualquer coisa que acontece, então a cada capítulo ela fica mais perdida e a história fica menos convincente.


Quanto aos personagens secundários, os que tem mais destaque são o marido de Cass, Matthew, e a melhor amiga dela, Rachel. O marido é bem prestativo, carinhoso, mas aos poucos começa a ficar incomodado com os surtos da esposa. Já Rachel, conhece Cass desde pequena, mas atualmente já não conseguem se ver com tanta frequência devido à correria da vida e além disso, ela não se dá muito bem com Matthew. São personagens que não geram empatia nenhuma e que mereciam ser mais trabalhados. 

A escrita é bem simples, mas como citei anteriormente, as paranoias da protagonista ficam cansativas, pois tudo é bem repetitivo. A todo momento ela recebe as ligações, a pessoa não fala nada, ela fica com medo, o marido não acredita... A impressão que tive foi que a autora só queria acrescentar mais páginas e se perdeu no objetivo, o que obviamente atrapalhou a leitura. Creio que se ela tivesse seguido a dinâmica da obra anterior, essa teria agradado muito mais. 

Uma reviravolta dá novo ânimo à leitura, aí sim a leitura segue um bom ritmo até o final. Reviravolta essa que pode ser previsível para alguns, mas é coerente com o enredo. Já o final foi corrido, mas até que foi interessante. Nessa parte, sim, a autora poderia ter gasto mais páginas e tramado uma coisa muito maior e quem leu seu primeiro livro, sabe que ela é capaz.


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2 comentários :

  1. Thuanne!
    Nossa, gosto tanto de thrillers e ainda mais quando se relacionam com a perda de memória, acho sempre bem fascinante.
    Estou lemdo Uma curva no tempo e meio nesse estilo.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Que pena que deixa a desejar, no começo da resenha estava até ficando empolgada, pois gosto muito do gênero, estava me colocando no lugar da personagem, que peso na consciência também ficaria por não ter ajudado. Pelo menos teve essa reviravolta que adoro para dar uma melhorada, mas achei três estrelas pouco, para querer ler o livro.

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