19 dezembro 2018

[Resenha] A Incendiária - Stephen King

Uma criança com o poder mais extraordinário e incontrolável de todos os tempos. Um poder capaz de destruir o mundo. Após anos esgotado no Brasil, A Incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha. Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturála e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.



Livro: A Incendiária || Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras || Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Amanda
 Ano: 2018 || Gênero: Ficção, Suspense

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"Norma Manders gritou, e Andy se encolheu. Mas Charlie não pareceu notar. Seu rosto estava sonhador e pensativo. Um pequeno sorriso de Mona Lisa tocava os lábios dela.Ela está gostando, pensou Andy com certo horror. É por isso que tem tanto medo? Por que gosta?"
Incendiária foi um livro que me surpreendeu, mas que até agora eu estou meio na dúvida se gostei ou não. Isso se deve mais ao fato que eu esperava terror e Incendiária é essencialmente ficção cientifica, logo não tem o banho de sangue que eu estava esperando.

O livro se dá início na tentativa desesperada de Andrew McGee de escapar de agentes do governo. Isso porque alguns anos atrás, Andy participou de um experimento do governo em troca de duzentos dólares. Os horrores presenciados naquele dia foram rapidamente atribuídos à droga que lhes foi injetada, no entanto, quanto mais tempo passa, mais ele fica convicto de que tudo foi real, especialmente quando Andy percebe que desenvolveu uma habilidade psíquica de controlar pessoas mentalmente, uma habilidade que ele chama de Impulso.

Vocês podem estar pensando: “mas que coisa sensacional!” Na verdade, não. A cada pequeno impulso que Andy dá em alguém para que essa pessoa faça algo, Andy vai sentindo dores de cabeça terríveis que o debilitam e aumentam cada vez mais em intensidade. A cada novo impulso que pode variar de intensidade dependendo da resistência mental da outra pessoa, mais energia Andy perde e mais dores ele sente e muitas vezes, fica incapacitado de usar seu poder e até mesmo de se levantar da cama por dias. Isso sem contar que não sabe em como esse esforço mental pode afetar seu cérebro, então ele pode estar se matando a cada impulso que usa.

Mas nem tudo é tão terrível quanto parece a princípio. Por causa disso, ele acaba conhecendo sua futura esposa Victória que também fez parte do experimento e também desenvolveu uma habilidade: telecinese, mas sua habilidade é bem menor que a do marido. O ponto central chega com o nascimento da filhinha deles: Charlene.
"Esse é seu grande defeito. Você olha e vê um monstro. Só que, no caso da garota, um monstro com utilidade. Talvez seja porque você é um homem branco. Homens brancos enxergam monstros em toda parte."
Charlie herda a habilidade dos pais de uma forma pura, ela tem o “dom” da pirocinese e de dar impulsos em máquinas (tipo se ela quiser sacar dinheiro ou pegar um refrigerante sem pagar) e desde pequena a menina apresenta um temperamento forte e pouco controle sobre sua capacidade o que é uma péssima combinação. Os pais usam na filha o que os cientistas explicam como uma doutrina de aversão para controlá-la e isso nada mais é do que a cada coisa que ela queimasse, haveria uma reprimenda calorosa e uma história de terror sobre como as coisas ruins aconteciam com pessoas que faziam coisas ruins. Basicamente o que os pais costumam fazer para os filhos pararem de fazer xixi na cama dizendo que não era certo, que as outras pessoas não vão querer estar perto deles porque ele vai ficar fedendo, que vai contar para os amiguinhos e envergonhá-lo, nesse sentido.
"Nunca diga isso, Andy. Deus ama fazer um homem quebrar sua promessa. Faz com que ele se mantenha humilde quanto a seu lugar no mundo e quanto a seu sentido de autocontrole."
Mas o que a família não sabe é que os agentes da Oficina (organização do governo que é responsável pelos testes) continuam de olho neles a espera de alguma mudança significativa, ou seja, de uma demonstração de habilidade que possa ser explorada e estudada. Eles sabem que Charlie é especial e um dia, finalmente, resolvem que está na hora de levar a garotinha, o que culmina na cadeia de eventos do começo do livro, a fuga de pai e filha, que vai durar mais ou menos metade do livro até que eles são capturados e começam a estudá-los.

 O grande desafio dos cientistas da oficina vai ser quebrar a menina de oito anos que se recusa a usar seu poder que ela acredita ser mau. E fazer com que Andy colabore também. No entanto, para surpresa dos cientistas, o pai da menina parece ter esgotado todo seu poder durante o quase um ano de fuga com a pequena e está basicamente inutilizado.
"- Eu nunca mais vou fazer isso - garantiu ela - Nunca mais.
John Rainbird é uma parte importante do quebra-cabeças. É o assassino silencioso que a Oficina reserva para casos especiais. John é um personagem que beira à insanidade, ele vive pela próxima caça e espera encontrar a resposta sobre o que há depois da morte nos olhos daqueles que mata. Um doce, certo? Ele se interessa de cara por Charlie e decide que quer não apenas participar da captura, mas se aproximar da garota, ser seu amigo… e matá-la. Ele acredita ser o único que pode conseguir quebrar Charlie e fazer com que ela use seu poder. Chega a ser desconfortante a obsessão que ele termina por desenvolver pela criança e a forma como ele percebe nela não uma menina, mas os trejeitos de uma mulher, chegando a se dizer apaixonado por ela.
"Uma terceira parte estava se lembrando de uma maldição chinesa, uma maldição traiçoeiramente agradável até se sentar e pensar bem a respeito dela. Que você viva em tempos interessantes."
A incendiária é o quarto volume que a Suma de Letras está lançando dentro da coleção Biblioteca Stephen King. A edição está maravilhosa, com uma diagramação caprichada. Também temos uma nova tradução e revisão na edição já que ela foi lançada em 1980. 

Como um livro originalmente lançado em 1980, ele foge um pouco da escrita que estamos acostumadas do King de agora. E esse foi um dos motivos que disse no começo da resenha, se eu gostava ou não. Porque esperava um terror, e esse livro vai mais para ficção cientifica com habilidades psíquicas como tema, e claro que um toque de suspense. Então quando li, eu esperava outro tipo de história. Fora que a escrita difere, mesmo com a nova tradução que deu mais fluidez na leitura. Temos um excesso de descrição o que cansa um pouco na leitura. 

Na primeira parte, a narrativa do livro se dá entre o que acontece no momento e flashbacks do passado. Confesso que achei essa primeira parte arrastada, muito focada entre o relacionamento de pai e filha, e na segunda entre captor que se finge de amigo e se apaixona pela criança. 

Em vários momentos, a Charlie é bem sensualizada no livro, o que eu até entendo como um terror real no cotidiano que a gente vive. E isso pode pesar para algumas pessoas, assim como pesou para mim. Mas justamente isso é o que torna John um ótimo vilão, porque ele apresenta muitos traços de personalidades que mexe com o psicológico de qualquer pessoa.

A ação propriamente dita fica mais em segundo plano, mais como consequência. E eu também não sou exatamente uma fã de narrativas que intercalam presente e passado. Tirando isso, o livro é bastante interessante e é uma ótima dica para quem procura um livro de ficção científica e sobrenatural com pegadas psicológicas.

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2 comentários :

  1. Adoro sobrenatural, mas também achei que seria voltado mais para o terror, mas acho que deve ter ficado interessante, com essa fuga dos personagens e o interesse dos agentes neles, achei que teria muita ação logo de cara, mas parece que não é bem assim. Fiquei curiosa com a idade da Charlie, achei que ela era bem novinha, mas já tem alguém interessado romanticamente nela.

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  2. Eu amo livros Sobrenaturais e eu acho que esse fim quem Acertou em cheio desse livro dele eu já conheci a história deste livro mas eu amei essa nova edição que Editora suma trouxe para a gente nessa edição da biblioteca do Stephen King Quero completar ela urgentemente

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