02 dezembro 2018

[Resenha] Feminismo em comum - Marcia Tiburi

Primeiro livro feminista escrito pela filósofa Marcia Tiburi, autora do sucesso Como conversar com um fascista. Podemos definir o feminismo como o desejo por democracia radical voltada à luta por direitos de todas, todes e todos que padecem sob injustiças sistematicamente armadas pelo patriarcado. Nesse processo de subjugação, incluem-se todos os seres cujo corpo é medido por seu valor de uso – corpos para o trabalho, a procriação, o cuidado e a manutenção da vida e a produção do prazer alheio –, que também compõem a ampla esfera do trabalho na qual está em jogo o que se faz para o outro por necessidade de sobrevivência. O que chamamos de patriarcado é um sistema profundamente enraizado na cultura e nas instituições, o qual o feminismo busca desconstruir. Ele tem por estrutura a crença em uma verdade absoluta, que sustenta a ideia de haver uma identidade natural, dois sexos considerados normais, a diferença entre os gêneros, a superioridade masculina, a inferioridade das mulheres e outros pensamentos que soam bem limitados, mas ainda são seguidos por muitos. Com este livro, Marcia Tiburi nos convida a repensar essas estruturas e a levar o feminismo muito a sério, para além de modismos e discursos prontos. Espera-se que, ao criticar e repensar o movimento, com linguagem acessível tanto a iniciantes quanto aos mais entendidos do assunto, Feminismo em comum seja capaz de melhorar nosso modo de ver e de inventar a vida. “O feminismo nos leva à luta por direitos de todas, todes e todos.Todas porque quem leva essa luta adiante são as mulheres. Todes porque o feminismo liberou as pessoas de se identificarem como mulheres ou homens e abriu espaço para outras expressões de gênero –e de sexualidade – e isso veio interferir no todo da vida. Todos porque luta por certa ideia de humanidade e, por isso mesmo, considera que aquelas pessoas definidas como homens também devem ser incluídas em um processo realmente democrático.” – do capítulo “Para pensar o feminismo

Livro: Feminismo em comum - para todas, todes e todos
Autor:  Marcia Tiburi || Editora: Rosa dos tempos
Classificação:  3 estrelas || Resenhista: Karina
Ano: 2018 || Gênero: não ficção


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Se você estiver disposto a apostar em uma leitura diferente, essa sem dúvida é uma ótima opção. Feminismo em comum para todas, todes e todos é um livro bem fininho que dá para ler em apenas uma sentada. Narrado em num tom de conversa, Marcia exemplifica e desconstrói conceitos polêmicos que estamos cansados de ouvir quando a polêmica feminista passa pelo nosso caminho.

O feminismo está aí para ajudar as pessoas a se perguntarem sobre os jogos de poder envolvidos em sua própria vida

O livro começa com uma história pessoal da autora e, depois, passa para a elaboração do movimento. A escrita é simples, com muitos exemplos, capaz de se fazer entender sem muitos problemas. É um tema importante, ainda mais no nosso atual cenário. Muito se discute sobre feminismo, mas pouco se pesquisa. Aprender e entender mais sobre o tema é importante para todos os lados da discussão, e esse livro da Marcia pode ajudar nesse quesito.

Para quem já está familiarizado com o tema, talvez o conteúdo não traga grandes surpresas e questionamentos. Porém, como um primeiro contato, é essencial para levantar novas questões e identificar situações no dia a dia que acontecem com todos, independente do gênero. Não é um livro perfeito, em alguns momentos é até repetitivo, mas é bem claro em apontar o que quase sempre é distorcido nas batalhas de textões do facebook. Poderia ser melhor se tivesse exemplos práticos de acontecimentos  do cotidiano, isso ajudaria a aproximar mais o conceito da realidade.
O feminismo é um espaço tempo, no qual habitam a multiplicidade dos corpos em relação não violenta.

Durante a leitura, me peguei pensando em quando foi que me identifiquei como feminista pela primeira vez. Não cheguei à conclusão nenhuma, até porque, no meio em que vivo, a maioria das pessoas podem nem saber o que é ser feminista, mas partilham do princípio básico do feminismo que é a igualdade independente do gênero (sim, eu sou muito privilegiada, por estar cercada dessas pessoas).

A lógica patriarcal sempre culpa as mulheres pelos erros dos homens, sem assumir que os homens podem ser os culpados pelos erros das mulheres.

São 17 capítulos bem curtos, com exemplos baseados em pensamentos de filósofos conhecidos. A linguagem é tranquila e aborda conceitos como: lugar de fala, lugar de escuta, solidão, o feminismo versus o feminino.

Vale lembrar sempre que segundo o dicionário Aurélio, por definição feminismo, Machismo e Humanismo são:
  •    Feminismo: 1- Sistema dos que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dela aos do homem
  • ·  Machismo: 1-Modos ou atitudes de macho. 2 -Ideologia segundo a qual o homem domina socialmente a mulher
  • ·   Humanismo: 1-Doutrina dos humanistas do renascimento que ressuscitam o culto das línguas e das literaturas antigas. 2-Culto deificação da humanidade. 3-Doutrina centrada no homem ou na humanidade
Pontos a considerar: Feminismo não é ANTÔNIMO de machismo da mesma maneira que Humanismo não é SINÔNIMO de Feminismo.
O feminicidio, que para muitos é um tópico menos importante, é uma verdadeira constante cultural[...] Todas as vezes que as mulheres se tornaram indesejáveis ou inúteis, perigosas ou desobedientes. Elas foram perseguidas e mortas. E toda essa perseguição e violência foi sustentada pelo discurso misógino. 
Se ainda assim você achar que o feminismo não te representa, entenda que não há regras para que você seja mais ou menos feminista. E, mesmo quem não se diz feminista, quer a mesma coisa que o feminismo prega: o direito de não ser apenas tratada como um objeto sexual, mas uma pessoa plena de direitos. São dois vieses completamente diferentes, mas ambos abraçados pelo feminismo. Se eu tivesse que escolher uma palavra que vem à minha cabeça quando penso em feminismo, seria sororidade. 


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3 comentários :

  1. Parece ser uma leitura rápida e fácil, sem palavras complicadas, assim que é bom ,além de suma importância, ainda não li nenhum livro que aborda o tema, mas pretendo ler. Adorei saber que é diferente e que pode surpreender, gosto assim, deixa a leitura mais envolvente. Precisamos de cada vez mais livros que possam falar sobre essas injustiças que acontecem no dia a dia.

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  2. Que resenha legal. Eu não me considero feminista, machista ou algo que se defina em uma palavra, acho que foi isso que vc quiz trazer nesta resenha. O que queremos é direitos iguais, somos seres humanos iguais então pq n nos tratamos como pessoas com sentimentos e respeito. Uma mulher pode muito bem ser quem quiser, assim como um homem pode ser o que quiser. Acho que se o mundo olhasse menos para o exterior e mais para o interior o mundo seria melhor. Nada de cores e gêneros, apenas seres humanos racionais. É um livro que me interessou.

    Beijos,
    garotaeraumavez.blogspot.com

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  3. Karina!
    Gostei de ver que o livro traz um esclarecimento sobre o feminismo de forma mais dinÂmica, através de exemplos e de suas experiências pessoais.
    Sempre bom livros mais educativos e ue agregam conhecimento.
    Desejo uma ótima semana!
    “A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DEZEMBRO - 7 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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