09 dezembro 2018

[Resenha ] O menino do pijama listrado - John Boyne

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável. Esta edição de luxo, que comemora os dez anos de lançamento da obra, traz uma introdução inédita do autor e ilustrações do premiado artista Oliver Jeffers.

Livro:  O menino do pijama listrado || Autor: John Boyne || Ilustrador:  Oliver Jeffers 
Editora: Seguinte ||  Ano: 2017  ||  Gênero:  Infanto Juvenil, Guerra, Nazismo
Classificação:  4 estrelas || Resenhista: Karina


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John Boyne é conhecido por escrever livro infantis que roubam os corações até dos mais crescidos e não poderia ser diferente com a história contada no livro “O menino do pijama listrado”, apesar de ser um livro curto e com linguagem quase infantil, aborda um período da história que foi terrível, mas que sempre desperta muito interesse, o livro foi adaptado para o cinema com o mesmo título.

A edição comemorativa nos conta um pouco do processo de escrita do autor que revela que não sabia o quanto essa historia mudaria a vida de escritor dele, a ideia original era apenas sobre dois garotos separados por uma cerca e é assim que Bruno acaba vendo a vida, mas nós estamos prestes a embarcar numa história que também nos mudará.

Numa introdução de menos de três páginas, o autor já nos alerta que o livro tem o potencial de nos tocar na mesma proporção de revoltar, depende muito da procura de leitura que você está fazendo, e de uma maneira muito educada ele nos diz que esse é um problema do leitor e não dele autor; há escolhas que ele faz como autor que não condizem com a realidade do que viveram milhões de judeus, mas essa é uma escolha dele cabe você aceitá-la ou não.

Eu assisti o filme antes de ler o livro (shame on me) mas nem por isso a experiência de leitura foi menos intensa; começamos a história acompanhando a rotina de Bruno, um garotinho alemão de 9 anos que chega em casa e descobre que precisará se mudar por conta do trabalho do pai.



Bruno não queria sair de Berlim onde morava perto dos avós, nem da escola onde já estava acostumado com os professore e os amigos, mas com um pai que tem um alto cargo no exército alemão não leva muito em conta a vontade de um pequeno garoto; mesmo com uma descrição que parece bem superficial do dia a dia de uma família alemã da época, John Boyne consegue nos transmitir o alcance da percepção de uma criança, afinal ninguém é criado desde pequeno para saber até onde pode ir a crueldade humana. Em alguns momentos a inocência de runo nos irrita, porém, o exercício de empatia é inevitável, afinal quem com 9 anos tem plena consciência politica? 

A casa nova é conhecida como o “Campo Haja-Vista” (Auschwitz), a casa é bem diferente da antiga em Berlim e desde que chega a casa nova, Bruno deixa claro que sente falta da vida antiga, que nesse lugar não há amigos, nem vizinhança; ao explorar os cômodos pela janela ele avista um lugar onde tem avós, meninos grandes, pais e crianças que vestem um pijama listrado, mas não entende onde estariam as mãe, avós e tias e ao perguntar ao pai quem seriam aquelas pessoas apenas recebe a ordem de seja um bom menino e não se preocupem com aquelas pessoas, elas nem são pessoas como eu ou você.

"Aquelas pessoas...bem, na verdade elas não são bem pessoas. Bruno". Bruno franziu o cenho."Não são? perguntou ele, sem saber o que o pai ueria dizer com aquilo. "Bem, não são pessoas no sentido em que entendemos o termo", prosseguiu o pai[...] 

 Ainda intrigado com as pessoas de pijama listrado, Bruno sai para explorar a propriedade e decide se aproximar da cerca, assim que se aproxima, Bruno conhece Shmuel, um garotinho judeu que vive do outro lado da cerca, por terem a mesma idade, a amizade entre os garotos se desenvolve facilmente.



Durante muitas vezes Bruno leva comida para Shumel e conta como foi seus dias, enquanto tenta entender como funciona a vida do amigo do outro lado. Em uma situação especifica, Shumel é levado para servir a família de Bruno e na frente de um comandante do exército confronta as crianças perguntando se eles já se conhecem, sem ter exata certeza do que significa ser amigo de um judeu, bruno diz que nunca viu Shumel o que deixa o garoto judeu em apuros e decepcionado com o amigo.

Apesar dos dias de Bruno terem se tornado menos ruins com a companhia de Shumel, a mãe e a irmã Gretel não se conformam com a vida ali e por algumas razões, o pai decide enviá-los de volta a Berlim e é aí que nosso coração que já estava rachado com as narrações da maldade implícita quebra de vez e o final do livro é tão triste quanto o do filme.



Apesar de relatar um período histórico que adultos conhecem muito bem, crianças que não tenham um background sobre os fatos históricos talvez não alcancem a mensagem; se você ama livros que seguem a risca o que aconteceu no passado vale avisar que obviamente o autor se vale de alguns fatos que seriam impossível de acontecer num campo de concentração, obviamente num campo de extermínio um garoto de 9 anos  sairia do trem  apenas para câmara de gás, mas, vamos lembrar que essa é uma historial ficcional então os fatos não precisam ser seguidos a regra.

Por ser um livro curtinho não dá pra detalhar muito sem soltar algum spoiler, mas garanto que é quase impossivel não se deixar tocar e envolver pela amizade inocente que essas duas crianças desenvolvem; se eu puder dar um conselho seria, quando você for escolher uma edição para ler se possível escolha  a edição comemorativa de 10 anos, não só pela capa dura, mas essa  é uma edição com ilustrações  de traços simples e maravilhosos; a maioria das ilustrações são em preto e branco, apenas alguns detalhes ganham cor, o que deixa o detalhe ainda mais bonito, esse é um livro que vem encantando gerações a muito tempo, minha mãe me fez assistir ao filme, eu dei uma versão antiga para a minha irmã e agora li essa ilustrada com meu afilhado o que nunca muda é o envolvimento em todas essas experiências e o quanto a história impacta.

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2 comentários :

  1. Assisti o filme e mexeu muito comigo, fico imaginando o livro, a amizade entre os garotos é muito bonita e pura. Gosto de livros e filmes que abordam a historia dos Judeus, mesmo sendo tristes, esse livro deve deixar mesmo o leitor revoltado e tocado, não tem como não ficar, espero ler, mas é uma leitura que tem que estar preparado pelo que esta por vir.

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  2. Eu amo muito esse livro. Ele é com certeza um dos melhores trabalhos que o autor já desenvolveu. Eu infelizmente não tenho essa nova edição ilustrada mas ela é belissima e a adaptação desse livro para os cinemas e maravilhosa

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