15 dezembro 2018

[Resenha] As madonas de Leningrado - Debra Dean


Guerra, amor e vida se unem neste drama profundamente sensível, que visita as lembranças da Segunda Guerra Mundial de uma idosa russa, em uma emocionante homenagem à memória, ao amor e, acima de tudo, à vida.
Marina foi guia turística no Museu do Hermitage nos anos 1940. Com a idade, ela não consegue mais se lembrar de eventos diários ou datas importantes—como o casamento de sua neta—, mas lembra-se de maneira vívida dos seus anos na Guerra.
Em meio à doença, a mente cansada de Marina é invadida por imagens de sua juventude em uma Leningrado sitiada pelo exército nazista durante a Segunda Guerra, uma época de fome, dor e medo. A realidade se mistura com suas lembranças da guerra de forma que ela já não consegue distinguir presente e passado, indo em uma direção que pode colocar em risco sua vida.


Livro:  As madonas de Leningrado || Autora: Debra Dean ||  Editora: Harper Collins
Ano: 2018  ||  Gênero: Romance, Drama
 Classificação: 4 estrelas || Resenhista: Sheila

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De início, achei surpreendente a forma de escrita da autora, que me lembrou muito a Clarice Lispector. Me espantou que mulheres tão distantes em época e geograficamente falando pudessem ter a mesma forma de escrever. Assim como Clarice, a autora deste livro, Debra Dean, escreve da maneira como a personagem pensa, e assim, por vezes, é necessário estar atenta para saber se aquele cena está acontecendo na realidade ou é apenas um pensamento ou lembrança.

A história se passa no presente, e foca em dramas familiares. Marina, hoje é uma senhora e está sofrendo de Alzheimer, e por isso suas lembranças da guerra e do museu que trabalhava são vívidas e os detalhes do dia-a-dia plenamente esquecidos.

Ela é casada há muitos anos com um amigo de infância, Dimitri, e o livro traz também uma bela história de amor, não tão arrebatadora como muitas, mas forjada na parceria, amizade e carinho.

Marina e Dimitri estão se preparando para uma viagem devido a um casamento na família e, durante o evento, vai ficando cada vez mais claro para os filhos e para os netos que Marina está perdendo muito rápido a lucidez.


Para quem gosta de história e arte, como eu, esse livro é excelente, pois se passa durante a Segunda Guerra Mundial e descreve fatos que realmente aconteceram. Porém, o mais encantador e que me surpreendeu, foi o fato de a protagonista – Marina - trabalhar no Museu Hermitage, localizado às margens do rio Neva, em São Petersburgo, na Rússia. Outrora, o Museu foi o lar de czares e se tornou um belíssimo museu com obras de arte renascentistas importantíssimas expostas, bem como uma coletânea de peças que são narradas por Marina, durante o grande empacotamento que o museu passou, com a intenção de proteger as peças dos bombardeios alemães.

O Museu Hermitage se equipara ao Louvre em Paris ou ao Museu Britânico em Londres. Dono de uma arquitetura linda e ímpar tipicamente russa, possui em sua construção os mais caros e belos mármores e trabalhos em bronze. Marina descreve durante boa parte do livro as salas mais importantes e as obras que mais a marcaram, é possível ter um encontro com Velasquez e Caravaggio e os quadros são amplamente descritos e, sim, a narrativa é extremamente descritiva.


O livro tem um fato que me desagradou muito, acaba abruptamente, quase como se faltassem páginas ou como se a escritora tivesse pressa. Difícil de aceitar, mas creio que foi feito de propósito, traçando um paralelo com a memória de Marina, como que a protagonista se perdendo para o Alzheimer levasse também o final do livro com ela. Quero acreditar que essa foi a intenção, senão seria ainda mais frustrante essa ausência de desfecho.

Indico o livro para amantes de história arte, mas não para amantes de romances, essa é uma história sofrida de privações de guerra com muita fome e melancolia, mas ilustra perfeitamente o Museu Hermitage e as nuances da morte e dos medos que a guerra traz.

Para quem deseja conhecer e conferir os dados do livro deixarei AQUI o link da visita virtual ao Museu Hermitage, espero que vocês se encantem, ele está na minha wish-lista de visitas, isso eu afirmo.

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2 comentários :

  1. Gosto de historias que se passam na guerra, me deixam com uma outra visão da vida, saber o quanto as pessoas sofreram e a luta que enfrentaram pela sobrevivência, me faz ver o quanto não damos valor as pequenas coisas. Deve ser uma leitura muito sofrida daquelas que mexe com o nosso emocional, nos deixando pensando sobre quanta crueldade existiu e ainda existe por aí.

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  2. Eu amo ser aqueles livros que são ambientados na Segunda Guerra Mundial e esse livro ou não só se falar sobre a Segunda Guerra Mundial como também contarão pouco como foi a vivência dos russos nela já me cativou muito por aí mesmo livro sendo biografia não me desanimou e começar a leitura

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