05 dezembro 2018

[Resenha] O Reino de Zália - Luly Trigo


Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia. Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país. Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance. Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar - e que tipo de rainha quer se tornar.


 Livro: O Reino de Zália || Autor: Luly Trigo ||  Editora: Seguinte || 
Ano: 2018  ||  Gênero: Fantasia 
 Classificação: 5 estrelas || Resenhista: Barbara


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Acho que ainda estou sem palavras para descrever como me sinto ao terminar o livro da Luly Trigo, o Reino de Zália. Admito que não esperava metade do que ele me trouxe. Achava que seria apenas um conto de fadas fofo, romantizado e com dramas de uma adolescente assumindo o trono de um país problemático. Nunca havia lido nada da Luly, nem tido qualquer contato com ela, até o evento da CIA onde ouvi um pouco sobre a história e na hora tive certeza que precisava ler. Acho que ando meio na fase de querer ler mais sobre escritores brasileiros que se aventuram em fantasia. E o que eu posso dizer é que valeu a pena.

Na história, somos apresentados ao reino de Galdino e à segunda na linha de sucessão, Zália. Uma princesa de dezessete anos que durante toda sua vida nunca imaginou um dia ser rainha. Sempre teve sonhos de conhecer o mundo e tirar fotos, sua maior paixão. Até que seu irmão Victor sofre um atentado e acaba morrendo, deixando Zália diante do trono.

Galdino é um conjunto de 64 ilhas, divididas em 18 estados e com uma população de 80 milhões de pessoas, que foi fundada pela família de Zália e é desde então governada por ela. O atual rei, Humberto, está afastado de seu posto por causa de um AVC e nomeia Zália como sua Regente e futura Rainha no lugar de seu irmão, dando início a essa magnifica história.

Inicialmente, seu pai estabelece que ela não decidirá nada, apenas assinará documentos e fará visitas reais, enquanto ele continua à frente de tudo. Entretanto, sua mãe lhe incentiva a fazer aquilo que acha certo e buscar o melhor para o povo.

Galdino encontrava-se dividida pela Resistência, que não apoia mais a monarquia e os mais conservadores que acreditam que o país não precisa de mudanças. E Zália se vê metida em meio a esse caos, ainda mais com seu pai buscando incansavelmente os responsáveis pela morte de seu irmão.
“Me sinto egoísta por me preocupar com meu futuro quando deveria estar lamentando a morte do meu irmão. Mas os dois fatos estão tão entrelaçados que é impossível fugir. A morte de Victor é minha sentença.”


Desde o início do livro não tem como não se envolver pela narrativa escolhida pela Luly, é fácil se apaixonar pela simplicidade e confusão de Zália, suas inseguranças e forma de encarar a vida. É uma narrativa em primeira pessoa, que te faz se prender ainda mais à princesa regente.

Os personagens são cativantes, e não posso negar que amei do início ao fim o Gil, um dos três melhores amigos de Zália, juntamente com Julia e Bianca. Eles são meio que “gente como a gente”, presos num mundo novo e adorando cada dia no palácio ao lado da futura monarca.

A forma como Luly criou um reino longe de ser perfeito e cheio de magia, diferente do que estamos acostumados e esperamos dos contos de fada me chamou muita atenção. É um reino que sofre assim como nós sofremos atualmente, com a corrupção, governantes que sempre saem impunes e com o rico cada vez ficando mais rico, enquanto o pobre cada vez fica mais pobre. Adorei ver citações que remeteram a tanta coisa real que nosso país vem enfrentando. Como os problemas com as merendas nas escolas, ou os professores que não recebem salário, mas ainda assim continuam dando aula, pois sabem que aquelas crianças precisam deles. 

Luly soube trazer a nossa realidade para um mundo fantasioso de forma perfeita e até mesmo assustadora. Ás vezes passamos por uma notícia de jornal sem nos importamos com o que realmente está acontecendo à nossa volta e ler O Reino de Zália foi um tapa na cara, ainda mais diante do que vivemos atualmente no nosso país com toda essa mudança política. Pode ser um livro de fantasia, mas os temas são mais reais do que gostamos de admitir. O que só me faz temer ainda mais o que pode estar por vir.

Zália é o tipo de personagem que me agrada, pois o tempo todo está disposta a mostrar sua força, ainda mais num reino onde todos os dezoito governantes são homens, assim como todos os prefeitos e conselheiros de seu pai. Para uma jovem de dezessete anos, impor suas vontades é um desafio realmente grande. Seja mudando um simples vestido ou ditando o que falará por si própria sem que ninguém lhe represente. E ela mostra um crescimento sem igual durante as páginas, mesmo ainda sendo uma adolescente insegura, não desiste diante dos desafios. É uma princesa feminista, disposta a seguir seus ideais e jamais baixar a cabeça por ser mulher. Para nós mulheres, é uma inspiração ter uma personagem tão forte assim como ela.
Por que estou tão elétrica?, pergunto a mim mesma. E, como se existisse outra de mim, respondo: Porque acabei de sentir como é ter poder... e gostei.
Amo romances e não podia faltar nesse livro, sendo que, para mim, ele ficou realmente no segundo plano. Luly o usou na medida certa, pois não tem como querer focar no romance enquanto o reino inteiro está prestes a desmoronar. Mas, não tem como não sentir o coração dividido, como a princesa, e sofrer a cada desilusão. Amar e odiar personagens e desejar que o final seja feliz. Antonio e Enzo são personagens intensos e com grande construção da autora, te fazendo ter a cada página uma visão diferente deles, assim como Zália, ao descobrir seus segredos.

Um livro que me surpreendeu, pois, como já disse, esperava que tomasse um rumo comum, como qualquer livro de princesa que já li, mas, quanto mais eu lia, mais percebia que estava longe de ser o esperado. Uma história de política ambientada num reino e envolvendo toda a trama de uma jovem que precisa abrir mão de sua liberdade e assumir as responsabilidades cedo demais. Mostra que não importa quem você é, seja uma menina de dezessete anos, uma mulher ou quem quer que seja, o destino do país está diante de seus olhos e em meio às com as dificuldades, todos podem fazer sua parte. Zália apenas nos mostra que não devemos ficar calados, que mesmo com as mãos atadas podemos buscar soluções e melhorias, só não devemos nos manter quietos e esperando que a mudança aconteça, nós somos a mudança.

Luly Trigo já havia me conquistado com seu jeito carismático, sua simpatia e forma como trata aqueles que estão ao seu redor, mas me ganhou ainda mais com sua escrita e forma revolucionaria de ver o mundo. Ela conseguiu me prender do início ao fim em suas páginas e me fez desejar que a história de Zália não tenha chegado ao fim. Um livro apaixonante, para quem gosta de política, ou não, e para aqueles que amam fantasia e personagens fortes. Ganhou meu coração e um destaque em minha prateleira.

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2 comentários :

  1. Bárbara!
    Estamos em época que livros como esse que trazem à luz, problemas séries governamentais e faz uma analogia com o poder de ter o poder nas mãos, principalmente de uma adolescente, achei muito criativo e com toda ccerteza faz o leitor parar para pensar ou repensar...

    cheirinhos
    Rudy

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  2. Amo fantasia e confesso que esperava um livro mais leve e gostei de saber que não é nada disso, achei importante mostrar sobre o que acontece nesse meio politico, pois não tem como não comparar com a nossa realidade, adorei saber sobre a personagem que tem muita garra, fiquei impressionada de só ter homens no comando digamos assim e ela ser tão jovem e tendo que enfrentar essa situação, fiquei muito curiosa em ler.

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